quinta-feira, 17 de maio de 2018

Moradia da miserabilidade

Moradia não se resume a um teto para viver (ou sobreviver). E um local de repouso do trabalhador e para abrigar a sua família. O responsável pela moradia precisa trabalhar para auferir renda, porque não basta ter abrigo: precisa alimentar a si e a sua família. E quer ter na sua moradia um mínimo de equipamentos domésticos, desde o colchão à televisão, passando pelo fogão e o botijão de gás.
A condição básica da moradia do miserável é estar próximo às oportunidades de trabalho: trabalho informal, trabalho precário, mas fonte da renda mínima de sobrevivência. Ele não tem condições de pagar a condução para ir trabalhar e voltar para casa. 

A visão idealista propõe a geração de empregos, mas a situação econômica geral não é favorável e não depende apenas de ações governamentais.
Criação de empregos formais depende de decisões empresariais, patronais e esses estão muito cautelosos. A sua missão não é social, é econômica e estão avessos aos riscos.
Sem aumento significativo dos empregos, com manutenção alta da desocupação, os pobres e miseráveis tem poucas opções de moradia.  Os miseráveis nem isso. Não contam com o dinheiro para condução, tampouco tem quem pague por ela. Precisam morar mais próximo das oportunidades de trabalho. As oportunidades maiores estão na coleta e venda de resíduos: principalmente das latinhas e do papelão, os resíduos de maior valor. E esses estão nos polos comerciais e de entretenimento. Em torno desses se formam os cordões de pobreza ou de miserabilidade, com invasão de terrenos vagos ou de imóveis vazios.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Mudar os paradigmas na questão habitacional

O problema de moradia no Brasil não está sendo resolvido, mesmo com políticas públicas quase centenárias, por equívoco das premissas ou dos paradigmas.
A solução não está na casa própria. Não há possibilidade de universalizar o acesso a moradia adequada, pretendendo que todos tenham a sua casa própria. 
E a defesa desse objetivo como utopia, é tão somente um escapismo para não enfrentar a realidade que se mostra de forma trágica, com a implosão de um edifício invadido por "sem tetos".
Não basta anunciar que foi uma "tragédia anunciada". É preciso reconhecer os nossos erros. De toda sociedade.
O segundo grande equívoco é a caracterização de moradia adequada. Essa é definida - predominantemente - pelos arquitetos segundo os padrões da sua classe, ou seja, da class média. É uma visão mais física e estética do que social. Essa visão não quer reconhecer que favela é solução. Não problema.

Déficit habitacional é um parâmetro da indústria da construção. O déficit real que precisa ser vencido é o déficit de moradia.

(cont)

terça-feira, 15 de maio de 2018

Bolsonarismo, um fenômeno nacional?

Há uma divisão clássica da sociedade, entre maioria silenciosa e minorias barulhentas. 
A partir das manifestações de maio de 1968, em Paris, desenvolveu-se no mundo todo, minorias barulhentas, anti-conservadoras, defensoras do politicamente correto, do meio ambiente, do clima do mundo, das "nações indígenas", e de outras bandeiras auto-definidas como progressistas

Mas outra minoria resolveu se manifestar, contra os progressistas. São caracterizados como movimentos de direita, cada vez mais barulhentos.
Cada lado busca conquistar a maioria silenciosa.
No Brasil, essa direita barulhenta agora tem cara e nome: chama-se bolsonarismo, representada pelo seu líder absoluto e único: Jair Bolsonaro.
Vem avançando sobre a maioria silenciosa e tende mudar o confronto eleitoral de 2018. 
Não será uma disputa entre esquerda e direita, mas entre duas minorias barulhentas: o "progressismo" representado por Marina Silva e o "conservadorismo", com Jair Bolsonaro. E, um espaço vazio, da maioria silenciosa.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Bolsonalismo (1)

