O futuro da política brasileira (4) - o cenário tendencial para 2018

Na eleição presidencial faltará um líder populista social, abrindo espaço para lideranças populistas de "direita", do tipo Bolsonaro ou Dallagnol, focados no combate à corrupção, por quaisquer meios.
A tônica será um Estado forte, com ações até autoritárias, sem restrições de recursos. Se o mercado resistir a aumentos de impostos, o sacrifício será da remuneração dos servidores públicos e dos programas sociais. Principalmente da previdência social. 
No Congresso Nacional as lideranças mais preparadas, que tem sido também as mais corruptas, sucumbirão tragados pelas ondas anti-corrupção, com poucas exceções. Serão substituidas por deputados e senadores do atual baixo clero. Em geral, populistas assistenciais e religiosos. A maior bancada a partir de 2019 no Congresso será a evangélica.  
Não haverá alto e baixo clero. A Câmara dos Deputados será inteiramente dominado pelo atual baixo clero, com pequenos redutos de renovação e comandada pelo alto clero do Senado.

Como nesse, um terço dos Senadores não precisará participar das eleições, tendo ainda mandato por mais quatro anos, aquele - em função do seu maior preparo e experiência - assumirão o comando real do Congresso. 

Poucos Senadores que disputarão a reeleição, não voltarão, com algumas exceções.

A exceção mais importante, responde pelo nome de Renan Calheiros, que - espertamente, mais uma vez - optou pelo populismo social (o que equivale na fase atual, ao petismo). Ele não tem condições de uma candidatura presidencial, tampouco é o seu objetivo. 

O que ele deseja é o apoio do petismo à sua candidatura em Alagoas, aparecendo como oposição ao Governo atual (seja Temer ou Maia), para superar os seus concorrentes, ligados àquele.

Com isso, manterá o foro privilegiado e, com a sua competência, experiência e esperteza, assumirá a liderança real da oposição ao novo governo. 

O seu risco é que com processos em andamento do STF, uma decisão por um colegiado, o tornará inelegível, pela lei da ficha limpa. 

As eleições para o Congresso Nacional, na prática, terão mais importância do que a eleição do Presidente da República. Embora essa tenha maior visibilidade, quem quer que seja, será refém do Congresso. 

A não efetivação do cenário tendencial, aqui descrito, será uma disrupção no processo eleitoral, com a emergência de uma liderança disruptiva. 

O que será essa disrupção no cenário político brasileiro é ainda uma grande incógnita. 

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