quinta-feira, 31 de julho de 2014

Profecias auto-realizadas

A Presidenta vem repelindo, com a sua habitual irritação, as previsões pessimistas do mercado e de analista políticos, contrapondo a essas o que ocorreu com a Copa.
As previsões pessimistas foram de que "ia dar tudo errado", maculando a imagem externa do Brasil e causando a maior vergonha:

  • os estádios não iriam ficar prontos, levando ao cancelamento de alguns obrigando a remanejamentos;
  • as obras de mobilidade urbana não ficariam prontas, gerando problemas de mobilidade e de acesso aos estádios;
  • nos dias de jogos as cidades iriam parar, com os congestionamentos;
  • o comércio teria perdas com os feriados e restrições nesses dias;
  • as obras dos aeroportos não ficariam prontas, gerando caos com o maior afluxo de turistas;
  • haveria brigas dentro dos estádios, entre as torcidas, com quebra-quebras;
  • haveria tumultos fora dos estádios, com os anti-copa e os black blocs promovendo manifestações que acabariam em vandalismo;
  • a falta de segurança generalizada afastaria os turistas, com grande volume de cancelamentos;
  • a elevação dos preços dos hotéis e dos restaurantes e dos produtos em geral ampliaria a impressão de que o Brasil é um país caro, para os turistas estrangeiros;
  • muitos turistas viriam atraidos pelo turismo sexual e, finalmente, 
  • a seleção da CBF não passaria das oitavas de final: mesmo que passasse da primeira fase, seria derrotada pela Espanha ou pela Holanda.
Muito das previsões pessimistas se efetivaram, mas foram abafadas pelas ocorrências favoráveis que geraram uma imagem positiva de organização da Copa da FIFA.

Os estádios não ficaram inteiramente prontos, mas com o essencial para a realização dos jogos. A falta do padrão FIFA foi abafada e esta teve que desembolsar -  a contragosto - o seu dinheiro para completar instalações temporárias. Não houve necessidade de nenhum remanejamento.

Das obras de mobilidade urbana programadas apenas uma pequena parte foi concluída à tempo, mas não causaram grandes transtornos a não ser em algumas cidades, como Natal. 

As obras dos aeroportos não ficaram prontas, com algumas exceções. Não houve caos e as que ficaram prontas tiveram subutilização porque os turistas de negócios que são os principais usuários dos voos aéreos deixaram de vir.

As manifestações contra a Copa foram abafadas por ação preventiva e repressiva das autoridades de segurança.

Muitos compradores prévios de pacotes da Match cancelaram os seus pedidos, dando origem à comercialização paralela de ingressos dos jogos das fases finais.

Mas acabaram vindo mais turistas do que o esperado, dada a invasão dos "hermanos" da América do Sul e também dos mexicanos. Mas foram os europeus que chamaram mais atenção.

Os turistas estrangeiros ficaram com a impressão de que o Brasil é um país caro e o turismo sexual andou solto, tanto o profissional como o não. 

Os levantamentos vão confirmar que o PIB ao invés de aumentar, como estimava o Governo, vai confirmar as previsões pessimistas, com queda no ano e, especificamente, nos meses de junho e julho.

Finalmente a seleção da CBF acabou passando das oitavas, não tendo que enfrentar nem a Espanha como a Holanda. Avançou na Copa América superando o Chile e depois a Colômbia, mas acabou sucumbindo de forma trágica e vergonhosa perante a Alemanha.

Mas nem a fragorosa derrota perante a Alemanha e depois contra a Holanda, superaram a imagem positiva promovida pelo povo brasileiro que, com a sua alegria e hospitalidade, encantaram os turistas e a mídia internacional que cobriu a Copa no Brasil.

A grande esperança de Dilma, x, é que nas eleições se repita o processo.

Mesmo que as previsões pessimistas sobre a economia e sobre o quadro geral do país se efetivem, o povo votaria pela alegria, pela esperança: e ... nela.