O bolsonarismo representa uma visão de mundo, que repugna os progressistas. A maior parte desses estão no "campo da esquerda", o que os leva a classificar o bolsonarismo dentro do campo da direita.
A característica principal da visão de mundo bolsonarista é o tradicionalismo, opondo-se às mudanças culturais promovidas pela revolução de 1968, iniciada em Paris. Gerou um novo paradigma: o "politicamente correto".
Aparentemente a revolução de 68, ao completar 50 anos, não alcançou os objetivos pretendidos.
Já no século XXI, passaram a emergir em partidos políticos, classificados pelos analistas como de direita radical. 
No Brasil essa corrente foi assumida pelo deputado federal Jair Bolsonaro, com importante apoio de segmentos da sociedade carioca e fluminense.
Adotando princípios da estratégia, elege um inimigo visível. Esse é corporificado pelo PT e por Lula. Dai o entendimento corrente de que ele é o anti-Lula e cresce eleitoralmente pela adesão dos que se antipatizam com o partido e seu principal líder. Mas que, sem a presença do inimigo, ele "se dissolveria" eleitoralmente. 
O que é um equívoco: em comunidades pobres,  Bolsonaro  substitui Lula na preferência de grande parte dos eleitores daquelas. 
Ao contrário do senso comum, formulado pelos analistas, Bolsonaro seria um importante herdeiro dos votos de Lula.


quinta-feira, 10 de maio de 2018

A inaceitação de Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa não desistiu. Apenas não aceitou entrar no jogo para o qual foi convidado: "não é o meu mister".
Frustrou milhares de pessoas, mas se preservou e preservou o Brasil de uma futura crise. 
Ele teria até condições de ser eleito, numa onda de renovação, como Lula, o menino pobre que se fez na vida, o Lula "negro", o Obama brasileiro, mas não teria condições de governar. 
O jogo político é para profissionais. E a condição essencial, mas não suficiente. Ele precisa ser bom na matéria. Não é para amadores. Não é para novatos bem intencionados ou vaidosos. 
O Brasil tem dois colégios eleitorais: o nacional e o conjunto dos estaduais. O nacional elege o Presidente, os estaduais o Congresso. 
Não há no Brasil, nenhum partido capaz de eleger, concomitantemente, o Presidente e a maioria do Congresso. 
Os colégios estaduais continuarão ainda elegendo os "fisiológicos", os "populistas", os "patrimonalistas" e a vertente corruptos.
Uma efetiva reforma política só ocorrerá com a total  mudança cultural dos colégios estaduais. Para os quais as cúpulas políticas e as elites nacionais não estão atentas. Talvez porque acham que depois "todos são compráveis". 
O que pode ser fato, mas só perpetua esse quadro perverso da política brasileira.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A visão do eleitor (1)

O eleitor levará em conta na formação da sua visão as propostas ou promessas dos candidatos.

Os candidatos ditos "populistas" são os que concentram as suas propostas de solução ou ação para resolver as necessidades ou interesses mais imediatos do eleitor. São as soluções para os problemas "até onde a vista física alcança presencialmente".

Os populistas dizem o que os seus eleitores querem ouvir. Desconsiderando a capacidade de efetivá-los. Prometem o que nem sempre podem cumprir.

Os ideológicos propõe ideais que são, algumas vezes, universais. São visões de mundo que, nem sempre dizem respeito à vida cotidiana, mas de sonhos e utopias. Por essa condição de perspectivas idealizadas, obtém o apoio de grupos de eleitores. Assim como a reação dos ideológicos com visões opostas. A principal disjunção atual é entre o capitalismo e a sua negação. Mas, recentemente, para alguns ou muitos, a principal ameaça é o clima. E suas propostas envolvem "salvar" ou mudar o mundo e a humanidade. Para a maioria dos eleitores vai muito além do que a vista alcança presencialmente. 

Pela educação, ou acompanhamento do noticiário podem expandir a sua visão. Mas podem também ser influenciados por dogmas religiosos ou assertivas quase religiosas, com as que dominam atualmente sobre o clima da terra. E se dividem entre os crentes e os descrentes. 

Os "nacionalistas" são os que propõe resolver os problemas nacionais. O principal foco é a atuação do Estado, seja no aspecto financeiro-fiscal, como da sua atuação nas suas diversas áreas. Na associação com os ideológicos, a principal distinção é na questão estatização / privatização. 

