terça-feira, 30 de setembro de 2014

Incompetenta e competenta

A incompetenta Presidenta é uma competenta candidata. Sabe se sair dos golpes dos adversários que são incompetentes. Dão um golpe e depois recuam. Não tem agilidade de resposta.

Ela está ganhando a luta por pontos.

Ela tem conseguido se livrar da pecha de conivência com a corrupção na Petrobras.

E sai para o ataque, como melhor defesa.

No caso de Paulo Roberto Costa contou duas inverdades e omitiu outra que os adversários deixaram passar.

Ela disse, no debate da Record, que mandou a Polícia Federal prender o ex-Diretor da Petrobras e que o demitiu. Duas inverdades técnicas. A Polícia Federal agiu independentemente sem a interferência presidencial, o que seria indevida. Segundo, ela não demitiu, mas pode ter mandado demitir.

O que ela não contou é que, como Presidente do Conselho de Administração da Petrobras o admitiu e depois pode ter mandando confirmar. 

Ela foi responsável direta pela presença do Paulinho na Diretoria de Abastecimento. 



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Imagem é tudo - 2

Acompanhei ontem à noite o debate entre os presidenciáveis na TV Record e a minha percepção é de que Dilma é mais vai se beneficiar do evento.

Avaliar quem ganhou o debate é irrelevante. Mas apenas para registro, o livre atirador Eduardo Jorge levou vantagem.

Dilma ganhou porque é a que mais sabe usar o evento para criar ou preservar a sua imagem, ao contrário dos demais que continuam acreditando que deve haver debate. e o mais civilizado possível.

Os adversários atacam a Presidenta com os mesmos argumentos de sempre e ela responde com as mesmas versões de sempre, controlando as suas emoções. O que Marina não consegue fazer, passando imagem de fragilidade.

Dilma mantém a imagem de firmeza, ainda que sustentada por falsidades e promessas, que os adversários não conseguem desmontar.

Sem ataques mais diretos, para tentar nocautear, ela vai ganhar sempre por pontos. E por muitos pontos.

O único momento em que ela poderia ser desestabilizada, o comparsa Levi Fidelix, humilhado por ela em debate anterior. respondeu, mas não usou a falha da Presidenta para pegá-la num ponto em que ela se considera forte e transmite essa impressão.

Ela só trabalha para a construção ou manutenção da imagem. Os demais não. Vai continuar na liderança e pode vir a ser reeleita. Menos pela suas qualidades, mas pela incompetência política dos adversários que não se atualizaram com a nova dinâmica das eleições.

Marina está procurando se preservar, guardando munição para o segundo turno. Mas o risco de uma decisão no primeiro turno aumentou. 

domingo, 28 de setembro de 2014

De Nova York falando para o Brasil

A Presidenta foi a Nova York para criar fatos para a sua campanha para reeleição no Brasil. O que ela, supostamente,  disse ao mundo tem pouca importância. O mundo também não deu a menor importância. O local era Nova York, mas ela falou para o Brasil, em campanha eleitoral. A mídia presente para mostrar e ouvir a Presidenta era predominante ou totalmente brasileira. 

Para efeito interno o mais importante era criar uma imagem de enfrenamento ao poderoso Barak Obama, aos EUA e demais potências. 

O que ela procurou mostrar, orientada pelo seu marketeiro que fez as devidas imagens é que ela é firme, destemida e disposta a se contrapor aos americanos, o maior demônio da esquerda  brasileira. Se os EUA propõe uma ação a Presidenta se põe contra, para mostrar a independência do Brasil. Para mostrar que não está subordinada à política norte-americana. Não importa se essa contestação é absurda.

A opinião publicada está gastando o seu tempo ato, discutindo se faz sentido tentar negociar com o EI ou se a única forma de tratá-los é bombardeando. A posição da Presidenta é inconsequente. Nem mesmo correu o risco de ser convidada ou escalada para mediar o conflito e ir negociar com o Califado. Alguns até acham que essa medida deveria ser tomada para ver se eles cortavam a cabeça de Dilma. 

O que interessava à Presidenta é a reação da opinião não publicada, o que parece ter sido favorável. O que é explicável, pois apesar de politicamente incorreto: foi uma atitude de macho. 

sábado, 27 de setembro de 2014

Imagem é tudo

O Brasil conta com três gênios da televisão e uma grande atriz. Aguinaldo Silva, como um mestre na construção de novelas e personagens marcantes. Lula, por competência inata e João Santana pela competência profissional na criação de imagem de candidata. E a grande atriz, não a desmerecendo, não é Fernanda Montenegro. Chama se Dilma Vana Rousseff. 

As mais recentes pesquisas eleitorais, consultando a percepção dos eleitores mostra que estamos diante de uma grande novela. É tudo fantasia, tudo imagem construida para sensibilizar corações e mentes dos eleitores.

Dilma é quem melhor se sai nessa novela, encarnando a personagem que João Santana criou para ela. A personagem, como convém, não é real. O que ela diz e encarna é falso, mas convincente.

Cria um país falso, distorcendo números, conta mentiras deslavadamente, cria fantasmas, mas ela acredita, tão firmemente, que não está mais mentindo. Ela tornou a mentira em sua verdade e a transmite com absoluta segurança. Se o interlocutor titubear ela destroi a verdade. Ela passa uma imagem de firmeza. contrapondo-se à imagem de fraqueza dos adversários.

Por mais que os técnicos, os mais informados contestem, com fatos e números que a crise internacional não é a responsável pelo baixo crescimento da economia brasileira, Dilma se introjetou de tal forma essa versão que ela transmite como uma verdade e convence uma grande parte da população que não tem as informações suficientes. Ela é uma mentirosa convincente, sem titubeios. Há muitos estudos que explicam esse fenômeno que é mais comum que parece. 

Outro que cria uma fantasia e acredita nela, sem a mesmo competência histriônica de Dilma é Aécio Neves. Ele ainda acredita que o eleitor quer um presidente mais experiente do que um "salvador da pátria". Vê um mundo que é diferente do que ele imaginou e não aceita a realidade. Não se modernizou, seguindo a cartilha da política antiga.

Aécio tem a ilusão, como muitos outros de que a opinião publicada é a opinião pública. Não é capaz de entender a realidade da opinião não publicada. Essa, as pesquisas comprovam vê a campanha eleitoral como uma grande novela, gostando de uns e não de outros, torcendo por uns e não de outros.

Não acompanho novelas, faço parte da opinião publicada, mas percebo as repercussões das novelas no público em geral. O que me lembro é que duas personagens do mal, faziam mais sucesso do que as do bem. A malvada da Avenida Brasil era querida pelos telespectadores. A "bicha má" foi o maior sucesso. E, por mais que contassem e mostrassem, a personagem de Antonio Fagundes se recusava a aceitar que estava sendo traido pela sua amada. 

