terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria foi o motor do desenvolvimento econômico brasileiro, protegido por barreiras determinadas pelo Estado Brasileiro.
Perdendo substância, a partir dos anos noventa, com a abertura da economia para importações, é - atualmente - uma indústria - em geral - desatualizada tecnologicamente,  com baixa produtividade e não competitiva mundialmente.
Diante de um mundo globalizado, com restrições crescentes ao protecionismo, qualquer indústria para se manter no mercado precisará ser mundialmente competitiva.

Não podendo contar com esses dois instrumentos, a única barreira que persiste é a ineficiência logística. Enquanto essa persistir alguns mercados regionais poderão resistir à concorrência estrangeira. Fora disso estarão condenadas ao declínio e até ao desaparecimento, deixando de ser um fator de desenvolvimento, e se tornando um problema social.

As industrias de multinacionais voltadas apenas para o mercado interno decorrem das estratégias de assegurar a participação no mercado brasileiro com a montagem final de seus produtos criados no exterior. Alguns podem ter adaptações para o mercado nacional, mas a sua opção é importar o produto inteiramente produzido no exterior ou montar no Brasil, para ser mais competitivo em relação aos seus concorrentes externos. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (3)

O Brasil não é apenas um exportador de matérias primas agrícolas. Parte já é processada, num primeiro estágio. Outros em estágios mais avançados, ainda que alguns não os aceitam como produtos industrializados ou processados.
A imagem predominante é que o Brasil produz e exporta soja em grãos. 

Na realidade o milho brasileiro é exportado na forma de proteina animal. O que é uma fase mais avançada e com maior agregação de valor do que a eventual venda externa de rações. 

Nesta cadeia produtiva a matéria prima brasileira - o grão de milho - é exportada incorporada aos produtos da etapa final do processo, como as partes de frangos cortadas.

O Brasil é um importante produtor e processador de alimentos, mas os "pessimistas" ou "envergonhados do Brasil" preferem só ver o caso do café. Países europeus que não são produtores agrícolas do café, desenvolveram tecnologias para transformar o grão em produtos de consumo, mais saborosos e amigáveis. E ganham nos royalties ou mesmo da importação pelo Brasil de bens derivados do seu café.

O caso do café não é a regra, mas a exceção. 

O agronegócio brasileiro agrega valor às suas matérias primas, mas tem se mostrado incompetente para superar a imagem de que é um exportador de produtos agrícolas de baixo valor agregado. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (2)

Num primeiro nível, a estratégia brasileira, para aproveitar o momento favorável, deverá estar voltada para:

  • diversificação de mercados compradores, reduzindo o grau de dependência das importações chinesas;
  • agregar maior valor às matérias-primas.

A agricultura brasileira de grãos vem crescendo e conquistando mercados internacionais, com altíssima produtividade, incorporação sucessiva de tecnologia e inovação, integrando já a revolução 4.0, e apesar do custo Brasil.

A soja brasileira é altamente competitiva nas fazendas, perde parte dela, com as deficiências logísticas, mas é ainda competitiva no porto. Desmente inteiramente as visões de que a produção brasileira tem baixa produtividade e não investe em inovação. A soja brasileira é, provavelmente, o produto nacional com a maior agregação tecnológica. 

O processamento das matérias primas envolve duas categorias:

  • a dos processamentos que mantém a característica de commodities;
  • a da industrialização com diferenciais que podem ser caracterizados por marcas.

Faltam empresas brasileiras do setor de alimentos, com vocação internacional. 

Sem essa vocação não haverá empenho das empresas ou dos empresários em tentar a conquista de mercados externos.

O Brasil precisa de "campeões internacionais", mas esses terão que ganhar o pódio pelo seu esforço e competência empresarial. Não poderão depender de benefícios estatais.

Para isso o Brasil, seus empresários e a sociedade organizada, precisam se livrar da cultura estatista (ou estatizante) de que o objetivo acima só será possível, com forte atuação e recursos do Estado.

O papel do Estado nas circunstâncias atuais e nos próximos anos terá que se restringir à diplomacia. Não tem recursos, tampouco instrumentos para promover a formação e desenvolvimento de "campeões internacionais".




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional? (1)

O Brasil por força da iniciativa privada, aproveitando oportunidades do mercado mundial, se tornou em poucos anos, uma potencia agrícola mundial, liderando a produção e a exportação de diversos produtos agrícolas. 