Cadeia Produtiva da Agricultura Familiar

A produção agropecuária, tanto a familiar como a empresarial/patronal, tem três destinações básicas: exportações, indústria e consumo "in natura" ou "semi-beneficiado".

O comprador industrial é o que beneficia ou transforma dos alimentos, segundo três categorias principais:
  • os beneficiados para exportação;
  • os beneficiados para integrar cadeias produtivas com fases nacionais, mesmo que os produtos subsequentes sejam exportados.
  • os transformados em produtos alimentícios industrializados, na maior parte para o consumo nacional.

A destinação ao mercado interno, "in natura", ou beneficiado, sem alteração da natureza do produto (lavagem, separação/ classificação, embalamento, podendo ser considerada a seguinte divisão:

  • mercado local ou regional, onde o produtor leva e vende diretamente o seu produto em um mercado aberto (feira ou mercado)
  • mercado atacadista, onde um intermediário compra o produto agrícola do produtor e o transporta para revenda em Centrais de Abastecimento, supermercados e outras lojas urbanas de comercialização de produtos agrícolas "in natura".
  • mercado final, em que o comprador é uma rede de supermercado ou lojas, que negociam diretamente com o produtor.

Vários produtos agrícolas e derivados da pecuária, estão deixando se serem vendidos a granel, sem beneficiamento, para serem praticamente industrializados, por grandes empresas, mediante seleção, lavagem ou similar, e embalamento, como vem ocorrendo com o arroz, feijão, leite e outros. 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A visão do eleitor

O eleitor levará em conta na formação da sua visão as propostas ou promessas dos candidatos.

Os candidatos ditos "populistas" são os que concentram as suas propostas de solução ou ação para resolver as necessidades ou interesses mais imediatos do eleitor. São as soluções para os problemas "até onde a vista física alcança presencialmente".

Os populistas dizem o que os seus eleitores querem ouvir. Desconsiderando a capacidade de efetivá-los. Prometem o que nem sempre podem cumprir.

Os ideológicos propõe ideais que são, algumas vezes, universais. São visões de mundo que, nem sempre dizem respeito à vida cotidiana, mas de sonhos e utopias. Por essa condição de perspectivas idealizadas, obtém o apoio de grupos de eleitores. Assim como a reação dos ideológicos com visões opostas. A principal disjunção atual é entre o capitalismo e a sua negação. Mas, recentemente, para alguns ou muitos, a principal ameaça é o clima. E suas propostas envolvem "salvar" ou mudar o mundo e a humanidade. Para a maioria dos eleitores vai muito além do que a vista alcança presencialmente. 

Pela educação, ou acompanhamento do noticiário podem expandir a sua visão. Mas podem também ser influenciados por dogmas religiosos ou assertivas quase religiosas, com as que dominam atualmente sobre o clima da terra. E se dividem entre os crentes e os descrentes. 

Os "nacionalistas" são os que propõe resolver os problemas nacionais. O principal foco é a atuação do Estado, seja no aspecto financeiro-fiscal, como da sua atuação nas suas diversas áreas. Na associação com os ideológicos, a principal distinção é na questão estatização / privatização. 

sábado, 28 de abril de 2018

Forças ocultas ou submersas

A defesa da Lula, teria conseguido uma vitória. Que seria de Pirro. Poderá conseguir tirar os inquéritos do sítio de Atibaia e do terreno do Instituto Lula, passando-os para a jurisdição de São Paulo. 

Se conseguir, Moro poderia ficar sem um processo contra Lula. 

A origem da Operação Lava Jato está na apuração de crimes de "lavagem de dinheiro". A Petrobras entrou no jogo, porque se detectou um imenso mecanismo de lavagem de dinheiro, a partir de um esquema de propinas nos contratos com a estatal. 

A lavagem de dinheiro, implica em crime antecedente. Esse seriam contratos superfaturados e propinas pagas aos políticos controladores do esquema e dirigentes da estatal. 

As forças submersas estão contra as estratégias da defesa de Lula. Não querem a retirada dos processos das mãos de Sérgio Moro. Porque ele para não ficar com "as mãos abanando" pegará delação de Palocci para investigar todas as suas denúncias. 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

O eleitorado não se divide entre direita e esquerda

Se o eleitorado não se divide entre esquerda, direita e centro, com que "armas" os candidatos de esquerda, direita ou centro, conquistam os "corações e mentes" dos eleitores.