O problema de Dilma "uma mulher à beira de um ataque de nervos" não encarna essa alegria e essa esperança.

Nem os seus principais opositores. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os objetivos não explicitados de Skaff

Os últimos movimentos de Paulo Skaff indicam que o objetivo real dele não é o Governo do Estado, pelo menos de imediato, mas provavelmente a Prefeitura de São Paulo, em 2016, voltando a concorrer ao Governo em 2018. Se as circunstâncias forem favoráveis poderá concorrer à Presidência, com o PMDB, depois de muitos anos a ter um candidato próprio.

Por que o seu objetivo imediato não é o Governo do Estado? Porque se assim o fosse não estaria se opondo ao PT que seria fundamental para a disputa do segundo turno. A esta altura do processo eleitoral , mesmo sem o início do horário obrigatório, Skaff tem maior possibilidade de ser o concorrente de Alckmin, do que Padilha, num eventual segundo turno. Ele não estaria contando com essa possibilidade, preferindo que Alckmin ganhe no primeiro, com ele em segundo.

Por que isso? Porque disputar um segundo turno com grande desvantagem é o prior negócio econômico do mundo. Não conta com o dinheiro dos financiadores. Tem que usar os seus recursos para uma campanha cara e pouco útil.

O que ele quer é avaliar o tamanho do seu cacife eleitoral, ainda no primeiro turno.

Com esse cacife ele irá querer disputar a Prefeitura de São Paulo, contando que Haddad com o desgaste não será reeleito, mas será o candidato do PT. A menos que Marta consiga convencer Lula de que ela é a solução mais competitiva.

Não será fácil porque terá que enfrentar Russomano. E o PSDB, se não tiver alternativa competitiva, poderá concorrer com Serra, embora o projeto dele seja a eleição de 2018.

Mas, aparentemente, o seu projeto maior é assumir o comando do PMDB de São Paulo e através desse, o partido nacionalmente.

Ele quer destronar Michel Temer que já não tem cacife eleitoral e depende - para sobreviver politicamente - da eleição para a VicePresidência.

Se Dilma perder e Temer, junto com ela, Skaff terá um caminho com menos obstáculos para tomar conta do PMDB. Ele já ajudou a desconstruir o seu principal adversário dentro do PMDB de São Paulo: Chalita.

É uma grande pretensão? É. Mas qual é o político que não tem grandes pretensões? Ainda mais quando as circunstância são favoráveis. 

Quem me contou isso tudo? Não foi o famoso passarinho. São meras e fantasiosas ilações da Teoria da Conspiração. 



terça-feira, 29 de julho de 2014

Carta aos Brasileiro 2

O Banco Central adotou uma medida aparentemente estranha e contraditória: mantém os juros e libera recursos dos depósitos compulsórios, elevando a disponibilidade de crédito caro para o mercado.

Se o objetivo do BC é controlar a inflação, a medida irá acelerá-la. enganando os consumidores. Haverá mais crédito para se vender mais a preços mais caros, disfarçados na manutenção dos valores das prestações. O número de parcelas é que irá aumentar. Para efeito do cálculo da inflação, o que vale é o preço total. 

Com o aumento das compras a produção deverá crescer, mas reprimidas pelo aumento de preços. 

Porém atrás dos discursos e das explicações técnicas dos economistas, a razão principal não seria técnica, mas política.

Seria um agrado do Governo, inspirado por Lula, aos banqueiros e aos investidores. Os investidores continuariam tendo ganhos reais com os juros elevados, mesmo que a inflação aumente.

Mas o lucro principal será dos banqueiros. Eles poderão usar recursos esterelizados para empresar a juros elevados.
Seria um agrado "escondido" para que eles deixem de se opor à reeleição de Dilma, ajudando os opositores e passem a financiar mais a Presidente. Lula sempre fez um discurso contra os banqueiros e deu benefícios, como nunca antes havia no país. 

