terça-feira, 19 de setembro de 2017

O perfil dos novatos (2)

Os novatos estão fascinados com o suposto poder da rede social e se concentrarão no meio virtual. 
Poucos se dedicarão aos tradicionais métodos presenciais. Como visitar pessoalmente os seus potenciais eleitores, tomar um cafezinho excessivamente doce, com eles, comer pastel, ouvir as reivindicações, beijar as criancinhas, etc. 

Mas os veteranos conquistam votos de eleitores, com essas práticas. E como os novatos vão fazer com que esses deixem de votar nos veteranos presenciais para votar neles, que só existem virtualmente para os eleitores?

Um dado preocupante do amplo uso da rede social nas campanhas políticas está nas notícias falsas, nos "fakes" e nas pós verdades.

Os novatos e os renovadores estão contando muito em usar o poder das redes sociais, mas podem ser vítimas de poderosos contra-ataques, experimentando o próprio veneno. A partir de centros instalados no exterior. 

A reportagem publicada no Estadão de domingo, sob o título "Na web, 12 milhões difundem fake news políticas", (17/09/2017, pg A 12) é extremamente preocupante.

(cont)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O perfil dos novatos

Para efeito de renovação do Congresso não basta que os eleitores não renovem o seu voto a favor dos veteranos, mas que votem em novatos.

Que novatos se disporão a se candidatar? Com que perfil, em que partido e com quais propostas ou discursos? Ou ainda, com que promessas?

Dentro das circunstâncias atuais e que deverão prevalecer ou até se ampliar no segundo semestre de 2018 um discurso comum será contra a corrupção. 

Os candidatos novatos à Câmara Federal apresentar-se-ão ainda como trabalhadores, prometendo abrir mão das verbas adicionais a que teriam direito, caso eleitos, assim como trabalhar com uma assessoria enxuta, reduzindo ao minimo a sua estrutura de gabinete.

Comprometer-se-ão, ainda na fase da campanha à total transparência no financiamento da campanha, rigorosamente dentro da lei. E sem qualquer apelo ao "caixa dois".

domingo, 17 de setembro de 2017

A importância relativa da rede social nas eleições de 2018

A opinião publicada tradicional embala grande esperança na influência da rede social, através da internet, nas eleições de 2018, acreditando que a mesma contribuirá decisivamente para a renovação do Congresso e para a eleição presidencial.

Os números são promissores. O número de eleitores aptos a votar em 2018 deverá estar por volta de 150 milhões. Excluidas as abstenções, cerca de 130 milhões deverão ir às urnas. Os votos válidos deverão ser da ordem de 115 milhões. O número de aparelhos celulares no Brasil já é da ordem de 230 milhões, praticamente um aparelho por habitante. A quase totalidade dos eleitores terá um aparelho celular.

É um dado altamente significante, mas apenas necessário. Não suficiente. 

A condição fundamental é o eleitor se interessar em se informar ou se orientar pela rede. 

Tendo interesse ele terá acesso a um banco de dados, dentro do qual ele irá buscar a informação desejada. As plataformas atuais tem informações demais para cada eleitor.

Não basta que ele tenha um aparelho celular, ou mesmo os aplicativos. É preciso que a mensagem chegue a ele e tenha o poder de afetar a sua decisão. 

As mensagens nunca serão isentas. Elas sempre carregarão um proposito, a favor ou contra. E haverá  muita mensagem falsa.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Manutenção x renovação

Qualquer movimentação pela renovação do Congresso não pode ficar limitado à apresentação de novatos, para uma suposta ocupação de espaço vazio. O espaço está parcialmente tomado e é preciso retirar, afastar os veteranos, alguns instalados hà muitos anos, com sucessivas reeleições para a Câmara dos Deputados. 

Aqueles que tem alta concentração de votos no seu "distrito" os tem, pela defesa dos interesses locais e, complementarmente, os estaduais. Isso porque seria a visão predominante do eleitor. Ele não teria a visão de que o deputado federal, tem como atribuição principal a discussão, a legislação sobre questões nacionais e não locais.