A mais recente pesquisa do IBOPE, para identificar as preferências, momentâneas, dos eleitores paulistas, mostra que não existe qualquer consistência ideológica desse eleitorado. Supostamente o mais educado e consciente.

No cenário com Lula, ele teria 20% das preferências. Somadas as intenções a favor de Ciro Gomes, Manuela D'Avila e Guilherme Boulos, a esquerda teria a preferência de 25%. Desconsiderando 18% de votos nulos ou brancos e 4% dos que não sabem ou não responderam, a esquerda teria 32% da preferência dos votos válidos. Se considerada Marina Silva, como do campo da esquerda, esse somaria 34% sobre o total. O terço do eleitorado é considerado tradicionalmente como sendo de esquerda.

Quando Lula não é citado, substituido por Fernando Haddad, a soma da esquerda, contando com Marina Silva, cai para 20% e as intenções de votos válidas para 67%. Pode-se supor que sem Lula, a esquerda mantém o seu eleitorado, com parte declarando voto nulo ou branco, esperando melhor definição. 

É a interpretação favorável à esquerda. A outra é que a soma dos candidatos claramente à esquerda não chega a 10% e que tanto Lula, como Marina Silva, tem imagem e discurso que agrada a cerca de 1/4 do eleitorado. 

Sem Lula, o eleitorado que o prefere, se dispersa entre diversos candidatos, sem consistência ideológica. Marina Silva ganharia 2 pontos, tanto quando Jair Bolsonaro. 

As imagens e discursos de Lula e Marina Silva, para esse suposto eleitorado de esquerda não são os mesmos. Marina Silva não é herdeira dos votos a favor de Lula, tampouco Fernando Haddad. A principal herança vai para brancos e nulos. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O processo decisório do eleitor

A decisão final do voto do eleitor para deputado federal, envolve dois elementos principais:
a visão dos seus interesses ou desejos que espera em relação aos políticos e a lista de candidatos, cada qual com antecedentes e propostas para atendimento daqueles interesses ou desejos, atendendo aos interesses públicos.

A visão do eleitor do interesse público é limitada "até onde a vista alcança". Essa visão pode ficar restrita à expectativa de solução dos problemas de responsabilidade pública, da sua rua, do seu bairro, da sua cidade, ou irá além do que consegue conhecer "a olho nú", abrangendo as questões regionais, estaduais, nacionais ou até mundiais.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O discurso da renovação

Os eleitores, na maioria esperam dos deputados federais e senadores o apoio às suas reivindicações específicas e da sua comunidade, dentro do seu mundo "até onde a vista alcança".

Algumas legislações, no entanto, afetam diretamente a vida cotidiana, como a reforma da previdência, o valor do salário minimo, criminalização ou não do aborto, casamento homossexuais e outras questões dos costumes.

Essas últimas questões, tem dado suporte à eleição de evangélicos, contrapondo conservadores e liberais ou "modernizantes".

sexta-feira, 20 de abril de 2018

As dificuldades de Dória

Ao contrário do que alguns acham, João Agripino não foi eleito Prefeito de São Paulo, pelos votos anti-pt ou anti-esquerda. Foi eleito com os votos dos petistas descontentes com o Dr. Haddad que prefere os gabinetes e as salas de aula, do que ir conversar com os pobre nas periferias da cidade.
Eles tendem a não votar novamente em Dória Jr e tem a alternativa de Márcio França.
No interior Dória Jr terá que enfrentar a cautela dos Prefeitos, mesmo os do PSDB, com a caneta de Márcio França. 
O seu principal adversário no primeiro turno é Paulo Skaf e não Márcio França. Está disputando o primeiro lugar, mas pode ficar em terceiro, como ocorreu com Celso Russomanno em São Paulo, em 2016.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

O "fenômeno" PP

O notável crescimento do PP tornando-se a segunda maior bancada na Câmara Municipal, podendo superar o PT, como a maior bancada eleita a ser eleita em 2018, não é nenhum fenômeno sobrenatural.
É um processo gradual, pragmático e transparente que a miopia da opinião publicada e seus arautos recusaram a aceitar. Porque não atende aos seus parâmetros sobre como deveria funcionar a política. 
Enquanto os cientistas políticos tentam entender o fenômeno, Ciro Nogueira segue atuando pragmaticamente.

