Um porto madero incompleto

Recife está aproveitando os investimentos públicos e privados na tradicional área portuária, para buscar a revitalização do seu centro histórico. Também caracterizado como centro velho ou centro tradicional, onde ainda há inúmeros imóveis tradicionais, em geral tombados e deteriorados, sem utilização.

Na área portuária, junto ao Marco Zero reformou e modernizou os armazéns, para instalar lojas e restaurantes, à semelhança do Puerto Madero, em Buenos Aires. 

Agradável e seguro na parte interna, não oferece as mesmas condições na parte externa. Sem área de estacionamento, ao lado de uma avenida de grande movimento, rota para Olinda e outras localidades, com apenas uma lombada eletrônica para a travessia de pedestres, sem sinaleira automática, escuro e calçadas irregulares, é inseguro e pouco convidativo para acesso.

Apesar de outras intervenções na Ilha do Recife, que a vem modernizando como o Paço da Alfândega, ao lado de uma imensa Livraria Cultura, outros estabelecimentos culturais, o conjunto gastronômico do Porto ainda não promoveu a revitalização da região. 

A revitalização da região portuária de Buenos Aires, não decorreu apenas do conjunto gastronômico-cultural de Puerto Madero, o ícone mais visível. No entorno foi desenvolvido um grande polo empresarial, com novos prédios para escritórios e, paralelamente, um conjunto de parques. 

O potencial germinador de um "Porto Madero" depende das intervenções pública e privadas no entorno. No caso do Recife, um dos poucos empreendimentos imobiliários implantados foi envolto por grandes contestações de movimentos sociais e ambientais: as Torres Gêmeas na área do Cais Estelita.  Não teve sequência na modernização imobiliária, seja em função da crise, como das contestações sociais. 

A revitalização da área do Porto do Recife, corre o risco de sucumbir à continuidade da crise econômica. 

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