Duas visões diferentes sobre a evolução do PIB

Com a divulgação do PIB do 2º trimestre de 2017, muitas análises creditaram à melhoria do consumo das famílias o resultado alcançado. Para satisfação do Governo e de muitos analistas que entendem ser um efeito da liberação das contas inativas do FGTS. Essas, sem dúvida, contribuiram, mas não foram o único fator principal.
O principal motor da retomada de crescimento da economia brasileira está nas exportações. E dentre essas nas commodities agrícolas. 
Feitos os ajustes sazonais, o consumo das famílias supera o crescimento das exportações, no segundo trimestre de 2017. No semestre, no entanto, a primazia continua sendo das exportações.

Uma análise de maior prazo, mostra as alterações estruturais na economia brasileira. 

Tomando a composição do PIB em 1995, período em que o IBGE passou a calcular o PIB trimestral e tendo a evolução do PIB, como referência ou base, no primeiro trimestre de 2014, último período que em o PIB apresentou um crescimento, o setor agropecuário mostrou um crescimento 35,4% a mais que o do PIB, enquanto a indústria de transformação, caiu 24,4%. O comércio estava com uma variação 3% a menos que o crescimento do PIB, mas o conjunto de serviços teve aumento de 1,9% acima do PIB.

Do lado da demanda, o crescimento do consumo das famílias foi 4,6% menor que o PIB, enquanto as exportações, apresentaram um aumento de 54,2% acima da evolução do PIB. 

Instalada a recessão, desde 2014, seguindo pelos anos de 2015 e 2016, o setor industrial de transformação decresceu 32,8% abaixo da evolução do PIB, enquanto a agropecuária, cresceu 34,8%. Do outro lado, o consumo das famílias, teve um crescimento de apenas 4,6% acima da evolução do PIB, enquanto as exportações, aumentaram 85,7%.

Significa que do lado da oferta, que equivale ao conjunto da produção nacional, a agropecuária vem ganhando espaço, enquanto a indústria perde. O novo motor da economia brasileira está sendo - cada vez mais - a agropecuária e não a indústria de transformação. 

E, do lado, da demanda o crescimento é puxado mais pela demanda externa do que pelo consumo interno.

Apesar dos números oficiais do PIB mostrarem essa transformação estrutural da economia brasileira, a sociedade brasileira persiste na tentativa de recuperação da economia, mediante a reindustrialização. 

As forças industrializantes ainda dominam corações e mentes dos economistas, dos jornalistas, dos empresários e muito outros, que se regozijam com ridículos aumentos do PIB, enquanto outros países e o mundo - como um todo - caminha a passos mais largos.

Não seria o momento de refletir e discutir se estamos no rumo certo? Ou se devemos buscar outro rumo, mas dinâmico? 

Uma vertente para o futuro do Brasil será o crescimento econômico pela agropecuária, voltada para o mercado externo, suportada por uma eficiente infraestrutura logística.

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