O PP é o maior partido dos "despachantes políticos", também caracterizado como "fisiológicos".  E também o maior partido do "Brasil ao norte" e pouco aceito (e por isso pouco percebido) pelo "Brasil ao sul" onde se concentra a opinião publicada.

Enquanto os partidos maiores estão preocupados com a Presidência de República, o PP de Ciro Nogueira foca a bancada na Câmara dos Deputados. Percebe que a força política real está na Câmara dos Deputados, porque todo Presidente da República, quem quer que seja depende daquela. E trabalha para o seu fortalecimento, contando além do mais que a distribuição dos recursos públicos para os partidos é feita segundo o volume das bancadas eleitas. E foi agraciado pelo financiamento público das campanhas, paralelamente à proibição das doações empresariais.

A pergunta que não quer se calar é: porque os grandes partidos deixam os espaços abertos para a conquista do poder legislativo pelos PPPs da vida? Não é um processo subterrâneo, clandestino. É transparente e altamente visível. Seria por miopia?

O fato é que o poder legislativo em 2019 será dominado pelo antigo "baixo clero", agora caracterizado como "centrão". E dentro desse haverá a disputa pelo poder entre os "ascendentes", com o retornante PFL, agora Democratas, sob liderança de Rodrigo Maia. 

Para o entendimento, em termos futebolísticos, PP ascendeu da série B, para a A. O DEM tinha sido rebaixado, para a série B, mas retorna à série A. Manteve a imagem de clube grande. 

terça-feira, 17 de abril de 2018

O poder do mito

Lula,diante das investidas para condená-lo pela suposta chefia da maior organização criminosa, montada no país, tinha duas opções pessoais:
  • aceitar a derrota, render-se e seguir recorrendo às instancias judiciárias, dentro do previsto em lei;
  • não aceitar a derrota, postar-se vítima de golpe ilegal e buscar apoio externo, considerando-se vítima de um Estado autoritário e persecutório, em todos os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. 
Ao se considerar vítima de golpe do Judiciário, contestando a sua imparcialidade e legitimidade, coloca-se contra a corporação. E será tratado com o máximo rigor da lei. 
Aceitando a condenação e a prisão como derrota, irá se preparar para a revanche, para um retorno triunfal. Não pode pensar em retorno imediato ou de curto prazo. A sua batalha não é 2018. Será 2022 ou 2026. 
Mantido preso, deixará de ser uma pessoa material para se tornar uma ídéia (como ele se auto-denomina) ou um mito. A idéia é o lulismo.
Como mito passa a ser uma divindade a ser cultuada. 

O seu foco deveria ser a sobrevivência do lulismo e não dele pessoal. 
Tem efetivamente que se transformar em idéia e em mito. O seu instrumento será "as cartas do cárcere".
Não para manter a versão de vítima de um golpe judicial. Mas para disseminar a "idéia". 

sábado, 14 de abril de 2018

O que fazer com o óleo de soja?

O Brasil pode exportar mais farelo de soja, em vez do grão. Como produto semi-manufaturado, supostamente teria maior valor agregado. O que nem sempre é verdade.
Isso porque o farelo é subproduto, é resíduo da produção do óleo de soja, esse sim, com maior valor agregado. 
Para produzir mais farelo será necessário produzir mais óleo. Nesse caso, o que fazer com o óleo de soja? 

Uma  alternativa está na transformação do óleo de soja adicional em biodiesel. 
Há ainda um grande potencial de mercado para substituir o diesel mineral pelo diesel vegetal, tanto no mercado nacional como no internacional. Há muitas objeções e resistências


O importante é definir o rumo  como estratégia do país, com a definição de políticas públicas correspondentes.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Uma guerra não reconhecida

A intervenção militar no Rio de Janeiro não tem estratégias pacíficas, embora o objetivo final seja a de pacificar o Estado do Rio de Janeiro.