Apesar dos elementos positivos essa conjuntura brasileira é fonte de infelicidade ou incomodidade para alguns que a criticam como sendo uma condição indesejável.
Essa condição é vista como um retrocesso com o Brasil voltando a ser um supridor de matérias-primas para as grandes potenciais mundiais e importador de bens industrializados, como nos tempos coloniais. Ou da fase pré-industrial.

O Brasil tem que aproveitar a oportunidade para ser o principal supridor mundial de matérias primas de produção agro-pecuária-florestal. Sem sacrificar a cobertura vegetal.

Não pode desprezar essa oportunidade histórica que pode sustentar um crescimento econômico moderado, lento e gradual.

Não se deve desprezar ou combater a ação efetiva da agricultura, que se tornou o mais dinâmico motor da economia brasileira. Embora não o único.

Como estratégia brasileira a primeira condição é aceitar que a produção agro-pecuária-florestal será esse motor e  deverá ser acionado e não contido ou execrado, como um retrocesso, que não é.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O impasse dos investimentos ferroviários

Há um grande consenso nacional que o Brasil tem um grande potencial como produtor agropecuário. Mas que esse potencial é prejudicado pela carência de infraestrutura que encarece demasiadamente o custo logístico, anulando a competitividade, alcançada dentro das fazendas.
E também é predominantemente aceito que a solução está no escoamento dos grãos via hidrovia e ferrovia, por terem custos menores. Mas que não ocorre na prática.
Eles oferecem um preço pouco abaixo do frete rodoviário, efetivamente praticado além da seletividade de clientes, o que impede o acesso de grande parte dos produtores em utilizar a ferrovia.
Dai o produtor tem que usar o meio rodoviário, pagando 100 (valor de referência) ou usar o ferroviário a 90. Não adianta os técnicos dizerem que nos EUA ou na Argentina, ele pagaria 30 ou 40. É a condição comercial. 

Os concessionários querem renovar os seus contratos sem alterar substancialmente as condições do direito de passagem, para manter as suas políticas comerciais e rentabilidade. 
Já os usuários representados pela CNA e pela ANUT querem maior participação para os operadores independentes e menores restrições comerciais.
A força do lobby conseguiu dar andamento aos processos de renovação, mas "empacou" na resistência da CNA, da ANUT e das associações dos produtores (APROSOJAs) e outras associações, como a Ferrofrente.
Eles deram um "nó" no processo e o Governo não sabe como desatar. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Estratégias do marketing político

A visão predominante do marketing político ainda é da tradicional propaganda em que o partido ou candidato procuram convencer os eleitores a aderirem às suas ideias, programas a votarem nele.

A principal preocupação do político é encontrar um profissional criativo capaz de transformar as suas idéias ou discursos em bons produtos, atrativos e compráveis pelos eleitores. 

O marketing inverteu a equação: o ponto de partida não é o que o produtor quer vender. Mas o que o consumidor quer comprar. E "embrulhar" o produto segundo o desejo do comprador. 

Para isso o marketing busca através de pesquisas entender o que o consumidor quer, para então modelar o produto.

Uma geração de marketólogos políticos, novos quando surgiram e já velhos, hoje em dia, revolucionou o processo, com grande sucesso.

O principal precursor foi Duda Mendonça.

Foi bem sucedido por João Santana que criou uma personagem, bem recebida e aceita pelos eleitores: a da "mãe do PAC", uma competente "gestora".

Dilma se ajustou plenamente na imagem externa criada por João Santana, mas não cumpriu a condição interna, contrariando a imagem de "boa gestora". O que acabou levando à sua destituição após ter recebido mais de 50 milhões de votos. 

Tanto um quanto outro, por terem recebido parte dos seus honorários profissionais, através do "caixa dois" alimentados por verbas de corrupção, estão impedidos de exercer a atividade.

A estratégia requereu muito dinheiro e tornou-se inviável com a proibição das doações empresariais formais. E com o maior rigor dos controles sobre as transferências empresariais pelo "caixa dois". 

O principal elemento da estratégia desse marketing político será a capacidade de percepção e interpretação dos desejos dos eleitores. E a partir dai criar o perfil ou a personagem compatível com tais desejos.

João Dória Jr percebeu os desejos do eleitor paulistano em 2014, em relação ao perfil desejado e personificou essa personagem. Sintetizada na marca "João Trabalhador". 