O povo parece aceitar melhor o mundo ilusório criado por João Santana e interpretado por Dilma, do que o mundo infeliz mostrado por Marina Silva e Aécio.

O otimismo - embora falso - está vencendo o pessimismo. 


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ocorrência estranha; ´só no Maranhão

A mídia nacional reverberou um fato estranho que só ocorreu no Maranhão. E que só pode ser explicado pela Teoria da Conspiração.

Supostos agentes da Polícia Federal vasculharam um avião executivo da campanha do Senador Edinho Lobão, candidato da clã Sarney, em busca de dinheiro vivo a ser usado na campanha, atendendo a uma denúncia anônima. Coisa mais estranha: a Polícia Federal, um órgão do governo, agindo contra um candidato do governo?

A segunda grande e maior surpresa: não encontraram nada! 

Se a operação foi real a direção da campanha de Edinho Trinta foi avisada, retirou os pacotes para transformar a operação em fato político a seu favor.

Foi o que fez Sarney tornando um incidente local num grande problema nacional. Transmitiu a ocorrência ao vice-presidente Michel Temer que é também o Presidente do PMDB pressionando-o por uma manifestação formal. O que ele fez, dando repercussão nacional, com o esperado apoio da mídia nacional. Sarney e o PMDB são mestres na área de manipulação da mídia. Aprenderam muito bem transformar uma informação em notícia. Mais ainda em manchete de primeira página.  

O Ministro José Eduardo Cardoso, como sempre, diz que não sabia de nada, não pode interferir nos processos operacionais da Polícia Federal e irá apurar os fatos: como sempre rigorosamente. 

A clã Sarney leva o episódio, agora nacional, para dentro do Estado, para criar a versão de uma conspiração contra o seu candidato. Com a criação da imagem de "vitimização" por forças ocultas, espera alavancar uma candidatura anêmica.

O eleitorado do Maranhão parece ter cansado do domínio da clã Sarney e quer mudança. Essa aderiu à estratégia do medo e denunciar uma grande e invisível conspiração. 

No Maranhão nenhuma operação da Polícia Federal, mesmo que com contingentes de fora, ocorre sem vazamento. Os tentáculos de Sarney dentro dela são enormes.

Em outra operação em avião de campanha eleitoral, esse em Goiania, mas de Tocantins foram encontrados o dinheiro e panfletos. Mesmo sendo de candidado do PMDB a cúpula partidária não se manifestou.

A estratégia sarneyzista seguiu o lema de "fazer do limão, uma limonada". Mas sem açúcar a limonada suiça continua azeda.

Uma outra versão da Teoria da Conspiração é que a acusação de intimidação da Polícia Federal é um antidoto contra as suas ações no caso da Petrobras, ou mais especificamente da Operação Lava Jato. O objetivo real seria intimidar a Polícia Federal para evitar a divulgação dos depoimentos. Se for inevitável que só ocorra depois de 5 de outubro, porque para o Congresso não há segundo turno.

Finalmente, uma suposta crise entre o Planalto e o PMDB é jogo de cena que interessa à mídia, sempre atrás de notícias bombásticas. 



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ciclovia: um boa idéia em risco

As vias reservadas para a ciclovias são uma boa idéia, mas uma implantação autoritária e sem o devido planejamento vai fazer perder a idéia e atrasar por anos a sua plena efetivação.

Uma entrevista da Ex-secretária de transportes de Nova York bem ilustra a dificuldade de implantação e o esforço e tempo para chegar à situação atual.  O Prefeito Haddad quer que São Paulo tenha, desde logo, a situação que Nova York levou muitos anos.

O resultado é que embora a população aceite a ideia em tese, amplia a resistência dos contrários, em função de problemas pontuais.

Haddad tem os dois anos adicionais da sua gestão, para consolidar as ciclofaixas. Se esses não funcionarem bem, com grande utilização visível e tiverem impacto positivo na redução dos congestionamentos, corre o risco de não ser ser reeleito, com os oponentes prometendo aperfeiçoar o sistema. A principal proposição será ouvir a população específica das áreas afetadas: ciclistas, moradores, comerciantes e outros, promovendo ajustes.

Aparentemente o Prefeito de São Paulo optou por uma estratégia maquiavélica de fazer a maldade de forma concentrada, para dar visibilidade ao problema, para então fazer os ajustes e as "bondades" para atender às diversas reivindicações.

Dois anos são pouco para todos os ajustes em função da extensão pretendida.

Um planejamento estratégico, no estilo maquiavélico, é sempre de alto risco. 

O risco é que as resistências sejam maiores, sem provocar as mudanças culturais desejadas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As alternativas de localização dos empregadores


A Prefeitura de São Paulo propõe um modelo de estruturação da cidade que pode se efetivar, mas não como ela quer. A espinha dorsal desse modelo é o eixo de transformação urbana, com o adensamento verticalizado, nas áreas lindeiras aos sistemas de transporte de massa. Nessa área se permitirá um volume de construção maior dentro do terreno, atraindo o setor imobiliário para a oferta de produtos residenciais e não residenciais ao mercado, principalmente produtos de uso misto. A expectativa é que com isso, se melhore a mobilidade urbana, com as pessoas morando mais próximo do trabalho ou que busquem trabalho junto da sua mordia. E que quando precisarem se deslocar a distâncias maiores o faça pelos meios coletivos, dispensado em todos esses casos, o uso do carro.

O problema aqui já apontado é que a decisão do local de moradia é do morador, mas a decisão do local de criação dos empregos é do empregador. E a sua lógica predominante não é buscar localizar o seu escritório, a sua loja onde os seus empregados moram, mas onde lhe é mais conveniente, chegar com o seu carro. Leva em conta também como os seus clientes vão chegar. Como os empregados vão chegar não é problema, tampouco prioridade sua.

As novas regras oferecem aos incorporadores possibilidade de maior construção relativa, mas essas estabelecem restrições que podem afastar os empregadores e também os moradores de alta renda. Esses também dentro da cultura brasileira são também grandes empregadores, pois são os geradores dos empregos domésticos.

Aqui cabe uma anotação. Nos anos anteriores grande parte dos trabalhadores domésticos pernoitavam no emprego, com os produtores imobiliários oferecendo o "quarto de empregada". Com as exigências da legislação trabalhista o "dormir no emprego doméstico" foi sendo inviabilizado, com a sua substituição pela diarista. Do ponto de vista da mobilidade urbana foi um "desastre": aumentou substancialmente o volume de deslocamentos. 

Com as restrições de vagas de garagem o empregador irá buscar outras áreas para se instalar. Fora dos eixos, haverá menos restrições de vagas, mas menos área para construção. O escape seriam as Operações Urbanas que poderiam oferecer mais construções e mais vagas. Mas essas dependem de legislação específica, com muitas questões polêmicas.

Resta ao empregador buscar soluções em outros Municípios  que não a capital. 




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Onde e quando entramos no desvio?

