A não reeleição dos atuais deputados (2)

O papel de despachante do político, intermediando o acesso da população mais pobre aos deficientes serviços públicos, pode explicar os votos que consegue nos seus redutos eleitorais: que, teoricamente, corresponderiam a um "distrito eleitoral". Não oficial, mas real. Ou, mal comparando, a uma "paróquia eleitoral".

Mas para que um candidato seja eleito, com base nos votos do seu reduto, precisa ter um grande domínio, que lhe assegure a sua eleição, independentemente dos votos de outras localidades. No caso dos deputados federais, em Estados com grande número de eleitores, como o Rio de Janeiro e a Bahia - já pesquisados preliminarmente - significaria uma votação minima acima de 50 mil votos. 

No Rio de Janeiro, vários candidatos alcançaram essa condição, podendo-se dizer que foram eleitos "distritalmente". Já na Bahia, entre os 39 eleitos, em 2014, apenas um candidato, teve voto suficientes em um Município (na capital, Salvador) para se eleger. Todos os demais dependeram dos votos de diversas outras localidades, fora do seu reduto eleitoral. Ou o candidato teria vários redutos, nos quais obteria ou obteve a predominância dos votos dos eleitores da localidade. 

Essa condição pode ser conseguida por ex-governadores ou ex-secretários estaduais, que com atuação em benefício direto da população dessas localidades, tem os votos dos seus eleitores, baseados no sentimento de gratidão. Anteriormente, o principal elemento eram obras. Embora continuem sendo importantes, tem sido superadas pelas ações na saúde e segurança públicas. O cargo mais importante da organização dos Governos Estaduais, sob o aspecto político-eleitoral, passou a ser a pasta da saúde. 

São explicações plausíveis para explicar votos de um deputado federal eleito, mas não suficientes.

Outra explicação racional - fora as razões usuais de "compra de votos" - ainda no campo da "gratidão", seria da reeleição de deputados federais, com ampla atuação em todo Estado.

Estaria na sua atuação a favor de obras regionais, seja batalhado para a sua inclusão prioritária em planos ou programas federais, como através de emendas parlamentares de bancada. 

Ou através de proposições legislativas específicas em defesa de interesses setoriais e regionais. A defesa de interesses setoriais, sempre tem uma referência regional. Se o deputado federal baiano defende políticas para o algodão, estará focado nos eleitores do oeste. Se for na defesa do cacau, estará mirando os eleitores do sul da Bahia, para a região de Ilheus.
Se for a defesa do turismo, será com vistas ao litoral e os eleitores dos municípios litorâneos. 

As razões mais comuns para explicar o votos dos eleitores são a compra do voto. Embora proibida, sempre os políticos conseguem subterfúgios para uma distribuição direta de benefícios aos eleitores. Em alguns casos "são pegos", resultando em cassação de registros e até mesmo de diplomação, se eleitos. No caso da Bahia, com a dispersão de votos, o processo de "compra", pode ser por demais complexo, com custos maiores para a sua gestão, do que dos benefícios. O que tem ocorrido e deve continuar ocorrendo é a intermediação da concessão de benefícios públicos.

Como é uma atividade "oculta" é difícil a sua identificação plena. Usam-se muitos casos específicos, apurados, para a generalização.

A outra razão, essa no campo do desejável, é a identidade ideológica ou programática do eleitor com o candidato. Essa razão, parece ser muito fraca, pouco justificando a escolha da maioria dos eleitores. Resume-se a uma militância, de pouca expressão no conjunto dos eleitores.

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