Tentou difundir nacionalmente a imagem para se viabilizar como candidato à Presidência da República, em 2018. Errou na dose e no "timing" .

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Cenários eleitorais 2018 - Rio de Janeiro

Fim de semana abre espaço de tempo para especulações mentais. O foco são os cenários políticos. 
Como exercício especulamos sobre uma importante tendência de segmentos dos eleitorado carioca em escolher "celebridades", acreditando que um nome conhecido poderá governar bem o Estado. 
Em 2018 o eleitor carioca poderá se ver entre escolher Romário ou Bernardinho, dois famosos e bem sucedidos esportistas. 
Uma análise sobre as suas possibilidades eleitorais é importante para uma pré-avaliação da candidatura Luciano Huck para a Presidência.
Uma questão crucial é avaliar se as preferências eleitorais por celebridades ocorrem mais dentro da opinião publicada ou da não publicada?
Nesse sentido há diferença significativa entre Romário e Bernardinho? 
E onde Luciano Huck teria maior aceitação? Seria um novo Tiririca? 



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alternativas de população alvo dos candidatos

Referimo-nos em artigo anterior que o novato terá que se concentrar em uma dada população alvo, que poderá ser geográfica (ou territorial), tribal ou setorial, em sua campanha.

A população alvo geográfica será o eleitorado de um Municipio ou um conjunto de Municipios de uma mesma região. Em alguns casos de megamunicipios como o de São Paulo, poderá ser a de uma subprefeitura ou região administrativa.

Brigar pela conquista de um eleitorado local pode ser uma estratégia perdedora para os novatos. Essa é a estratégia preferida dos veteranos para assegurar a partir de uma base local, a sua eleição para deputado federal.

O político tradicional promete o atendimento às necessidades das pessoas pelos serviços públicos. Isso poderá não ser importante ou prioritário para os eleitores de classe média ou alta, que não dependem dos serviços públicos, para o atendimento às suas necessidade de saude, educação ou segurança. Podem recorrer aos serviços privados.
Já em relação à mobilidade urbana, a eventual carência de meios para a movimentação das pessoas dentro da cidade, afeta - democraticamente - a todos.

Tradicionalmente o deputado opera e é aceito como despachante da comunidade local.

Colocações menos pontuais de parte dos novatos poderá não ter condições de concorrer com as promessas ou propostas dos veteranos.

"Ao fim e ao cabo" o objetivo principal das campanhas eleitorais é conquistar "corações e mentes" dos eleitores, para ganhar o voto deles.

O novato não pode entrar numa campanha eleitoral, supondo, ou acreditando, que a Operação Lava-Jato irá dizimar todos os veteranos e ele encontrará o caminho livre, concorrendo apenas com outros novatos.

A perspectiva é que muito veteranos poderão estar enfraquecidos, mas estarão na disputa pelos "corações e mentes" dos eleitores.




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Terceirização ampla: pode ou não pode (2)

A única terceirização regulada legalmente era a de empresas supridoras de trabalho temporário, prevista na lei 6.019 ainda dos anos de 1974, portanto anterior à Constituição Federal, que consagrou diversos direitos trabalhistas, e não a revogou.
É essa lei que, agora modificada por uma lei específica sobre terceirização do trabalho temporário - a 13.429/2017 - e uma mais geral, atualizando vários dispositivos da CLT - a de nº 13.467/2017 - que regula a terceirização. 

A nova redação não é suficientemente clara, mas admite a prestação de serviços a terceiros, a transferência da atividade principal. 

A ANAMATRA, contesta a legalidade dos dispositivos por estar ferindo o valor social do trabalho, previsto constitucionalmente.

O enunciado da ANAMATRA não cita que o princípio previsto no artigo 1º da Constituição, no seu item IV, citado não se limita ao valor social do trabalho, mas inclui o da livre inciativa.

A decisão de uma empresa de transferir ou não atividades, inclusive sua atividade principal a uma prestadora de serviço, é de natureza estratégica ou do seu modelo de negócio, plenamente compatível com os valores da livre iniciativa. 

Em nada, a terceirização - como opção de gestão empresarial - fere os princípio constitucionais.

A ilação de que poderá ser usado de forma distorcida, contrariando aqueles princípios, vale para toda e qualquer legislação e não é, por si só, incompatível.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Terceirização ampla: pode ou não pode?