Tiroteios não são anormais dentro do ambiente de guerra. 
O anormal foi a entrega pelo Estado, da gestão das comunidades, as favelas cariocas.
O que assiste agora é a consequência normal de uma guerra. Haverá ainda muitos mortos e feridos.

A entrega das comunidades não foi um ato legal, precedido de licitação pública, como manda a constituição federal. Foi a entrega por omissão.

E essa abertura de espaço  está sendo disputada por diversas facções criminosas, a tiro. A maior parte dos tiroteios é dessa disputa ou guerra entre facções. No qual a população civil fica no meio, com o risco de ser atingida por alguma bala perdida. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Carlismo e wagnerismo

Análise, ainda que superficial, sobre o fenômeno do "carlismo" na Bahia, indica que o mesmo vai muito além da sua principal figura: Antonio Carlos Magalhães. Pelas suas ligações com o regime militar, ficou marcado com um processo político de direita e combatido pela esquerda.
O "carlismo" como o "sarneyzismo" nada mais são do que o intenso uso das máquinas públicas para influenciar as eleições, através da cooptação - com verbas e políticas públicas - as lideranças locais. No caso da Bahia, ainda amplamente dominadas pelo coronelismo e oligarquias locais. 
O "carlismo" foi substituído pelo "wagnerismo", o que levou à eleição de Rui Costa, ao Governo da Bahia, de Otto Alencar ao Senado, este derrotando Geddel Vieira Lima, e uma forte contribuição para a consolidação do "centrão" na Câmara Federal. A associação do PP e do PSD com os Governos, qualquer que seja, reforça esse processo - qualquer que seja a denominação - de uso não republicano das máquinas públicas. 
O que irá dificultar em muito a renovação na Câmara dos Deputados. 


quarta-feira, 11 de abril de 2018

PT sem Lula

Com a prisão de Lula irá se aprofundar a divisão entre o PT de Lula e o PT Refundado ou o PTSL, isto é PT sem Lula.
O PT de Lula é ainda um partido forte, com grande apoio popular, com um caráter fortemente religioso. Aproxima-se de uma grande seita, com uma liderança carismática, com uma mensagem de ascensão social e econômica. 
O PTSL é mais ideológico, efetivamente de esquerda, contrapondo-se ao capitalismo, à globalização, ao patronato e às elites.
Poderá ter mais força política, mas menos força eleitoral.
Precisa garantir grande presença no Congresso Nacional.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Santo guerrreiro (do povo brasileiro) x o dragão da maldade!


Lula chama os seus adeptos para uma disputa religiosa: coloca os que o veneram contra o lider inimigo venerado por esse. Nós contra eles: Lula x Moro. 

Quanto mais o "inimigo" venera o Moro, mais Lula reforça a adesão dos seus. Mas sempre os mesmos. Forma uma seita que o acompanha.

Lula não tem nenhum apóstolo que o substitua. A figura que mais se encaixa, na perspectiva do embate contra a elite, não está no PT. Está em outro partido. É Guilherme Boulos. Mas Boulos não é Lula.

A dúvida maior sobre a permanência da adesão a Lula está no eleitorado do Norte-Nordeste, onde está um grande volume de eleitores que venera o Lula e mais propenso a aceitar a versão de vítima do seu inimigo. Do Santo Guerreiro, contra o Dragão da Maldade. 

O Dragão Moro conseguiu uma vitória prendendo o Santo Guerreiro, do povo brasileiro. 

Mas a esperança é que surgirá um novo guerreiro que com o apoio dos eleitores que veneram Lula, para salvá-lo. Vencendo as eleições, com os votos deles. E destruindo, a seguir, o dragão. E liberando a princesa. Ops!: o perseguido Lula.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula preso. E agora (1)

A estratégia de Lula e do PT de resistência democrática, gerando fatos e fotos, para difusão mundial da versão de vitimização de uma Justiça parcial, resultou num grande fracasso, diante da estratégia melhor engendrada da Policia Federal.

O resultado final, para efeito da mídia nacional e internacional foi de rendição. 

Prolongou sucessivamente o desfecho, mas ao final se entregou sem obter nada do que queria. 

