Gestor privado x público

Com oito meses de gestão, o competente gestor privado foi submetido a provas como gestor público e foi reprovado. Está em recuperação, tentando o que não conseguiu efetivar em 250 dias. 
E como sempre busca os culpados. Ainda pode responsabilizar a gestão passada, mas já teve tempo suficiente para fazer as coisas direito. Não o fez por inexperiência e falta de competência na gestão pública.
O problema mais visível está na terceirização pública, na contratação de serviços municipais de empresas privadas para a sua  execução, como manutenção de semáforos, jardinagem e outros já apontados pela mídia, como paralizados.

Como gestor privado ele pode chamar um conjunto de empresas, pedir uma proposta ou orçamento e negociar condições comerciais. De forma rápida.

Os mesmos procedimentos não podem ser adotados na gestão pública. Todas as compras, acima de determinado valor tem que ser submetidas à licitação pública. E precedida por ampla publicidade para que todos os eventuais interessados possam concorrer. 

O processo é naturalmente lento, mas fica mais ainda pelas exigências burocráticas e pelo jogo de interesses.

Esse é o problema maior que o gestor privado inexperiente enfrenta nas compras públicas de médio porte.

O Prefeito pode ir à Coreia do Sul e solicitar a fornecedores de lá, semáforos inteligentes, como doação. Seja como amostra ou não. Mas mesmo que goste e aprove não pode contratá-los  diretamente. Tem que submetê-los à licitação. E nada garante que serão os ganhadores. A menos de complicadas transações, que já não escapam do Juiz Sérgio Moro e seus companheiros.

A máquina administrativa instalada tem os seus preferidos, seja pela condição técnica ou por outros fatores não divulgáveis. E os concorrentes usam os meios legais para contestar ou até fazer denúncias.  

O conjunto pode estabelecer acordos e formar os "clubes". Ainda que de "várzea", mas sempre associações informais. Com a participação ou conivência das autoridades intermediárias. E algumas vezes superiores.

Aparentemente pode dar certo, mas sempre pode haver alguém que não foi convidado a ser sócio e resolve agir contra o clube. O caminho usual é o Tribunal de Contas. Esse, raramente, é proativo. É reativo diante denúncias explicitas ou não. E pode sustar o processo.

As complicações criadas nos processos licitatórios é de tal forma que sempre se encontra alguma falha.

Os novos gestores, imbuidos dos critérios de eficiência, tendem a inaceitar essas condições e a brigar com a burocracia. Sem a devida compreensão do processo. Não percebem que atrás de qualquer exigência estão interesses. E na "briga contra a burocracia", no mais das vezes, perdem.

É o que está ocorrendo com o Prefeito de São Paulo, o está desgastando. E enquanto isso a população paulistana paga pela sua incompetência, ou inexperiência.

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