O Brasil do Futuro

O Brasil do Futuro terá que acompanhar o Mundo do Futuro e se inserir mais amplamente nele.
O que não é mais viável pretender um caminho próprio, baseado apenas no seu mercado interno, só se integrando marginalmente. 
Esse caminho foi tentado e não deu certo. Apenas atrasou o crescimento econômico e agravou os problemas sociais do país.
Também não cabe manter a visão mágica de que o Brasil será o país do futuro. Muitos brasileiros foram seduzidos pela visão de que o futuro do mundo estaria no Brasil. Este sonho só atrasou a caminhada do Brasil em direção ao seu futuro.
Não há futuro promissor sem ser um lugar no mundo, conectado com os avanços do conhecimento e da tecnologia.
Esses indicam para a chamada 4ª Revolução Industrial, para a economia 4.0, para a sociedade 5.0 (como querem os japoneses) e muitos outros pontos.
Será o tempo dos robôs, da automação industrial, da internet das coisas, da impressão 3D, da vida inteiramente conectada pelo celular, da engenharia-medicina avançada, e muitas outras coisas que estarão na retaguarda dos avanços.
As pessoas irão consumir cada vez mais esses novos produtos, cada vez mais como serviços e menos como bens materiais. E para que elas possam consumir alguém tem que produzir.
Os países que abrigarem essas atividades de geração ou desenvolvimento desses produtos serão ricos. E poderão ter uma população com melhores condições de vida. 
Já os países que não abrigarem essa capacidade produtiva, sendo apenas consumidores dos novos produtos, tenderão a permanecer com poucos avanços.

O futuro dos países não está mais na indústria, na atividade de produção ou transformação de bens físicos. Essa atividade fez a riqueza de muitas nações, mas atualmente, em todo o mundo, com exceção da China, a atividade econômica principal, seja como geração de renda ou de empregos é de serviços. Com toda uma gama de atividades, mas entre as quais desponta a de serviços tecnológicos.
Essas para alavancarem o crescimento econômico do país precisam ter abrangência mundial de mercado. Isto é, serão produzidos num país mas serão consumidos em todo o mundo.
Por serem atividades predominantemente humanas, baseadas no seu conhecimento e capacidade criativa, podem migrar de um pais a outro, sem grandes investimentos físicos ou mesmo financeiros.
O que pode prender as pessoas produtivas dessas atividades num país é um ambiente favorável, envolvendo tanto uma infraestrutura de apoio como a formação de comunidades. O Silicon Valley é o exemplo mais objetivo da criação desse ambiente. 

Um projeto nacional brasileiro, um projeto para o futuro do Brasil, deve ter como foco principal, a inserção da atividade de desenvolvimento tecnológico inserido mundialmente. Através da atividade empresarial privada. Ainda que com forte apoio estatal. 
Com relação ao objetivo principal há um razoável consenso. Já em relação ao como e com quem, não.

E há a questão fundamental do financiamento. Que não basta pensar em termos micro. Tem que ser abordado também no aspecto macro.

Nesse, a alternativa está na agro-pecuária-florestal.  Essas atividades de geração de renda a partir da exploração de recursos naturais é ainda o grande ponto forte do Brasil. 

Para o futuro o Brasil não deve ficar dependente dessas atividades, mesmo com a sua grande sustentabilidade econômica e seu melhor produto. Com competitividade mundial. 

O excedente da atividade agro-pecuária-florestal poderá e deverá ser utilizado para financiar o desenvolvimento das atividades tecnológicas da 4ª Revolução Industrial.

Para a viabilização desse modelo a estratégia aqui proposta é começar pelo desenvolvimento dessas atividades tecnológicas voltado para o agronegócio. Isto é pela 4ª Revolução Agrícola, ou mais corretamente o Agronegócio 4.0.

Para justificar a cronologia, a 1ª revolução agrícola é quando o homem substitui o esforço humano pelo animal. Quando passa a usar o boi para puxar o arado, assim como para girar as moendas. E descobre também a força das águas.
A 2ª revolução é marcada ainda no processo produtivo, com a introdução da máquina. O grande símbolo dessa etapa é o trator. Essas revoluções são marcadas pela mudança na produtividade, impactando na capacidade de produção.
A 3ª Revolução Agrícola é a verde. A que passa a utilizar fertilizantes e corretivo de solo, tornando áreas até então inférteis em grandes bases para o aumento da produção e contestar as projeções catastrofistas de Malthus.  A fertilização permitiu, por outro lado, a introdução de grandes máquinas ampliando a escala da maquinização iniciada pelo trator. 
A 4ª Revolução Agrícola pode ser vista pela introdução das tecnologias digitais no processo produtivo agro-pecuário-florestal: automação dos equipamentos agrícolas, uso do big-data para monitoramento climático e outros controles, com uso de dados de satélites, agricultura de precisão e outros avanços.  Nesta visão o Brasil já está na 4ª Revolução Agrícola. 

Já tem massa crítica e pode expandir amplamente a atividade de produção de soluções tecnológicas para o agronegócio. 

(cont)






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