E com a resistência, piorou as suas perspectivas no Judiciário. Antes o cenário, mais provável, era de prisão por pouco tempo. Agora a prisão deverá ser mais duradoura. 

Só conseguiu reforçar a formação da sua seita. 
Com o apoio intenso, mas de poucos.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Uma lição de democracia

No regime democrático a minoria deve respeitar e se subordinar às decisões da maioria.
Nos órgãos coletivos em que se estruturam os poderes, a colegialidade deve ser sempre respeitada.
A Ministra Rosa Weber trouxe a público essa palavra que deve ser amplamente disseminada dentro da sociedade. 
Infelizmente ela se deixou levar pelo caminho da sustentação teórica com sucessivas citações desnecessárias, para defender  - de forma absolutamente - coerente o respeito às decisões colegiadas. Mesmo sendo voto vencido nessas decisões e mantendo as suas convicções pessoais.

Poderia ser uma peça mais facilmente inteligível, para ser adotado em todas as escolas e ser citada em todas as decisões colegiadas, em todos os níveis e setores. 

O que ela disse é que como membro de um colegiado, as suas decisões institucionais, sejam monocráticas ou em turmas, seguem sempre a decisão do colegiado maior, ainda que contrária ao seu entendimento pessoal.

E cobrou dos seus pares o mesmo respeito.

Entende e aceita que o colegiado pode mudar a decisão, mas no processo devido. E a Presidente Carmen Lúcia não colocou a questão geral em pauta.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Dória: renovador ou exterminador do PSDB?

A pré-candidatura de Dória ao Governo do Estado não significa dar continuidade à doutrina "tucana" no Governo de São Paulo, onde o partido se mantém desde a primeira eleição de Mário Covas em 1994, a evitar a emergência de uma doutrina "socialista brasileira". 

Os apoiadores de Dória não são os guardiões do pensamento e da gestão tucana. A "velha guarda" tem sido alijada do partido e substituida pelos renovadores "doristas" ou "dorianos". 

Quem são esses dorianos e onde estão? Tem espaços dentro do Governo e querem mantê-los? Seus objetivos são patrimonialistas? Mantendo as mesmas visões e interesses da velha política?

Ou seriam os mentores da "repaginação" ou "reinvenção" tão apregoada pelos próprios tucanos do seu partido?

Quais são as mudanças doutrinárias, programáticas ou estratégicas pretendidas por Dória e sua turma, para renovado o partido, se manter no poder estadual, por muitos mais anos?

terça-feira, 3 de abril de 2018

Integração sim, abertura não

Para os macroeconomistas, fechamento ou abertura da economia, são avaliações sobre a participação das transações econômicas com o exterior em relação ao PIB. Compreendem as exportações e as importações. 

Ao defender a abertura,  os leigos e as autoridades despreparadas, liberam importações, sem negociar contrapartidas de abertura para os produtos brasileiros. 

"Abertura da economia" é - sem dúvida - o mais importante. Não como política governamental. Sim, como profunda mudança cultural dos agentes econômicos e da sociedade brasileira.

Prefiro a proposição de "maior integração do sistema produtivo brasileiro nas cadeias mundiais de valor". 

Simplificadamente seria "Integração do Brasil no mundo".

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Jucá amplia o domínio

Romero Jucá segue forte dentro do "núcleo duro" da organização de Temer e ampliou os seus domínios. 
Manteve o Ministério do Planejamento e expandiu para o BNDES.
No primeiro, reforça a parceria com os servidores públicos federais, para manter os seus vencimentos de penduricalhos. O seu principal eleitorado, em Roraima, é dos funcionários públicos. Embora eleito apenas pelos votos do Estado, generaliza para "não dar bandeira".
Com isso será difícil cumprir a regra de ouro e o seu não cumprimento caracteriza crime de responsabilidades, dando margem ao impeachment do Presidente.
Coloca o seu principal excecutivo, no BNDES para efetivar a devolução dos adiantamentos do Tesouro. Terá a resistência da casa.
A turma insistirá na pedaladas e, em último caso, apelará para o aumento de tributos.
Esse é o significado real da "troca de cadeiras".

sexta-feira, 30 de março de 2018

Agricultura familiar x patronal (3)

A agropecuária voltada às exportações é de grande porte, com alta tecnologia e pouca geração de empregos. Mas são empregos bem remunerados e com grande capacidade de consumo.