A terceirização decorre de uma opção de gestão empresarial entre "fazer dentro de casa" ou "comprar pronto". Em princípio, o gestor faz em casa a sua atividade principal e compra de terceiros o acessório. 
De uma parte os empresários passaram a aumentar as compras prontas porque supostamente os terceiros conseguiriam ter custos menores, principalmente pela redução da remuneração dos trabalhadores, seja do principal - não sujeita aos níveis elevados das convenções coletivas - como dos encargos. Em muitos casos por sonegação dos mesmos.
De outra parte, os sindicatos dos trabalhadores passaram a denunciar a prática, como precarização do trabalho. A Justiça do Trabalho, na ausência de legislação própria, legislou por conta própria, através de súmula, definindo que a terceirização seria admitida nas atividades-meio e proibida nas atividades-fins. E ficou com o poder de interpretar o que seria atividade-fim e atividade-meio. O que deu margem a multiplicidade de processos judiciais.
Uma nova legislação, aprovada pelo Congresso, eliminou a distinção, mas a Justiça do Trabalho, inconformada insiste em manter restrições. E o Ministério Público do Trabalho, tem feito denuncias em relação às diferenças de remuneração entre os segundos e os terceiros, acusando de precarização do trabalho.

Há diversas modalidades de terceirização, sendo as mais importantes: a transferência a terceiros de etapas da cadeia produtiva industrial; a transferência de serviços dentro do estabelecimento da empresa a terceiros.

A primeira modalidade é a que mais se expandiu mundialmente, caracterizando a globalização. Denominado internacionalmente de "outsourcing", isto é, suprimento externo, foi traduzido no Brasil, como "terceirização". Gerando muita confusão.

Uma alternativa para desfazer a confusão é manter a denominação original, sem a tradução, como ocorre em Portugal, e não considerá-la como terceirização, para efeito legal. Isto é, interpretar que o outsourcing não está abrangido pela lei especifica e outras que legislam especificamente sobre terceirização. O outsourcing seria regido por leis gerais, sem uma lei específica para a modalidade. Ou será necessário definir lei especifica para a modalidade?

Então, a terceirização legal se referiria apenas ao desenvolvimento de atividades por trabalhadores contratados por terceiras empresas dentro do estabelecimento da contratante dessa.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (8)

O foco principal dos sindicatos no mundo atual deve ser o trabalho, entendido como emprego ou ocupação.

Os sindicatos mantém a tradição da luta de classes em que o inimigo é o patrão. Entendendo que esse só quer explorar o trabalhador. 
O que é uma meia verdade. Quando ele não consegue "explorar" o quanto ele deseja ou acha necessário, simplesmente descarta. Pode pagar os direitos, mas dai em diante não o explora mais. O explorado vira desocupado. E continua ou vai ser explorado pelo capital financeiro. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Esquerda, direita: categorias ultrapassadas

As categorias de esquerda e direita só persistem no meio acadêmico e dentro da opinião publicada. Não correspondem mais à realidade do pensamento ou visão da maioria das pessoas, da sociedade.

A maioria das pessoas não se define como esquerda ou direita, sendo que muitos não tem a mínima ideia do que seja esquerda ou direita. 
São os "entendidos" que as classificam numa das categorias, em função de posicionamentos objetivos em relação a determinadas questões.
Um exemplo é o nacionalismo. Um dos presidenciais, 
verbera contra a suposta conspiração internacional de países que querem dominar a nossa Amazônia e capturar toda nossa riqueza mineral. Essa posição vem sendo caracterizada como de direita. Mas essa colocação é uma das mais caras dos adeptos do PT, da Venezuela, do bolivarismo, que "desde tempos imemoriais" vêem o fantasma do imperialismo internacional. E agitam a bandeira do nacionalismo, com a tese do "Brasil é dos brasileiros".  E quem for contra é entreguista e de "direita". 
Bolsonaro nessa questão é ultranacionalista, se opondo à venda de terras aos estrangeiros. 
Principalmente aos chineses, que segundo ele, querem transformar o Brasil é colônia deles.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Terceirização: Mais uma "guerra" do Judiciário contra os Poderes Executivo e Legislativo

Quem faz as leis é o Legislativo. 
O Ministério Público tem o dever de apontar eventuais inconstitucionalidades, ingressar no Judiciário, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADIN, ou outro instrumento. E o Judiciário deve decidir pela constitucionalidade ou não.
Ao Judiciário não cabe legislar, mas muitos juízes não tem resistido à tentação de colocar as suas convicções pessoais acima das atribuições institucionais e legislar por conta própria. Ou decidir segundo aquelas convicções pela constitucionalidade ou não dos dispositivos legais. 