Os problemas que hoje enfrentamos na economia brasileira, buscando soluções conjunturais e paliativas, decorrem de decisões ou falta de decisões ocorridas no passado.

O problema estrutural maior é a decadência da indústria brasileira. Por que isso está ocorrendo?

O Brasil optou, na década de cinquenta, pela industrialização baseada na substituição de importações. O Brasil era exportador de café, produzido quase extrativa e artesanalmente, com baixa agregação tecnológica e importador dos produtos industrializados, consumidos pela sua elite e classe média.

Esse processo de industrialização iniciado por Vargas e desenvolvido por Juscelino, tomou vigor nos anos sessenta, mantido pelo regime militar até que em meados dos anos setenta, com as quebras decorrente da crise energética, o modelo perdeu vigor. O mercado interno baseado no consumo da classe média não era mais suficiente.

Para manter os níveis de produção, a indústria instalada no Brasil, voltou-se, parcialmente, para as exportações. Essa indústria foi instalada para suprir o mercado interno, com proteções contra as importações e com um pequeno excedente para exportações.

Com a contenção do mercado interno, esses excedentes se tornaram maiores e as indústrias buscaram o mercado externo para colocar os seus produtos.

Mas nesse mesmo período os "tigres asiáticos" estavam desenvolvendo o modelo exportador, com a implantação de plantas industriais, de grande porte, voltado para o mercado mundial. Em grande parte eram promovidas pelas multinacionais norte-americanas que buscaram uma produção a custos mais baixos para abastecer ao seu mercado nacional, o maior mercado mundial de consumo, assim como os demais mercados no mundo.

É importante ressaltar a diferença de modelos, porque é exatamente na diferença de escolha dos modelos que determinou a diferença de trajetórias entre a economia brasileira da asiática.

A nossa patinando no processo "stop and go" e as asiáticas seguindo um crescimento continuado, mesmo com as intermitentes crises dos principais mercado consumidores.

O modelo brasileiro era a industrialização, de médio porte, voltada para um mercado brasileiro de classe média e exportação de excedentes e o modelo asiático de industrialização voltada para o mercado mundial. 

Isso determinou uma substancial diferença de escala de produção. Enquanto as plantas industriais brasileiras eram de médio porte, as asiáticas eram várias vezes maior, de grande ou mega porte. 

O Japão, já era uma economia desenvolvida, arrasada pela Guerra, mas recuperada. Nos anos oitenta era a segunda maior economia mundial, atrás apenas dos EUA, tendo superado as européias. Na ocasião a China ainda não havia emergido.

A principal emersão, na época, foi da Coreia, saida no final dos anos cinquenta de uma guerra que a seccionou, e que concentrou a sua produção industrial em grandes conglomerados, voltados para o mercado externo. A sua escala de produção dos "vitoriosos" sempre foi mega, e avançou no mercado mundial, após a Copa do Mundo de 2002, com as marcas Hyundai, Samsung, LG e outras. 

Embora os resultados só tenham aparecido mais tarde, o momento da inflexão da economia brasileira, foi o final dos anos setenta, com a crise energética.

As decisões de política econômica e industrial adotada pelos diversos paises, como resposta à crise estão na base do quadro atual da economia brasileira.

Ao contrário das economias asiáticas, o Brasil não optou pelo modelo exportador e da produção em grande escala.

Hoje a indústria brasileira que permaneceu na mediocridade, não tem competitividade para concorrer no mercado mundial, que inclui o próprio mercado nacional.

As raras exceções estão no segmento das carnes e da celulose, onde as escalas são de grande para mega.

O setor de grãos é o que sustenta as exportações brasileiras, com produções em grande escala.

O segredo da evolução econômica recente no mundo está na escala. Mais do que em salários baixos. A inovação só tem importância quando é base para a produção em grande escala. 

Não há mais produto industrial novo que ganhe importância, sem envolver uma escala mundial. 

O Brasil se apequenou e a sua baixa vitalidade decorre disso.


domingo, 21 de setembro de 2014

A que distância você está disposto a andar do estacionamento ao destino final?

Estacionamento nunca é o destino final de uma viagem urbana. Quando alguém sai de carro para ir ao trabalho, à escola, à clínica, às compras ou outra atividade urbana qualquer procura estacionar o seu carro o mais próximo do local onde quer exercer essa atividade. 
Em locais de pouca demanda pode até encontrar uma vaga em via pública, sem restrições de horários. Em algumas áreas pode encontrá-la mas por um tempo máximo de 2 horas, pagando pela mesma. Em São Paulo o sistema é a Zona Azul.
Quando não encontra vaga na rua a alternativa é buscar um estacionamento privado e terá que pagar caro, gerando indignação dos usuários. A maioria fica altamente indignado, reclama, mas paga e volta no dia seguinte, reclamando mais ainda e volta no terceiro dia, aumentando a reclamação. Ou seja, reclama mas não deixa o carro em casa e continua usando o estacionamento, pagando e reclamando.

Por que isso ocorre? Primeiramente porque a Prefeitura Municipal, dentro de uma política anti-carro, vem eliminando progressivamente e a muitos anos, as vagas públicas. Essa redução é maior na administração atual. O objetivo é reduzir o uso do carro, tornando mais caro o seu uso. No entanto, é um objetivo de longo prazo que requer uma profunda mudança cultural. E só será alcançando se para os locais de maior concentração de destino houver disponibilidade de transporte coletivo de alta qualidade. Alta qualidade não é medida pela condição do veículo, mas a sua rota e a lotação. Carro cheio é sinônimo de má qualidade. E não adianta dizer que em outros paises os metrôs também andam lotados na hora de pico e as pessoas o utilizam e deixam o carro em casa. Não é bem assim.
As pessoas que tem a opção do carro, mas utilizam o transporte coletivo podem fazê-lo fora da hora de pico. 

Sem um transporte de qualidade e redução das vagas as pessoas só tem duas opções: ir de carro e pagar o valor dos estacionamentos ou mudar de local de destino. Nem todos podem fazer isso. 

Mantida a demanda os preços sobem pela lei de mercado. Os preços ficam muito próximos também por funcionamento do mercado. O que cobrar demais tende a perder clientela. O que cobrar menos enche logo e perde oportunidade de cobrar mais. 

A questão é que o movimento dos estacionamentos é altamente variável durante o mesmo dia, durante os dias da semana e mesmo durante o ano. Há momentos em que há uma grande demanda e outros em que os estacionamentos ficam vazios. 

Estacionamento privado é uma atividade econômica privada regulada pelas leis de mercado. Mas sempre há os que entendem que deve ser regulado pelo Estado e pretendem controlar os preços. Isso só desorganiza a atividade e promove a atividade informal. 

À Prefeitura Municipal que teria o principal poder não interessa regular, tampouco forçar a redução dos preços. A sua política pública, para desestimular o uso dos carros, é promover preços mais altos, não mais baixos.

