O futuro da política brasileira (3) - mudanças no jogo de forças

Ontem apesar de todos os percalços e molecagem das "velhas senhoras" o projeto de alterações da legislação trabalhista foi aprovado. Ainda que indevidamente, é reconhecida e tratada como reforma trabalhista.
Com a sua aprovação, ala do PSDB pressionará para o desembarque do Governo Temer, associando-se de um lado com a oposição petista e de outro com a conspiração carioca que quer assumir o poder, na esperança de salvar o Rio de Janeiro. 
O dilema do PSDB é maior do que parece, não se limitando a manter ou não o apoio a Temer. Há grandes diferenças regionais (ou estaduais). 
De toda forma o PSDB não estará mais unido sustentando a base aliada de Temer. Este continuará "comprando" o baixo clero e os partidos menores para se sustentar.
Os indícios são de que não conseguirá aprovar na Câmara dos Deputados as Medidas Provisória que encaminhar para ajustar o projeto aprovado. Quando muito conseguirá manter alguns vetos.
Fora do Congresso os empregadores e os analistas econômicos vão se dar por satisfeitos.

O problema maior da base aliada está na divisão do PMDB, com a ala carioca se rebelando contra a cúpula para derrubar Temer e ver Rodrigo Maia assumindo o poder.

Essa ala tem o apoio da Rede Globo que, desde Roberto Marinho, sempre foi a principal defensora de uma perdida hegemonia carioca. A Rede Globo acha que o paulista Michel Temer não está tratando adequadamente o Rio de Janeiro.

Essa mesma visão levou o deputado peemedebista, com votos na Baixada Fluminense, Sérgio Sveiter a apresentar um relatório para afastar Temer da Presidência. Ainda que temporariamente. Mas, provavelmente, acreditando se poderá ser definitivamente. Em qualquer dos casos o poder ficaria com os cariocas. Apenas para lembrar: a última vez foi com um falso carioca, de origem alagoana.

Agora se soma uma entrevista de Armínio Fraga, dizendo que a eventual queda de Temer não afetaria a retomada. 

Ns ocupação interina da Presidência Rodrigo Maia manteria Meirelles. Se assumir definitivamente, poderá trocâ-lo por Fraga. Para o mercado não fará grande diferença, sendo que uma parte até o prefere. Do ponto de vista de política monetária e econômica não haverá substanciais mudanças. 

A principal diferença é que Meirelles é um paulista-goiano e Fraga é um carioca da gema. 

(cont)

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