A questão da terceirização é um caso típico, envolvendo batalhas ideológicas que fogem às questões constitucionais.

Não há nada dentro da Constituição que proíba as empresas em terceirizar suas atividades. 
A partir da interpretação doutrinária do "espirito da lei", há duas regras básicas jurídicas inteiramente opostas. Não pode terceirizar nada. Ou pode terceirizar tudo. Mas em ambos os casos pode haver exceções.

No vácuo legal o Judiciário interpretou e estabeleceu como doutrina, que nada poderia ser delegada, admitindo exceções. Essas seriam das atividades-meio. Em contrapartida as atividades-fim, não seriam passíveis de delegação, isto é, de terceirização. 

A distinção entre atividade fim e meio caiu em desuso, passando a ser substituida pelo conceito de negócio principal, ou "core business". O "core business" não se caracteriza como atividade, que corresponderia a um centro de custo, mas sim a um centro de lucro. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Senado e Câmara votam iguais?

Na discussão sobre a regulação dos aplicativos de chamada de automóveis para o transporte individual, a Câmara dos Deputados votou de uma forma, o Senado de outra. 
Podem ter recebido promessas de apoio.
O que podem ter prometido, se o financiamento empresarial foi proibido? Como os seus associados são pessoas físicas e tem interesse em manter os serviços desregulados, poderão ser mobilizados para contribuições individuais. Não diretamente pelas empresas dos aplicativos, mas através de laranjas na forma de ONGs, ou de crowdfundings ("vaquinhas"). 
Com as mudanças no modelo de financiamento das campanhas, novas modalidades de captação de recursos vão surgir e - supostamente - não serão partidárias, mas promovidas por grupos de interesse. E utilizando os meios modernos de captação. 

Na Câmara dos Deputados, alguns itens deverão ser restabelecidos, como o poder municipal de regulamentar os serviços. Os deputados são sempre mais municipalistas do que os senadores. E precisam agradar mais os políticos locais, além do próprio eleitorado. 

A maior parte desse eleitorado não é associado, tampouco usuário dos serviços, simplesmente porque não tem renda suficiente, seja para usá-lo e menos ainda para ter ou alugar um carro.  A maior parte dos deputados não terá a pressão dos uberistas e assemelhados, simplesmente porque na sua base eleitoral os aplicativos ainda não chegaram lá. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (7)

A base real dos sindicatos é muito menor do que apregoa ou se acredita. 
O líder sindical não representa os trabalhadores em geral, mas apenas uma categoria, muitas vezes limitada à uma região, e com carteira assinada. Um contingente que tende a ser cada vez menor. Mesmo com a retomada da economia.

As lideranças sindicais foram formadas e treinadas para a "luta de classes", para se opor ao capitalismo, principalmente contra o capitalismo selvagem e predador.

Mas não foram preparados para enfrentar ou se defrontar com um capitalismo industrial decadente. 

O capitalismo vem mudando e o capitalismo produtivo e empregador vem sendo substituido pelo capitalismo financeiro, pouco empregador. 
O patrão real não é mais aquele que emprega ou desemprega, mas um gestor financeiro que nem aparece. 

Antes o trabalhador, através das suas lideranças sindicais negociava diretamente com o patrão, ou seus prepostos imediatos. Agora negocia com os representantes dos dirigentes da empresa. Que são "empregados" do capitalista financeiro. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Bases desaliadas

Não existe uma base aliada, mas diversas bases desalinhadas.
Há a base do Presidente Temer que foi formada para defendê-lo contra as investigações das denúncias. É uma composição conjuntural. É pessoal.
Uma segunda base, que pode ser desdobrada seria de apoio ao Governo. Uma primeira seria em relação às medidas econômicas e outra, em relação às demais medidas.

A lista das Medidas Provisórias encaminhadas ao Legislativo - excluidas as de política econômica - atendem a interesses de setores econômicos, como os de petróleo & gás, mineração, agronegócio, ou atividades privadas em educação e saúde.


A formação de uma base aliada para a aprovação dessas MPs depende mais do lobby das empresas ou de suas associações do que de articulação política do Governo. 