Mas membros do Judiciário, do Ministério Público e órgãos federais, insatisfeitos com os preços aparentemente abusivos querem intervir no funcionamento da atividade, confundindo a sua visão de consumidor com a de servidor público. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O que importa é o que passa para o público alvo

Numa campanha política dominada pelos marketeiros o que importa não é o fato, mas a imagem que esse fato passa para o público alvo.

O caso mais recente é o da autonomia do Banco Central. É uma discussão técnica entre economistas, com algum viés político. E um jogo de interesses econômicos  percebidos. Para os banqueiros parece conveniente, mas pode não ser. Um Banco Central independente pode ser mais rigoroso com os banqueiros do que um não independente. Mas são meras suposições, ainda que com fundamento em experiência externas e teorias. O setor empresarial segue os banqueiros e acha que um Banco Central independente dá maior segurança jurídica. O que é o mais provável. 

A maioria da população não entende o que seja a autonomia do Banco Central e como isso influi na sua vida cotidiana. O PT se encarregou de mostrar e difundir a sua versão: os banqueiros iriam se regozijar e a comida iria sumir da mesa das famílias. 

A versão "pegou". Não junto à opinião publicada, mas junto à não publicada. Um grande tento do marketing político.







quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Competitividade do país e das suas empresas

A mídia adora rankings e há sempre instituições dispostas a realizá-las classificando tudo e todos. Um dos mais recentes, elaborado sistemática a muitos anos pelo Fòrum Econômico Mundial  é o da competitividade dos países e o Brasil continua numa posição intermediária, tendo caido uma posição em 2014 em relação ao de 2013: passou de 56º lugar para o 57º. E daí?
Ranking é um exercício matemático que depende dos critérios adotados. E da pontuação do país em cada um dos critérios, o que envolve também elementos subjetivos.
A questão é que um país não compete efetivamente no mercado. Quem compete são as empresas, são as pessoas. Qual é a competitividade das empresas brasileiras? Onde?
Nenhuma empresa compete individualmente no mercado como ou todo.  Mesmo quando compete no mercado mundial o faz em um segmento de mercado. A melhor segmentação é pelo mercado consumidor. Dentro dele pela natureza do consumo.

Podemos tomar, como exemplo, o consumo de veículos para deslocamento pessoal e dentro dele o de automóveis de passageiros. 

A competitividade real das empresas é determinada pela sua participação nesse mercado, de forma global ou por categorias.

Na escala mundial o principal mercado consumidor é o chinês, e a participação maior é das empresas que fabricam os carros no próprio país.


A competitividade mais importante de uma empresa está no mercado comprador do país. Qual é a competitividade da empresa brasileira no mercado nacional?

Em que mercado a fabricante nacional é competitiva. Em que mercado ela não é competitiva? Por que razões?

A competitividade da empresa nacional é própria ou decorre de proteções definidas governamentalmente?

A proteção é contra práticas anticomerciais, como dumping ou subsídios promovidas por outros paises ou é uma proteção contra a ineficiência da empresa nacional?

Há um fato real inquestionável, embora discutível do ponto de vista da importância relativa. Apesar da baixa posição de competitividade no ranking do Fórum Econômico Mundial, empresas multinacionais continuam investindo no Brasil, para assegurar a sua posição no mercado, Ou para ampliar a sua participação, substituindo as suas importações.

O caso mais recente, noticiado pela imprensa é da Omron, uma fabricante de equipamentos médicos portáteis, que adquiriu uma fabricante nacional para a produção no país do medidor de pressão portátil  Embora aqui  uma empresa de médio porte, com um faturamento atual, no Brasil, de R$ 40 milhões em 2013, pretende chegar a R$ 220 milhões em 2017. A sua receita global foi de US$ 7 bilhões. 

Parte da percepção de que o produto (que conheço bem, porque o uso a algum tempo) completado no Brasil será mais competitivo do que vindo pronto do Japão, ou mesmo feito da China (como o meu).

Quando se diz que o Brasil não é competitivo, deve-se entender que produzir industrialmente no Brasil não é competitivo.  Não por outra razão, muitas empresas brasileiras estão produzindo na Ásia para continuarem mantendo a sua posição no mercado nacional. No setor têxtil isso é evidente. As marcas continuam sendo as tradicionais brasileira: mas é só procurar na etiqueta que aparece o "made in China" ou "made in Vietnam, Paquistan e outras". 

E no caso de produtos industriais baseados em montagem o produto final aparece como "feito no Brasil", como ocorre com os aparelhos de telefonia celular, mas a maioria da peças são importadas. Aqui só é feita a montagem final e a embalagem.

A competitividade do produto feito no Brasil tem que ser avaliada distintamente (embora associada) em relação ao mercado interno e em relação ao mercado internacional.

(cont)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Desvio de rumos

O objetivo principal do "Minha Casa, Minha Vida" não é atender às necessidades de moradia da população. O mais importante é sustentar uma demanda para o setor de construção civil. Na suposição de que é fundamental para sustentar os níveis de emprego. Em segundo lugar ver o objetivo midiático eleitoral. Para os marketólogos o mais importante é um progrma ou ação que crie uma imagem positiva e que possa ser bem trabalhada para "mostrar serviço".
Depois desses objetivos maiores, vem o atendimento às reais demanda da população por moradia.

Para retratar a condição habitacional da população brasileira a Fundação João Pinheiro promoveu um amplo levantamento das condições de moradia e criou a figura do déficit habitacional, baseado em alguns indicadores que caracterizariam a condição insatisfatória de moradia, principalmente os elevados gastos com alugueis, face à renda. 

A cadeia produtiva da construção, habilmente, transformou o déficit habitacional em demanda habitacional de casas novas e conseguiu que o Governo adotasse um conjunto de medidas favoráveis ao desenvolvimento do mercado imobiliário. 

O Minha Casa, Minha Vida é um grande sucesso do ponto de vista da dinamização da construção de edificações habitacionais, mas um equívoco como programa para atender às demandas por moradia da população de baixa renda.

Os indicadores do fracasso estão em duas ocorrências: o lançamento de um livro sobre as favelas e a reação à desocupação de um hotel desativado no centro da cidade de São Paulo.

O primeiro mostra que favela não é problema, mas solução. As favelas mostradas como símbolo do déficit habitacional tem os seus moradores satisfeitos e que não querem sair de onde estão e onde moram. Não formam uma demanda habitacional.

A segunda é a existência de milhares de imoveis vazios, dentro das cidades que poderiam atender à efetiva demanda habitacional. Na falta de uma política adequada esses imóveis acabam sendo invadidos e cuja desocupação gera graves problemas sociais.

O Minha Casa, Minha Vida repete os erros dos programas criados juntamente com o Banco Nacional da Habitação -  BNH. Depois a sua extinção por ser insustentável financeiramente, e ter  gerado grande distorções, e de um  grande período de paralisação, caminhou no sentido correto para o atendimento às demandas habitacionais da baixa ou sem renda: a locação social. Foi criado o Programa de Arrendamento Residencial e um correspondente Fundo. Esse programa promoveu a recuperação de vários prédios desocupados na cidade de São Paulo. 

