Ano novo

Bom dia meus amigos e amigas

Hoje, pela tradição brasileira começa o ano. E eu começo o meu octagésimo segundo ano.

Ao completar 81 anos e, pelo menos, 60 pensando e discutindo o futuro do Brasil, não posso ficar satisfeito com os futuros projetados e apenas parcialmente realizados, mas com avanços.

Nos anos 50, ainda jovem estudante me envolvi em discussões sobre como transformar o Brasil de país subdesenvolvido em desenvolvido. JK lançou o plano de metas. E tornei-me um adepto do planejamento nacional. Na época em que planejamento nacional era associado ao planejamento soviético, de caráter estatal. E se discutia se poderia haver planejamento nacional democrático e liberal.

O Brasil não se tornou um país desenvolvido, mas teve substancial crescimento econômico. Os "donos do mundo" criaram uma categoria intermediária dos emergentes. 

O Brasil era o primeiro dos emergentes, mas por erros históricos que - na ocasião contestei mas não fui ouvido - o Brasil perdeu a posição para a China. Como em todos esses anos de discussão sobre o Brasil, nunca aderi ao pensamento dominante. Na ocasião, recém-saído da ditadura militar, a sociedade e o Governo brasileiro eram contra o "modelo exportador". Que havia se consolidado no regime militar, como base da doutrina da segurança nacional.

O Brasil não só perdeu a corrida, como se tornou caudatário das políticas de desenvolvimento chinês.

As propostas e discussões sobre o desenvolvimento do Brasil acabaram se limitando às políticas públicas, aos programas de governo, ou de Estado. De toda forma limitado ao Estado Brasileiro, não ao Brasil, como um todo. 

Uma desastrada tentativa de Dilma Rousseff de retomar o planejamento do desenvolvimento, através do Estado, resultou num fracasso retumbante, com o agravante de deixar um Estado Brasileiro falido, sem condições de pagar as suas contas e sem capacidade de investimento.

O Brasil tem - de novo - uma oportunidade histórica de protagonismo mundial e não pode perdê-la. 

Desta vez não vou ficar em proposições ou críticas discretas e conto com os amigos e amigas para colaborarem na discussão das propostas. 

Estamos diante de uma realidade concreta: o Brasil, se tornou "celeiro do mundo". 

É maior produtor de várias commodities agropecuárias, e principal exportador mundial de produtos "in natura" ou semi-processadas: sem deixar a condição de commodity, ou seja de produtos genéricos, de baixo valor específico. Isto é, valor sobre peso.

Esta realidade não é bem aceita pela sociedade brasileira e por analistas, por parecer um retrocesso. 

O Brasil que caminhou pela trilha da industrialização, conseguindo se tornar um país industrializado e não mais um país agrícola, estaria retrocedendo para voltar a ser um país agrícola.

Esse risco existe, ainda que a agricultura brasileira não seja mais elementar ou rudimentar. Incorpora alta tecnologia e, com isso, altas produtividades. Ao contrário da indústria brasileira que se defasou tecnologicamente, a agricultura brasileira já é 4.0.

Venho defendendo há alguns anos, com o testemunho dos artigos neste blog, a necessidade de maior atenção pela sociedade brasileira à agropecuária brasileira. E que no ano de 2017 essa passaria a ser melhor reconhecida pelo seu papel na retomada do crescimento econômico, superando a recessão.

Esse reconhecimento houve e há, mas minimizada. A sociedade urbana brasileira resiste em reconhecer que a retomada do crescimento é suportada pelo agronegócio.

E, nas sucessivas discussões sobre o tema, constatei uma "apropriação indébita" que estaria na base da resistência da sua aceitação.

A agropecuária brasileira, de grandes escala - que realmente está indo muito bem, como avanços sucessivos, apesar de variações sazonais, se apropriou do conceito ou "marca" de agronegócio. Que não está tão bem quanto à sua parte melhor. Tem grande parte ainda fraca ou ruim.

A agropecuária exportadora, com produções em grande escala, foi caracterizada como agronegócio, para se diferenciar da agricultura familiar, ainda em estágio menos desenvolvido. O que foi aceito por aquela, porque supostamente lhe conferia maior importância.

Isso porque o agronegócio como um todo, envolvendo toda a cadeia produtiva dos produtos agropecuários e também florestal, representa cerca de 22% da formação do PIB. Mas a agropecuária estrita, representa apenas 5%, podendo alcança até 7% dependendo das condições relativas dos demais setores.

A indústria de transformação representa cerca de 20% do PIB, com decréscimo sucessivo ao longo dos anos. Dentro desse, 25% é representado pela agroindústria. Isto é, a agroindustria representa cerca de 5% do PIB, muito próximo do valor adicionado gerado pela agropecuária.

O agronegócio não é agropecuária. Mas é também agroindústria e agrosserviço.

A agropecuária de exportação é altamente produtiva e tecnologizada. Tem elevada capacidade competitiva mundial. Nenhum país do mundo consegue alcançar os índices de produtividade na produção de grãos dentro das fazendas brasileiras.

A agroindústria não. Ainda carece de competitividade. Mantém a competitividade em vários produtos na fase de semi-industrialização, ou seja, beneficiamento primário, como no suco de laranja, açúcar e outros, mas não tem a mesma competitividade nas fases subsequentes do processamento alimentar. 

Os protagonistas do setor acusam os tributos como os responsáveis, pela perda de competitividade.

Sem os tributos o Brasil seria mundialmente competitivo. O que retira a sua competitividade seria o Estado, com a sua voracidade arrecadadora para sustentar uma ineficiente máquina burocrática e de prestação de serviços públicos.

Meus caros amigos e amigas que ainda está lendo este artigo. Estou mudando o meu posicionamento. 

Deixarei de ser pretérito para ser mais afirmativo deixando de lado o receio de estar errado. Muitas vezes estarei e quero que vocês apontem o erro. Não quero apenas concordâncias e elogios. Quero críticas. Quero contestações. 

Portanto, repetindo a frase anterior, no novo estilo: Sem os tributos o Brasil é mundialmente competitivo. O que retira a sua competitividade é um Estado Ineficiente, corrupto e perdulário. 

A agropecuária-florestal brasileira - de base eminentemente privada - é altamente competitiva mundialmente é a grande alavanca para o crescimento econômico brasileiro. Tornou-se o principal motor da economia brasileira. O Brasil já assegurou o papel de "celeiro do mundo".

Mas não pode se contentar com esse papel. Tem que usar essa base para tornar o seu agronegócio - como um todo - em mundialmente competitivo e tornar-se:

  • alimentador do mundo;
  • maior supridor mundial de combustíveis de fontes renováveis;
  • maior supridor mundial de fibras naturais. 


Essa é a proposta de projeto nacional, ou projeto Brasil, que apresento publicamente, neste início efetivo do ano de 2018 e da minha caminhada octogenária. 

Para reflexão e discussão. E conclamo os meus amigos e amigas. Meus leitores e leitoras. Adeptos e desafetos a difundir e discutir. 

Vamos discutir Brasil e não programas de governo de candidatos. 

O que apresento aqui é apenas a dimensão econômica, embora seja a base das demais dimensões, com os seguintes enunciados:


  • Brasil, consolidado democraticamente;
  • Brasil, um campo propício para a ascensão social;
  • Estado Brasileiro, fiscalmente responsável e eficiente;
  • Brasil, politicamente ético e despatrimonializado;
  • Brasil, lider mundial na sustentabilidade ambiental.











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