Já a pauta econômica que é gerada pelo Ministério da Fazenda e entorno, seria de uma política de governo, mas não é.
Temer encampou a pauta de Meirelles a partir da visão do "mercado" de que as reformas econômicas - principalmente a previdenciária - seriam essenciais para promover a retomada do crescimento econômico.
E Temer, com baixa popularidade, assumiu que a condução da retomada da economia, seria uma forma - talvez a única - para melhorar os índices de popularidade e melhorar a governabilidade.
Mas a economia voltou a crescer, mesmo sem a aprovação das reformas, exceto a do Teto.
Escapando do objetivo principal, de natureza política e pessoal, a pauta econômica deixa de ter prioridade para o Presidente, passando a ser uma pauta Meirelles e não mais Temer/Meirelles. 
Essa pauta passará a ser negociada diretamente entre Meirelles e Rodrigo Maia, cabendo a ele articular o apoio às medidas aprováveis. 

Ao lado das medidas de iniciativa do Executivo, o Legislativo terá uma pauta anti-Judiciário e anti-Ministério Público, envolvendo - principalmente - abusos de autoridades. 


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A agenda parlamentar

A agenda parlamentar será inteiramente comandada pelo próprio Congresso, com perda de iniciativa e protagonismo do Poder Executivo. 
Neste restante de ano, a pauta será tomada pela discussão do orçamento de 2018, com uma forte disputa por verbas, que terão impacto sobre o eleitorado de cada parlamentar. 
Nem o Governo terá poderes para defender o suposto interesse nacional. Cada qual tem a sua versão sobre o que seja esse interesse. Não terá nem mesmo condições de impedir ou coordenar a ação de lobby dos Ministérios junto aos parlamentares para melhorarem as suas verbas específicas. 
O orçamento de 2018 tomará todo o espaço da agenda econômica e da agenda legislativa em geral. Irão escapar algumas medidas pontuais, entre as quais algumas relevantes, pouco percebidas. Caberá ao Executivo, o controle, por eventuais vetos.
O Executivo perderá o poder da iniciativa, mas poderá manter ainda uma fatia do poder real e protagonismo, pelos vetos.


Será um exercício melancólico da Presidencia, como foram o quinto ano de Sarney ou o último ano de Cardoso. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (6)

A mistificação da produtividade da mão-de-obra

A análise econômica difundida pela mídia, dominada pela visão capitalista chamada de liberal ou néo-liberal (por razões teóricas) tem como foco a produtividade, que é a relação entre o uso de fatores (trabalho, equipamentos, terra e outros) e a produção obtida.

Defendem e difundem, com base nas teorias capitalistas que aprenderam no exterior, que o Brasil só se desenvolverá com o aumento da produtividade. E que para isso é preciso investir em inovação.

Mas o que eles escondem ou nem percebem é que atrás do conceito e índices de produtividade, está a redução do trabalho.

Partem do preconceito de que o trabalhador brasileiro é improdutivo e que com a redução dos contingentes de trabalhadores se obtém maior produtividade. 

O pressuposto é que com os ganhos de produtividade, através da redução do uso do trabalho e dos demais fatores, a produção brasileira se torna mais competitiva e poderia vender mais. O que é uma mistificação.

A produtividade e consequente competitividade não depende apenas do fator trabalho. É uma conjugação de fatores e cada qual não pode ser avaliado isoladamente.

Faltam no Congresso, lideranças sindicais para desmentir a mistificação do pensamento econômico predominante. Sem oposição torna-se hegemônico.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um novo ciclo de investimentos

Com a crise econômica geral e a fiscal em particular, houve uma redução generalizada dos investimentos, afetando mais profundamente os de infraestrutura, a cargo do Estado.
Está havendo uma retomada lenta da economia, porém os investimentos ainda demorarão. Há muita capacidade ociosa.

Com a absoluta escassez de recursos para investimentos públicos os novos empreendimentos em infraestrutura dependerão de aportes de recursos do setor privado.

 A alternativa que resta é das concessões comuns (ou plenas), com o investimento totalmente realizado pelo setor público e remuneração pela cobrança de tarifas dos usuários. Sem qualquer subsídio, essas tendem a ser elevadas, podendo reprimir a demanda.

O investimento público é movido pela existência de uma insuficiência de atendimento, também caracterizada como déficit. 

