Brasil 4.0

Perdido entre crises conjunturais que refletem o desmoronamento de uma cultura tradicional - o patrimonialismo - e limitado a remédios paliativos - as reformas - a sociedade brasileira não consegue enxergar o Brasil do Futuro. Os mais pessimistas acham até que não há futuro. Mas o futuro sempre chega. Mesmo que possa ser pior do que o presente.

O futuro do mundo já vem sendo delineado com algumas tendências irreversíveis. 
O futuro do mundo não vai decorrer de iniciativas de governança mundial, embora alguns sonhadores ainda acreditem em tal. 
A evolução do mundo, como já ocorreu no passado recente, vai decorrer de inovações tecnológicas, que emergem de ações pessoais ou se difundem por ações corporativas. 

As inovações começam com a criação de uma pessoa ou pequena equipe e mudam a forma de viver de grande parte da sociedade, pela formatação da inovação em produtos comercializados em todo o mundo.

As inovações tecnológicas são apropriadas por empresas e através da sua comercialização se tornam produtos universais. Assim como não existe almoço de graça, não existe produto inovador de graça. Alguém está pagando. 

Enquanto o mundo paga, os criadores, os desenvolvedores e os fabricantes faturam e geram empregos. Do ponto de vista da quantidade, os fabricantes - que estão concentrados na China - são os maiores empregadores. Mas a maior massa salarial está com os criadores e desenvolvedores. Com maior impacto sobre a geração de renda indireta.

Dessa forma os EUA enfrentaram o deslocamento do trabalho em seu território, primeiramente para o México e depois para a China. O trabalho industrial minguou, mas aumentaram os volumes de trabalho no setor de serviços e de comércio, mantendo ou até aumentando os níveis de emprego.

A insatisfação dos desempregados da indústria levou à eleição de Trump. A tentativa de reversão prometida por Trump dificilmente será bem sucedida, mas causará uma freada no processo de desenvolvimento dos serviços inovadores norte-americano, o que será ocupado por outros países. 

A néo-industrialização ou a indústria 4.0 não terá a mesma configuração das fases anteriores.

A indústria se desenvolveu transformando produtos naturais em objetos (ou coisas) físicos. Para a melhoria do desempenho e atendimento às necessidades do usuário foram incorporando novas tecnologias, principalmente aquelas de automação, substituindo a ação humana manual. 

A evolução do automóvel é emblemática. Foram sendo introduzidas sucessivos equipamentos para a realização de operações automatizadas. O desenvolvimento delas foi tão ampla que acabou por "engolir" o próprio veículo. O carro autônomo deixou de ser um automóvel com automação embarcada, mas um computador que se movimenta sob quatro rodas, com a mesma aparência dos carros atuais. No futuro a aparência dos computadores que andam, carregando pessoas e bagagem será muito diferente.

Uma perspectiva é ver os novos produtos que estão ou passarão a ser utilizados pela humanidade. Outra é ver quem cria, desenvolve e fabrica esses produtos.

O futuro da "indústria" nos paises dependerá da capacidade desse em abrigar os estabelecimentos que criam e desenvolvem as inovações tecnológicas: a arquitetura e desenvolvimento dos algorítimos. 

Dentro dessa concepção, o futuro do Brasil está vinculada (ou relacionada) com o desenvolvimento em seu território dessas atividades. Que irão disputar o mercado mundial.

Poderão disputar de forma direta, na venda de softwares, de aplicativos abertos ou desenvolvimento de softwares específicos. Poderão disputar inserido dentro de produtos que consigam ser exportados pelas vantagens competitivas gerados pelos aplicativos incorporados ou utilizados na sua produção. 

Como o Brasil poderá desenvolver essas atividades? 

Uma primeira resposta dos acadêmicos é desenvolvendo a pesquisa científica, com recursos públicos, e investindo no desenvolvimento de novas tecnologias. 

Aqui, ousamos contestar essa "verdade" aceita e difundida como o pensamento hegemônico. Mas que tem sido ineficaz.

A nosso ver a condição primeira é desenvolver a demanda para esses produtos. A existência de uma forte demanda, no próprio país, poderá (ou deverá) ser a base para "puxar" as atividades de pesquisa & desenvolvimento. 

Mas não bastará uma demanda para consumo interno. Para que o produto tenha grande importância econômica precisa mirar o mercado mundial. Para ter escala.

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