Em que medida novatos que se disponham a concorrer à deputação federal, com posicionamentos nacionais terão condições de concorrer com os candidatos com promessas de atendimentos específicos do eleitorado local?

O melhor atendimento pelos serviços de saúde é uma reivindicação generalizada e prioritária da população, isto é, do eleitorado. O que pesará mais para o eleitor: promessa de instalação de um novo posto de saúde, ou mudanças e aperfeiçoamentos na regulação do SUS, em âmbito nacional?

As propostas de reformas estruturais, ainda que parciais, levaram o Congresso a ter que se definir em relação à reforma fiscal (EC do teto de gastos), reforma trabalhista, incluindo a terceirização, reforma previdenciária, etc.  

Até que ponto, as posições dos deputados federais atuais afetarão a decisão dos seus eleitores? E quais serão as posições e propostas dos novatos?

Quais serão os pontos principais da agenda dos novatos, para sensibilizar os eleitores?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Gestor público x privado

Com oito meses de gestão, o competente gestor privado foi submetido a provas como gestor público, na direção da Prefeitura Municipal de São Paulo  e foi reprovado. Está em recuperação, tentando o que não conseguiu efetivar em 250 dias. 
E como sempre busca os culpados. Ainda pode responsabilizar a gestão passada, mas já teve tempo suficiente para fazer as coisas direito. Não o fez por inexperiência e falta de competência na gestão pública.
O problema mais visível está na terceirização pública, na contratação de serviços municipais de empresas privadas para a sua  execução, como manutenção de semáforos, jardinagem e outros já apontados pela mídia, como paralizados.

O processo de compras públicas  é naturalmente lento, mas fica mais ainda pelas exigências burocráticas e pelo jogo de interesses.

Esse é o problema maior que o gestor privado inexperiente enfrenta nas compras públicas de médio porte.

Os novos gestores, imbuidos dos critérios de eficiência, tendem a inaceitar essas condições e a brigar com a burocracia. Sem a devida compreensão do processo. Não percebem que atrás de qualquer exigência estão interesses. E na "briga contra a burocracia", no mais das vezes, perdem.

É o que está ocorrendo com o Prefeito de São Paulo, o está desgastando. E enquanto isso a população paulistana paga pela sua incompetência, ou inexperiência.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A não reeleição dos atuais deputados (3)

A utopia de uma total renovação do Congresso Nacional não ocorrerá pela suposta força própria dela. 

Uma eventual anticampanha "não reeleja ninguém que já está lá: é tudo ladrão", não terá efeito junto ao eleitorado "cativo" de determinados candidatos. Em função das relações psicológicas estabelecidas. Uma amiga já me levantou a hipótese da chamada "síndrome de Estocolmo" que caracteriza a relação afetiva da vítima com o seu sequestrador. 

Na prática, em 2018 não estarão em disputa 513 vagas de deputados federais, tampouco 54 de senadores. Pelo menos 1/3 já estariam garantidos pelo seu eleitorado cativo (ou sequestrado).

Os novatos terão que disputar os cargos com os veteranos sem retorno supostamente assegurados. 

Com que mensagens, com que meios os novatos conseguirão conquistar "corações e mentes" dos eleitores não cativos? 

Rede social será suficiente?

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A não reeleição dos atuais deputados (2)

O papel de despachante do político, intermediando o acesso da população mais pobre aos deficientes serviços públicos, pode explicar os votos que consegue nos seus redutos eleitorais: que, teoricamente, corresponderiam a um "distrito eleitoral". Não oficial, mas real. Ou, mal comparando, a uma "paróquia eleitoral".

Mas para que um candidato seja eleito, com base nos votos do seu reduto, precisa ter um grande domínio, que lhe assegure a sua eleição, independentemente dos votos de outras localidades. No caso dos deputados federais, em Estados com grande número de eleitores, como o Rio de Janeiro e a Bahia - já pesquisados preliminarmente - significaria uma votação minima acima de 50 mil votos. 