Para o investidor privado, déficit não é sinônimo de demanda. As pessoas querem uma eventual duplicação da rodovia, mas não estão dispostas a pagar o valor do pedágio. 



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O lado A do futuro do Brasil


O lado A do futuro do Brasil é radioso, apesar de sujeito a chuvas e trovoadas. Ao contrário do tenebroso lado B. Esse lado Brasília nos deixa enojados e com vontade de abandonar o país. Já o lado A  do  Agronegócio nos indica um desafio promissor, mantendo-nos num esforço, numa luta por um Brasil melhor.
Uma visão conservadora dominada pela economia industrial obscurece a perspectiva do protagonismo mundial no Brasil, seja no futuro imediato, como a longo prazo. 
A evolução do agronegócio vem rompendo as barreiras e irá se impor como o principal motor do desenvolvimento futuro do Brasil. 
Mas não conseguiu ainda superar, nem mesmo equacionar o seu maior obstáculo: a insuficiência logística para o escoamento das safras - cada vez maiores - seja para os portos de exportação, como para o consumo interno dos alimentos.
O Instituto de Engenharia, em São Paulo, vem desenvolvendo um trabalho caracterizado como "Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia, associada ao Agronegócio" cuja proposta principal é a implantação e operação de uma malha ferroviária integrada, de caráter privada, voltada ao agronegócio.  
Essa implantação deverá estar voltada para o escoamento das safras produzidas acima do paralelo 16 para os portos do norte, associada à ocupação sustentável do território, tanto agrícola, como industrial e urbana
Deverá ser dada prioridade ao sistema estruturado pela ferrovia Norte-Sul, completando a implantação do trecho entre Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP), a operação plena entre Açailândia e Estrela D'Oeste, dando aos usuários a alternativa de escoamento tanto pelo porto de Itaqui no Maranhão, como de Santos em São Paulo, pelas conexões com outras ferrovias.
Deverá ainda ser promovida a implantação - a curto prazo - das ligações transversais entre os polos de produção e a Ferrovia Norte-Sul.  

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (5)

Aprovação das políticas econômicas

As políticas econômicas dependem de aprovação do Congresso. Para obter a sua aprovação, as autoridades econômicas montam demostrações quantitativas para indicar possível efeitos sobre o PIB e influenciar a decisão dos congressistas.
E a moda mais recente, que não pegou inteiramente, é a influência sobre a confiança dos agentes econômicos, principalmente dos investidores.

Mesmo sem as reformas, os investidores estrangeiros estão investindo no Brasil. 

Para a discussão das políticas econômicas as lideranças sindicais devem assumir como parâmetro primeiro a geração de empregos e, subsequentemente, a qualidade desses empregos, ou ocupação.

Qualquer proposta deve ser avaliada segundo um medidor de geração e sustentação de empregos. Para isso é preciso criar um modelo de avaliação, mais ampla do que é usualmente utilizado. Esse foi desenvolvido dentro do BNDES, pela economista Sheila Najberg, com participação de Marcelo Ikeda, no final do século passado e não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Tem um bom conceito, mas é incompleto. E não contempla a distinção entre o emprego formal e informal. 

Não existe política de emprego, distinto da política econômica e da política de investimentos. 

A partir desse modelo as lideranças sindicais poderão modernizar o seu discurso seja junto às bases, como ao Governo e à sociedade em geral. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso? (4)

Na economia moderna e atual o principal inimigo do trabalhador não é o "patrão" que o contrata, paga mal, assim como o demite.
Os dois fazem parte indissolúvel de um processo produtivo, de uma cadeia produtiva, que tem dois grande "inimigos" que sugam grande parte da renda, deixando pouco para os dois. Esses brigam entre si, pela parte que sobrou da renda com a venda do que foi produzido. A "parte do leão" ficou com o Governo e/ou com os bancos. 

Os movimentos de rua, baseadas nos discursos de sempre, amplificadas por megafones, são barulhentos mas reverberam cada vez menos. Os que se sentem incomodados são cada vez maiores. Os que aderem e vão às manifestações são cada vez menores. 

Os mentores acham que é falta de consciência do povo. Mas precisam refletir se essa falta não é deles, que não percebem que os discursos de sempre não tem mais repercussão.

As novas estratégias deverão usar as mesmas "armas" da dita direita, ou dos neoliberais. A principal seria a "desconstrução" das suas teorias baseada em dados manipulados.

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria fo...