Com o Governo Lula, a estratégia foi abandonada e substituída, outra vez pela mito da "casa própria". O próprio FAR foi utilizado inicialmente para viabilizar o Minha Casa, Minha Vida, porque esse incorporava o conceito do subsídio habitacional.

Para a população de baixa renda a solução não é confiná-la em locais distantes dos centros urbanos, mas gerar opções mais próximas das fontes de trabalho e de renda. 

A grande disponibilidade de imóveis vazios nesses locais é o caminho.

Para isso é preciso retomar os caminhos principais, voltando atrás no atalho errado tomado pelo Minha Casa, Minha Vida. 


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Feitiço contra o feiticeiro

O PT está em risco de perder o poder. E Lula está desesperado com essa perspectiva. Ainda mais para uma ex-petista de origem pobre como ele. 
O principal responsável por esta situação é ele mesmo que, do alto da sua esperteza acha que pode eleger qualquer poste. Elegeu Dilma, em 2010, Fernando Haddad em 2012, mas dificilmente conseguirá eleger Alexandre Padilha, vulgo "palmilha" agora em 2014. Os que elegeu foram ou estão sendo sido um fracasso, com elevada probabilidade de serem derrotados. Ambos por incompetência gerencial. Dilma se mostrou uma geranta incompetenta. 

Pensam certo, mas agem errado. O resultado final de suas boas proposições é um fiasco. 

Para tentar reverter a situação, Lula está trazendo - de novo - para o primeiro plano a Petrobras, tentando repetir a estratégias que acuou Alckmin em 2006. Como a Petrobras está sob suspeita a alternativa é usar a imagem do pré-sal e a perspectiva de que o petróleo das profundezas do mar irá salvar a educação e a saúde brasileiras. É um grande engodo, mas com grande aceitação popular.

Na tentativa de enganar o eleitor procura desvincular o Pré-Sal da Petrobras, mediante intensa campanha para que a versão seja aceita como realidade. Mas as notícias diárias não lhe são favoráveis.

Ontem, em depoimento à distância, o ex-Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, imputou a total responsabilidade pela indicação de Paulo Roberto Costa ao Governo, na ocasião Lula e a designação ao Conselho de Administração, então presidido por Dilma Rousseff. A tentativa de ligar aquele diretor ao Governo FHC foi uma tentativa de fraude desmascarada. A cada fato novo que surge na imprensa, maior tem que ser o esforço de Lula, para vender a sua versão. Falta muito pouco tempo.

E, na quarta feira o ex-Diretor Paulo Roberto Costa, prestará depoimento da CPI mista. Pouco ou nada dirá, mas o ambiente não será nada favorável, com uma intensa pressão dos congressistas cujos nomes foram veiculados e também dos que estão envolvidos, mas continuam incógnitos. O resultado efetivo, para efeito do processo judicial será mínimo, mas o impacto político imenso. E prejudicará a campanha de Lula contra Marina, concentrada na questão do pré-sal. 

O problema de Lula é que ele está fazendo agora, contra Marina, exatamente o que ele condenava nos seus adversários que o atacavam nas campanhas anteriores, argumentando que se tratava de puro preconceito, por ele ter origem pobre. E no caso de Dilma, por ela ser mulher. E Marina já lhe respondeu com a mesma argumentação. O feitiço está se voltando contra o feiticeiro. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Povo nas ruas x povo nas urnas

As mais recentes prévias eleitorais, com alcances segmentados mais amplos, indicam circunstâncias cuja percepção foi recusada anteriormente: o povo que foi às ruas em junho de 2013 não era todo o povo brasileiro, mas apenas uma parte e a que foi não conseguiu contaminar todo o resto.
O povo de junho de 2013 era urbano, metropolitano, de jovens de classe média. 
Os políticos se assustaram com a repercussão, mas ao voltarem às suas bases perceberam que nem todo seu eleitorado tinha sido contaminado com as idéias e as posições defendidas e adiaram as decisões propugnadas pelas grandes cidades, a menos de algumas questões específicas:  não promoveram a decantada reforma política.

Os políticos "fisiológicos" voltarão ao Congresso Nacional, apesar da baixa de alguns notórios corruptos, barrados pela Lei da Ficha Limpa. Com o apoio dos seus eleitores. Ainda não será desta vez que o povo brasileiro fará uma mudança radical.

O principal indicador é a baixa repercussão eleitoral dos casos de corrupção na Petrobras. 

Por outro lado as manifestações de rua de junho de 2013 não tiveram lideranças, mas inciativas difusas, dentro das novas condições propiciadas pela tecnologia e uso das redes sociais. Pairava, no entanto, uma figura que poderia representar as aspirações desses manifestantes. As circunstâncias levaram Marina Silva a ser candidata à Presidência, gerando a perspectiva de que a perspectiva difusa pudesse se tornar realidade.

Diante do fato, o Governo e o PT se lançaram numa furiosa cruzada para desconstrução da imagem de Marina Silva, procurando demonstrar que ela não é o que o povo imaginava.

O PT e Dilma querem vender a imagem de que: 

"Ela não é firme, cheia de contradições e muito frágil, pessoalmente".

Ao contrário, Dilma seria uma mulher segura, firme, decidida e corajosa. A imagem de quem tem firmeza para governar o país, com idéias próprias, ao contrário de Marina, indecisa e submetida a interesses econômicos. 

Dilma mudou inteiramente os rumos da sua campanha, abandando a construção da imagem de uma "mãezona" que cozinha macarrão de terninho, que carrega crianças, para ser emergir como uma mulher dura, decidida que caminha militarmente, masculinizada, pisando duro. Está claramente buscando firmar um rumo entre as proposições do seu marketeiro e do seu mentor Lula. Irá ajustá-lo à medida que as pesquisas indicarem aceitação positiva ou rejeição. 

Está testando o seu arsenal e lançando o seu armamento com grande intensidade em batalhas prévias corre o risco de ficar sem munição na batalha decisiva, como já colocamos aqui. Essas não serão em setembro e ainda nos primeiros dias de outubro. Serão ao longo do mês de outubro. 

Do ponto de vista estratégico a campanha de Dilma está correndo um grande risco. Quer ganhar de toda forma no tempo normal, evitando a prorrogação.  Mas a ocorrência dessa é o cenário mais provável e, se ocorrer, será chegará muito cansada.

Aécio, a esta altura está fora do jogo, mas atrapalha as duas. Com a sua presença evita a possibilidade do "jogo" terminar no tempo normal. A prorrogação, ou seja, o segundo turno, é inevitável. 