As razões mais comuns para explicar o votos dos eleitores são a compra do voto. Embora proibida, sempre os políticos conseguem subterfúgios para uma distribuição direta de benefícios aos eleitores. Em alguns casos "são pegos", resultando em cassação de registros e até mesmo de diplomação, se eleitos. No caso da Bahia, com a dispersão de votos, o processo de "compra", pode ser por demais complexo, com custos maiores para a sua gestão, do que dos benefícios. O que tem ocorrido e deve continuar ocorrendo é a intermediação da concessão de benefícios públicos.

Como é uma atividade "oculta" é difícil a sua identificação plena. Usam-se muitos casos específicos, apurados, para a generalização.

A outra razão, essa no campo do desejável, é a identidade ideológica ou programática do eleitor com o candidato. Essa razão, parece ser muito fraca, pouco justificando a escolha da maioria dos eleitores. Resume-se a uma militância, de pouca expressão no conjunto dos eleitores.

sábado, 9 de setembro de 2017

A não reeleição dos atuais deputados

A degradação moral da atual Câmara dos Deputados tem provocado iniciativas para evitar a reeleição dos atuais.

As campanhas tem focado prioritariamente os próprios deputados atuais, o que é o alvo errado. O foco tem que ser o eleitor que vota e elege os deputados indesejáveis: para os outros. Não para os próprios eleitores.

Para isso será necessário atuar diretamente sobre o eleitorado, segundo segmentos diferenciados, particularmente grandes nucleos eleitorais locais.

Por que os eleitores votam nesses candidatos? Qual é a atração que oferecem? Que benefícios propõe?

O que o candidato oferece depende do seu perfil ou da categoria de perfil com que se apresenta perante o seu eleitorado.

Aparentemente a Câmara dos Deputados é dominada quantitativamente pelos deputados com perfil de "despachantes".

São os que atuam na intermediação do atendimento dos seus eleitores e demais de uma determinada comunidade para acesso aos serviços públicos. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Duas visões diferentes sobre a evolução do PIB

Uma análise de maior prazo, sobre a evolução do PIB mostra as alterações estruturais na economia brasileira. 

Tomando a composição do PIB em 1995,  no primeiro trimestre de 2014, último período que em o PIB apresentou um crescimento, o setor agropecuário mostrou um crescimento 35,4% a mais que o do PIB, enquanto a indústria de transformação, caiu 24,4%. O comércio estava com uma variação 3% a menos que o crescimento do PIB, mas o conjunto de serviços teve aumento de 1,9% acima do PIB.

Do lado da demanda, o crescimento do consumo das famílias foi 4,6% menor que o PIB, enquanto as exportações, apresentaram um aumento de 54,2% acima da evolução do PIB. 

Instalada a recessão, desde 2014, seguindo pelos anos de 2015 e 2016, o setor industrial de transformação decresceu 32,8% abaixo da evolução do PIB, enquanto a agropecuária, cresceu 34,8%. Do outro lado, o consumo das famílias, teve um crescimento de apenas 4,6% acima da evolução do PIB, enquanto as exportações, aumentaram 85,7%.

Significa que do lado da oferta, que equivale ao conjunto da produção nacional, a agropecuária vem ganhando espaço, enquanto a indústria perde. O novo motor da economia brasileira está sendo - cada vez mais - a agropecuária e não a indústria de transformação. 

E, do lado, da demanda o crescimento é puxado mais pela demanda externa do que pelo consumo interno.

Apesar dos números oficiais do PIB mostrarem essa transformação estrutural da economia brasileira, a sociedade brasileira persiste na tentativa de recuperação da economia, mediante a reindustrialização. 

As forças industrializantes ainda dominam corações e mentes dos economistas, dos jornalistas, dos empresários e muito outros, que se regozijam com ridículos aumentos do PIB, enquanto outros países e o mundo - como um todo - caminha a passos mais largos.

Não seria o momento de refletir e discutir se estamos no rumo certo? Ou se devemos buscar outro rumo, mas dinâmico? 