O desenvolvimento regional requer a retenção dessa renda na própria região. E para isso deve prover uma oferta suficiente e adequada.

A pequena produção agrícola precisa se voltar para atender a essa demanda, promovendo a multiplicação da renda.

A inserção da agricultura familiar nessas cadeias produtivas alimentares lhe propiciará condições de expansão, levando-a a superar os limites regulatórios como agricultura familiar. 

Essas não devem ser limitações para o crescimento. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Agricultura familiar - Um grande equívoco politico

A política pública voltada para a agricultura familiar é populista e tende a perpetuar a pobreza no meio rural.

O crescimento do microempreendimento rural é uma das condições essenciais para geração de emprego e renda, na área rural. 

A sua contenção, por razões ideológicas (ou político-eleitoral) vai contra a melhoria de vida da população rural. E os torna permanentemente dependente dos programas sociais governamentais.

A agricultura familiar precisa ser tratada como questão econômica e não apenas social.

O objetivo da política pública não deve ser o de manter o agricultor familiar na pobreza, mas elevá-lo à classe média.

A principal estratégia seria a maior integração da produção do pequeno empreendimento rural nas cadeias de valor dos alimentos.

Uma importante tendência que afeta a agricultura familiar é o beneficiamento industrial com a comercialização fracionada, como já ocorreu com o arroz e feijão, dois dos principais produtos da agricultura familiar.

Agora essa tendência está alcançando a mandioca, com efeitos positivos e negativos para a agricultura familiar.

De um lado há a expansão de demanda, de outro a maior parte da apropriação de valor está fora da agricultura familiar.

É uma perda de oportunidade da agricultura familiar deixar que empresas assumam a industrialização da farinha de tapioca, aproveitando a nova moda urbana. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Agricultura familiar x patronal (2)

Estará a agricultura familiar pobre  fadada à extinção, com as pessoas sobrevivendo dos programas sociais e da migração para as cidades?
A produção da agricultura familiar destinada às indústrias representou em 2006, 51% dos produtos selecionados. Somando aos destinados à exportação, somaram cerca de 3/4 da produção. Restaram apenas 1/4 da produção da agricultura familiar para a venda "in natura" ou beneficiado para o mercado interno.
O que desmente a visão geral de que a agricultura familiar está inteiramente voltada ao mercado interno, contrapondo-se à agricultura patronal, que estaria voltada para as exportações e para a industria. 

terça-feira, 27 de março de 2018

Lácteos - sorvetes

O sorvete é uma das melhores formas de agregação de valor ao leite de vaca.
A estrutura do mercado de produção segue modelo semelhante de outros segmentos de alimentos, com três grandes niveis:
  • grande produtores mundiais;
  • produtores médios;
  • pequenos e micro produtores.
O mercado mundial, incluindo o brasileiro é dominado por dois grandes grupos multinacionais: a Nestlé e a Unilever.
O primeira é tradicional no setor de lácteos, estando presente em toda cadeia produtiva de lácteos, começando pela captação ou recepção do leite in natura, produzido pelas fazendas. Atua no mercado brasileiro com a sua marca Nestlé.
A Unilever ingressou no setor mediante aquisições, sendo a mais importante a Heartbrands, rede mundial de sorvetes, com marca específica em cada país. No Brasil atua com a marca Kibon. Seria fabricante de 8 das 15 marcas mais populares no mundo, como o Magnum, Corneto e outras.
A General Mills, aparece em terceiro lugar, com a sua marca Häagen-Dazs.
O segundo é - em geral - de pequenas empresas que com a sua marca ou sabor, bem aceita pelo mercado, prosperaram, estabelecendo redes de atendimento mediante franquias.
Tanto nos EUA, o principal mercado, como em outros, inclusive o Brasil, quando a empresa media se torna grande ou próxima à essa condição é comprada por um dos mega grupos.
Como a Ben & Jerrys, comprada pela Unilever, em 2000, a Dreyer's comprada pela Nestlé, em 2002.

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