As maiores estratégias tem que ser reservadas para essa etapa.

domingo, 14 de setembro de 2014

Apartamentos sem vagas

O mercado imobiliário se antecipou a uma das principais propostas previstas na revisão do Plano Diretor: a limitação de vagas.
O setor imobiliário parece ter dito ao Poder Público de que não é preciso estabelecer por lei, mínimos, nem máximos de vagas por apartamentos. O que define é o mercado.
O novo produto lançado pelo setor são grandes edifícios residenciais, com um "mix" de pequenos apartamentos, com apenas um dormitório, entre 25 a 45 m2, somados a alguns poucos de dois dormitórios de até 70 m. Os menores não teriam vagas de estacionamentos asseguradas, e os pouco maiores com direito apenas a uma vaga.
São edifícios lançados no centro da cidade próximos ou no entorno de estações do metrô, e tem tido grande sucesso de vendas. Um conjunto lançado na Avenida Ipiranga, próximo à Avenida Rio Branco e cerca de 200 m. da estação República, e um pouco mais distante da Luz, teria tido todas as unidades vendidas em  3 horas.
Um novo lançamento, esse junto, a uma das entradas da Estação Luz, com acesso direto à Linha Azul, mas com uma boa caminhada para a Linha Amarela e para a CPTM, em condições difíceis nos horários de pico, teria vendido todas as unidades menores nas primeiras horas, sobrando apenas as não tão pequenas.
O produto atrai mais os investidores do que os usuários finais, principalmente médios investidores dispostos a aplicar entre R$ 300 até R$ 500 mil para locação e ter renda mensal entre R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00, nas circunstâncias atuais, mas contando com valores maiores quando as unidades estiverem prontas, dada a valorização ocorrida com os lançamentos anteriores, que - inicialmente - se concentraram na região da Paulista.
A Esser, uma das principais incorporadoras desse novo produto está testando o mercado da Barra Funda, ainda que não tão próximos de uma estação do metrô, ficando além dos 400 ms. previstos na revisão do Plano Diretor, porém com grande disponibilidade de terrenos, atualmente ocupados por galpões de depósitos e de antigas indústrias. Nesse já oferece produtos um pouco maiores, mas a procura principal continua sendo dos menores, inteiramente vendidos no lançamento.
Isso significa que esses pequenos investidores acreditam, insuflados pelos corretores, numa demanda de "singles" ou casais que aceitam morar em apertamentos, por algum tempo, ou para uso eventual, contando com serviços de hotelaria.
Seria um produto para pessoas que optaram por residir bem em locais mais distantes do centro, com uma qualidade de vida melhor, como na Granja Viana, Embu das Artes e outras, continuando a trabalhar no centro, e não estão mais dispostas a enfrentar os congestionamentos da Rodovia Raposo Tavares ou da Régis Bittencourt  e corredor da Francisco Morato/ Rebouças /Consolação e querem um local para pernoite durante a semana.
Não estariam dispostos a ter como residência duradoura, mas consideram que seria um bom investimento para locação, quando a deixassem.
A demanda final seria formada por jovens solteiros ou casais que ainda não estariam dispostos à aquisição de um imóvel, em definitivo, "para toda a vida", mas um início independente dos pais, pagando aluguel.
Esses, diferentemente das gerações imediatamente anteriores, não teriam a cultura automobilística, aceitando se deslocar pelos meios coletivos ou de forma não motorizada, mas que com a vinda de filhos, passariam para outro imóvel, maior, com carro e vagas.
Na perspectiva de médio prazo, mais jovens entrariam nessa tribo dos "sem carro", mas tenderão - pelas perspectiva demográficas - a serem em menor número total e em relação à população total. Em contrapartida os que alcançam a maturidade, com ascensão econômica, estariam comprando mais carros.
O investimento que hoje tem rápida valorização corre o risco de desvalorização, ao longo do tempo, como ocorreu em outras cidades e locais, sem ter melhorado as condições de congestionamento nas vias púbicas.
A grande indagação é se esses lançamentos e rápida comercialização correspondem a uma revitalização do centro ou a uma bolha imobiliária?
A inexistência de vagas será um fator positivo ou um fator de desvalorização imobiliária como ocorreu com diversos apartamentos ainda existentes no centro da cidade?

sábado, 13 de setembro de 2014

O jogo se decide na prorrogação

Em termos eleitorais significa decisão no segundo turno, se houver.
Um candidato que está bem à frente, digamos ganhando de 2 x 0, ficará na defensiva buscando evitar que o adversário surpreenda, marque 2 gols fulminantes, empate o jogo e o leve à prorrogação.
O adversário em desvantagem, buscará o empate.
Mas quando o jogo está empatado o adversário mais fraco buscará mantê-lo.
Aquele que ficou fora da final tem que pensar nas eleições futuras. 
A tendência, dos times - jogadores e técnicos - no entanto, é só pensar no imediato e não na batalha futura. E ai que os bons estrategistas ganham a guerra.

Aécio é um mau estrategista: vai perder a eleição de 2014 e por incompetências estratégicas - atropelado por circunstâncias - está comprometendo o seu futuro político. Apesar de ser mineiro, neto de Tancredo Neves, não soube reagir como político mineiro.

Dilma também está se mostrando má estrategista, tentando ainda ganhar no tempo normal, isto é, no primeiro turno, evitando o segundo. Para isso está colocando todo o seu imenso arsenal nas batalhas. Corre o risco de ficar "sem munição" no segundo turno.

A principal disparidade de munição está no tempo de televisão e rádio. No segundo turno os tempos serão iguais. Dilma perderá a vantagem que tem agora.

Priorizou o ataque de "desconstrução" da adversária, com todas as suas forças. Se com isso não conseguir ganhar no primeiro turno, terá criado na adversária todos os anticorpos, todas as defesas. 

Por outro lado, Marina Silva, até porque não dispõe de munição não está podendo usar todo seu potencial, resistindo na defesa "fechando o campo".

No segundo turno terá um reforço de munição. 

Poderá passar para o ataque, conhecendo bem como a adversária irá jogar, com um time mais cansado. 


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Estratégias futuras

Evidentermente é um pleonasmo ou tautologia, como subir para cima.
Mas numa campanha presidencial os candidatos não tem (ou não devem ter) como objetivo apenas a conquista da cadeira presidencial, mas também eleger governadores, fazer uma forte bancada no Congresso, seja no Senado, como na Câmara. Os que estão na disputa direta pela Presidência tem que estar inteiramente voltados a sua candidatura presente. Os demais, sem grandes chances de vitória tem que montar a sua base estadual e a candidatura futura.
Aécio Neves e o PSDB tem que montar essa estratégia. Não se trata de reconhecer a derrota agora e "jogar a toalha". Um dos objetivos será alcançado com a vitória de Marina Silva: apear o PT do poder. Mas esse pode voltar em 2018, principalmente se o PSDB comparecer dividido o que é possível: Alckmin ainda não abandonou ou sonhos de ser Presidente. Com eventual apoio de Marina Silva e Márcio França, candidato a permanecer no Governo.