Uma vertente para o futuro do Brasil será o crescimento econômico pela agropecuária, voltada para o mercado externo, suportada por uma eficiente infraestrutura logística.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os eleitores evangélicos e a bancada evangélica (2)

Os discursos religiosos são os mesmos, mas ao contrário da Igreja Católica, os evangélicos se agregam em múltiplas igrejas. Os adeptos não são fieis a uma igreja específica. Podem migrar facilmente de uma a outra, em função do interesse pelo pastor ou pelos serviços e apoio oferecidos.

Há várias outras conotações, mas o mais importante, para esta análise é que os evangélicos estão mais ligados à importância de ter representantes políticos no Governo, assim entendido legislativo e executivo.

Constituindo uma parcela  significativa do eleitorado, atrai o interesse dos candidatos, seja de forma oportunista, como permanente. 

As pesquisas da Fundação Perseu Abramo (a entidades de estudos do PT) mostram duas facetas importantes da visão dos evangélicos em relação ao Estado. Eles querem um Estado amplo que os atendam plenamente com quantidade e qualidade nos serviços de saúde e educação. 

O que mais querem do Estado não é "esmola", mas oportunidade para crescer e poder viver melhor às custas do seu esforço pessoal. 

Para eles, principalmente os mais jovens, a aspiração é ter um negócio próprio, um trabalho por conta própria, ser um empresário (a) bem sucedido (a): ainda que de pequeno porte.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

As condições básicas para o desenvolvimento

Três são as condições essenciais para um país se desenvolver, dentro das mudanças ocorridas e em curso no mundo:

  1. ter capacidade física e financeira para investir no crescimento da produção;
  2. ter mercado mundial para essa produção;
  3. ter competitividade nessa produção, pela escala, inovação tecnológica e pessoas qualificadas.

Todas essas condições são preenchidas pela agropecuária brasileira.

Então por que o Brasil não a adota como o motor do seu desenvolvimento, preferindo persistir numa indústria que, cuja capacidade física é limitada, está descapitalizada, não tem escala e depende de inovações tecnológicas externas?

Tem mercado mundial para os seus produtos, mas carece de competitividade. 

Há duas razões principais que se conjugam: uma cultura de dependência do Estado e a resistência corporativa de não perder os benefícios conquistados anteriormente.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O futuro do Brasil é uma volta ao passado?

O futuro do Brasil está no desenvolvimento do agronegócio, mais especificamente da sua agricultura e pecuária. 
Essa perspectiva arrepia muita gente que vê nisso um retrocesso. Uma volta do Brasil antes dos anos cinquenta, quando o motor da economia era a agricultura do café e da cana de açúcar. 
Primeiramente ver o processo como retrocesso é uma visão retrógrada e extemporânea: é de ver a economia moderna, com todas as transformações havidas, pelas lentes dos anos cinquenta. 
A agricultura brasileira é hoje 4.0, com a incorporação sucessiva de inovações tecnológicas. O grão de soja brasileiro tem conteudo tecnológico relativo maior que a quase totalidade dos produtos industriais produzidos no país. A indústria brasileira, em grande parte, ainda está no estágio 2.0, não tendo competitividade mundial, diferentemente da soja, que é a altamente competitiva, pela conjugação de fatores favoráveis e pela intensa incorporação de tecnologia.

A indústria brasileira peca pela falta de eficiência. Tornou-se um motor velho e sem potência. Perdeu condição de puxar ou empurrar o crescimento da economia como um todo. Descapitalizou-se e não tem recursos próprios para se recuperar. Parte da sua renda é apropriada pelo Estado, na forma de tributos.

Já a agricultura está capitalizada, transfere muito pouco da sua renda para o Estado e, dessa forma, é o  motor de dinamização da economia.

Pode não ser a melhor opção, mas é a disponível, no momento. 

O perfil dos novatos (2)

Os novatos estão fascinados com o suposto poder da rede social e se concentrarão no meio virtual.  Poucos se dedicarão aos tradicionais mét...