Aécio, sem mandato, terá que percorrer todo o Brasil, para consolidar a imagem que a campanha atual deu visibilidade. 

E tem que amadurecer uma proposta para o Brasil.

Não estando na disputa direta não precisa apresentar propostas populistas para agradar "gregos e troianos".

Com relação à gestão monetária não tem grandes opções: mas precisa atacar os juros altos que são a principal sangria das contas públicas. 

Não há possibilidade de alcançar o equilibrio fiscal com juros elevados. Por outro lado, sem juros elevados o Governo não consegue levantar recursos suficientes para manter os seus gastos. 

Diferentemente de Dilma que tentou e não conseguiu viabilizar um caminho alternativo, Marina deverá desenvolver a mesma política monetária propugnada pelo PSDB. Esse tem que ajudar o novo Governo a ter sucesso nesse rumo, e defendendo-o de medidas demagógicas contrárias como o fim do fator previdenciário, sem um mecanismo substitutivo. O problema não é o fator previdenciário, mas a compressão dos benefícios dos aposentados privados com renda média. Aposentadorias precoces tem que ser desestimuladas. 
Para enfrentar o envelhecimento da população não há outra solução que o sistema 


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mudança de estratégias

Durante uma guerra os generais precisam ter capacidade de mudar as estratégias em função de mudanças no jogo de forças. Aquele que teima em manter estratégias conservadoras corre maior risco em ser derrotado.
Os ataques de Dilma contra Marina pela autonomia do Banco Central, acusando-a de ser a candidata dos banqueiros é uma mudança substancial de estratégia. Indica que, afinal, Dilma resolveu aceitar as ponderações de Lula, adotar uma linha mais política e ideológica, deixando de se ater exclusivamente nas orientações do marketólogo. A sensibilidade política de Lula é superior a todas as informações captadas pelo marketing eleitoral. A visão de Lula é que as campanhas devem ser mais ideologizadas. E enfatizar a imagem do pobre x rico, do povo contra a elite.
Aparentemente o resultado foi positivo e Marina sentiu o golpe. 
O eleitorado não deu maior importância aos escândalos da Petrobras, acatou a imagem da dependência de Marina com os banqueiros, em função de amizade pessoal com uma herdeira de um grande banqueiro. Embora ela seja uma educadora e não se envolva nos negócios bancários. Mas a versão acaba sendo sempre mais importante do que a verdade. É o que mostram as últimas pesquisas. 
O problema é que a mudança de tendência - ainda que pequena - não exclui o segundo turno e essas estratégias podem perder eficácia. 

Por outro lado, Aécio surpreendido por uma suposta "intervenção divina" que derrubou o avião de Eduardo Campos e a sua candidatura, continua acreditando em outra intervenção, agora a seu favor.
Quando o jogo de forças muda a seu desfavor manda as regras da estratégia que ele recue, reorganize as suas forças para uma batalha futura.

A menos da ilusória "intervenção divina" o PSDB e Aécio Neves tem que se reorganizar para 2018 ou 2022. 2014 está perdida e se não reconhecer vai perder de 7 x 1. 
Não pode perder tempo combatendo Marina. E tem que cuidar preferencialmente do seu "curral eleitoral". Não pode perder em Minas Gerais para Dilma. E não pode "entregar" ao PT o Governo de Minas Gerais. 

Mas, dada a sua incompetência estratégica e teimosia vai deixar ocorrer essas duas situações. O PSDB terá condições de recompor. Aécio não. Naufragando em Minas e sem mandato, irá submergir na política nacional. O que restará será uma eventual candidatura ao Senado Federal, por Minas Gerais em 2018. O candidato presidencial pelos tucanos será o veterano Geraldo Alckmin ou o novato Beto Richa, ambos com grande possibilidade de ganhar as eleições nos seus respectivos estados, ainda no primeiro turno. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Economia criativa e educação

Economia criativa deverá ser a principal sustentação do crescimento econômico dos paises com a criação de soluções baseadas na inteligência para atender às necessidades e aspirações das pessoas. 
Está na agenda de todos os candidatos à Presidência, mas com proposições tradicionais.
Os candidatos são preponderantemente de gerações mais velhas e propõem soluções analógicas para problemas digitais.
A educação é uma base importante, mas a solução não está em mais escolas. Tampouco em aumentar os recursos para a educação.

Pode-se formar uma grande base, mas os gênios não aguentam ficar em sala de aula ouvindo professores chatos repetindo o conseguem saber mais pela internet.

Para o desenvolvimento da economia criativa é preciso mudar profundamente o processo de aprendizagem. 

A questão crucial é como formar a base do conhecimento, o aprendizado dos fundamentos e a compreensão do conjunto de conhecimentos.

Não ir às salas de aula não quer dizer deiar de estudar. É preciso muita leitura, muita pesquisa , muita conexão e, principalmente, muita disciplina.

O principal aprendizado está na conexão dos dados. Um dado levantado antes ganha outro significado com a percepção de um novo dado. Isso pode mudar substancialmente a interpretação e a conclusão. Não há mais percepções definitivas. E é preciso estar aberto para mudar de opinião.

Apesar de ser de uma geração analógica tendo ser digital, pesquiso muito pela internet, com alguma facilidade, mas percebo que essa facilidade decorre de todo um conhecimento anterior. É como se você se visse diante de uma floresta e para caminhar por ela precise conhecer os sinais que ela oferece: a espécie das árvores, as eventuais clareiras, as condições do chão, o animais, etc. 
Se você não tiver o conhecimento, nem um GPS o melhor é confiar no índio ou no mateiro que sabem decifrar os sinais.

Os caminhos não são lineares, mas a cada novo dado você pode identificar novas conexões e novos caminhos. Mas você pode voltar e fazer a releitura do anterior, percebendo o que não havia percebido na primeira leitura. 

É um processo de agregação contínua de conhecimento, não linear com sequências aleatórias, mas que tem base em fundamentos teóricos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O legado de Joaquim Barbosa

Delação premiada não é novidade, mas pouco praticada nos crimes de quadrilhas, com grande repercussão pública, como os de corrupção organizada no setor público.
No maior escândalo já evidenciado - o "mensalão" o julgamento dos crimes apurados resultou em punições desequilibradas entre os diversos componentes da quadrilha. Os mentores tiveram penas relativamente leves e estão próximos a sairem da prisão. O principal operador, Marcos Valério, recebeu as maiores penas. Os seus sócios embora apenas coniventes também passarão uma grande parte ou a totalidade do resto das suas vidas atrás das grades. As secretárias que cumpriam ordens, sendo as principais mensageiras da entrega do dinheiro, sem terem se beneficiadas largamente com o esquema, vão pagar pela obediência e lealdade aos ex-chefes.
Ninguém quis fazer a delação premiada. Marcos Valério, próximo ao final do processo, até tentou, mas ai já era tarde demais. Delação premiada é aceita quando auxilia as investigações ainda sem grandes descobertas. Quando os crimes e os criminosos já são conhecidos, a delação não é premiada. 
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No mensalão os participantes não fizeram, não aceitaram porque acreditavam na impunidade. Contaram com a proteção do PT, no poder. Confiaram nos chefes maiores, mas esses  cuidaram de si e deixaram os "bagrinhos" pagarem por eles.
Joaquim Barbosa, na relatoria do processo foi inflexível, e não amenizou a participação menor das personagens secundárias.

A consequência efetiva do julgamento do "Mensalão" é a delação do ex-diretor da Petrobras e os depoimentos prévios (não oficiais) da mensageira do dinheiro do principal operador do sistema montado. Ele não quer pagar mais que os beneficiários maiores. Não quer ser um novo Marcos Valério. 

Delação não faz sentido quando impera a sensação de impunidade. O prêmio depende da Justiça, mas a delação em si causa enormes impactos políticos.

Esse sistema tem uma parte tradicional e conhecida. Depois entra por caminhos tortuosos ainda não inteiramente identificados e a parte final também volta para caminhos conhecidos. Mas foi a lavagem do dinheiro que levou a Polícia Federal do Paraná a prender o doleiro Alberto Youssef e, como "dano colateral" o ex-diretor de abastecimento da Petrobras.

A Petrobras é a maior investidora do país. Dentro do PAC aparece sempre com a maior fatia. Os seus maiores investimentos são em exploração e produção, que envolvem as plataformas de petróleo, equipamentos complementares, caracterizados como "upstream". O refino do petróleo, para a produção da gasolina e demais derivados é caracterizado como "downstream" e os investimentos ficavam sob responsabilidade da Diretoria de Abastecimento, ocupado durante muitos anos por Paulo Roberto Costa. 
Embora funcionário de carreira da Petrobras foi guindado à Diretoria por indicação política do PP.
Ao longo de oito ano de sua permanência no cargo, designado e suportado por acordos políticos, movimentou contratos superiores a 100 bilhões de reais, sendo a maior a construção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco.

Embora a Petrobras siga as regras da licitação pública, ainda que com alguma flexibilidade, os processos eram montados, sob a gestão de PRC, para favorecer algumas contratadas que tinham obrigação de contribuir com uma parcela do contrato entregue a um operador, supostamente o doleiro Alberto Youssef. Esse promovia a "lavagem do dinheiro", parte no exterior, legalizando as saídas das contratadas/ contribuintes e as transformava em "dinheiro vivo" que era entregue a beneficiários, entre eles Governadores, Senadores e Deputados. A contrapartida deles era o apoio à permanência de PRC na Diretoria de Abastecimento, assim como de outros diretores para dar suporte àquele, evitando o levantamento de suspeitas. Youssef era o operador do "propinoduto" do que pode ser alcunhado de "Petrobolão". 

Tendo em vista os resultados do julgamento do Mensalão, PRC não quer correr o mesmo risco de Marcos Valério. O seu risco maior é ser assassinado. Mas, por outro lado, não quer sobreviver recluso, enquanto os principais beneficiários poderão escapar: inteiramente ou com penas brandas. Resolveu delatar quem deveria receber os "beneficios", através do doleiro, sem manter qualquer relacionamento direto com eles, a não ser por questões ou condições oficiais. 
A Polícia Federal confirmou a deleção premiada e antecipou que havia políticos envolvidos, condição essencial para o processo ser encaminhado ao STF, em função do foro privilegiado. O conteúdo dos depoimentos está em segredo, com a tecnologia atual, não por sete chaves comuns, mas por sete chaves criptografadas. Não é provável que tenha vazado para a Veja. Se o foi, não ocorreu como "furo jornalístico" mas com a intenção deliberada de tumultuar o processo e fazer com que a delação premiada não seja aceita pelo Juiz do STF, Teori Zavaski.

Lendo a edição da Veja, ela deixa as pistas para chegar à lista: é das entregas feitas ou gerenciadas pela contadora do doleiro Alberto Youssef.

Ninguém recebeu nada diretamente de PRC, mas podem ter recebido como entregas da lavanderia. 

Podem contestar com veemência que não ou mal conhecem PRC e nunca terem recebido algum dinheiro dele, sem incorrer em mentira. A sua participação era acertada em outros canais e era recebida por interpostas pessoas.

Por isso fica a indagação sobre o organograma do esquema. Provavelmente o operador / distribuidor principal ficava em um apartamento de hotel, recebendo as partes. Se PRC não ia encontrá-lo diretamente, quem deveria ter ido seria o seu chefe. E o "capo del capo" era liberado das operações específicas para poder afirmar que "não sabia de nada". 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Como as coisas funcionam

Os negócios gerenciados pelo então Diretor de Abastecimento da Petrobras,  Paulo Roberto da Costa, envolve - de um lado - o acordo com as empresas que, como contrapartida à contratação pela Petrobras dentro daquela Diretoria contribuiam com uma propina.
Esses acordos seriam promovidos diretamente pelo Diretor de tal forma que na delação premiada a lista das contribuintes será a principal contribuição do delator para as investigações. Por esta razão a delação deverá ser homologada pelo Ministro Teori Zavaski.

Os indícios até aqui revelados indicam que os depósitos dos contribuintes eram feitos no exterior, o que faz sentido. Grande parte dos contratos envolve o fornecimento de equipamentos e materiais importados, de tal forma que a contribuinte nacional poderia mandar as divisas em compras superfaturadas, até mesmo para subsidiárias especialmente criadas para tal.

Uma parte, provavelmente a menor, era feita diretamente em notas de reais, recolhidas nas empresas contribuintes, levadas a um local para a separação e posterior distribuição aos beneficiários finais.

Supostamente tanto a operação externa como a interna era realizada pelo doleiro Alberto Youssef, a manda de PRC.  Mas este não tinha contato direto com os beneficiários. 

Na delação premiada ele pode dar o nome dos beneficiários, mas nem eles como aquele tem provas: nesse negócio ninguém dá recibo. Os beneficiários podem negar os recebimentos e qualquer ligação com PRC. Como alías já vem fazendo.

A lista, ainda oficiosa, pode vir a tona. Mas não muda o cenário. As provas dependem dos testemunhos de pessoas que participaram diretamente das operações. Uma das mensageiras já se pronunciou. O principal operador ainda não.

As negativas podem evitar condenações judiciais, mas o impacto político é imediato e profundo.

Mas há uma questão crítica, que precisa ser desvendada. Se PRC não acertava diretamente com os beneficiários, com quem ele acertava a lista desses? Quem era esse poderoso "chefão"? Ele irá delatá-lo? Como ele irá explicar a formação da lista?

Há dois caminhos plausíveis, dentro dessas circunstâncias. Ele fazia o contato direto com esse "distribuidor" ou o fazia através de um figura interna mais importante que se encontraria com aquele. 

Quem são eles? Existem ou são criações imaginárias da Teoria da Conspiração?

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