Em 2001 com a possibilidade de eleição de Lula, o mercado ficou apreensivo e o dólar foi às alturas. Os juros subiram e a inflação ameaçou ficar fora da meta. Lula fez uma "carta aos brasileiros" para acalmar o capital e conseguiu. Restabeleceu a confiança do empresariado e o mercado voltou à normalidade. Agora ele procura repetir a estratégia para a reeleição de Dilma, sem uma nova missiva formal, mas com um recado claro através do Banco Central.

A medida não é errática, como muitos estão achando. É muito pragmática e confirma que o Banco Central perdeu inteiramente a independência, funcionando como instrumentos político-eleitoral do Governo.

A unica esperança para os demais  é que com a remuneração do dinheiro deixado compulsoriamente no BC ora liberado, os spreads possam cair e os juros finais para os consumidores caiam. Afinal os banqueiros poderiam dividir com os tomadores os enormes ganhos que vão ter com a medida adotada pelo Governo. Não por desejo próprio, mas por pressão governamental. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Opinião publicada, não publicada, inernauta e nem-nem

A opinião política do conjunto da sociedade pode ser desdobrada em algumas categorias básicas: opinião publicada, a não publicada, a internauta e a nem-nem.

A opinião publicada é a que decorre do que é publicado nos jornais, revistas, pelo rádio e televisão, ou sejam, as mídias tradicionais. Esse segmento formado, predominantemente, por pessoas adultas e de maior educação, é influenciada e influencia o noticiário e as opiniões desses meios. Não forma opinião, mas explicita a opinião que seus seguidores não conseguem expor. E gera a importância das opiniões.

A opinião não publicada é a que não acompanha a mídia tradicional, ou quando a acompanha é apenas para ver o noticiário do futebol, da violência e das tragédias. Não é influenciada diretamente pelo noticiário político, tampouco pelos colunistas que se pretendem "formadores de opinião". O são, mas apenas para a primeira categoria. Não para esta.

As novas mídias, não convencionais geraram uma nova categoria: a que poderíamos chamar de opinião internauta. A que é formada pelas redes sociais, principalmente o facebook, twitter e os blogs. Poucos blogs de opinião política tem grande público, mas alimentam as "postagens" no facebook ou twitter, supostamente, formando uma opinião internáutica.

As curtidas e comentários seguiriam o mesmo processo da opinião publicada formal. Não forma a opinião, mas engrossa a fileira dos que pensam de forma semelhante. As postagens ajudam a explicitar o pensamento dos seguidores. 

Finalmente existe a categoria dos "nem nem". Nem acompanham a mídia tradicional, nem as novas mídias. O seu meio de informação é o boca a boca dos parentes ou dos amigos. A sua opinião política é formada por eles.

As enquetes pré-eleitorais não perguntam sobre o meio de informação que os pesquisados tiveram ou tem para dar as suas respostas. 

Para entender melhor a opinião pública a distinção entre essas categorias seria fundamental. 

domingo, 27 de julho de 2014

Quem organizou a Copa das Copas (para os alemães)

A Copa do Mundo da FIFA de 2014 foi um grande sucesso. Só não foi para a seleção de futebol da CBF, que representou o Brasil na competição.
O Governo se gaba de ter organizado a Copa das Copas. Mas de quem foi efetivamente a organização da Copa?
Como já comentamos anteriormente, a Copa tem diversas dimensões, cada qual com a sua organização. Como administrador, por formação e consultor em organização, por profissão, tenho o viés de ver a organização como um processo programado, e não como resultado de processos aleatórios e circunstanciais, que acabam dando certo.

Dentro dessa ótica quem organizou com sucesso da Copa da FIFA de 2014 foi o povo brasileiro com o seu jeitinho brasileiro. 

O Governo não organizou a Copa e a sua parte não foi cumprida, mas não empanou o sucesso, em parte, porque não era necessária.

A organização da FIFA deixou muito a desejar, mas o sucesso nos gramados e nas arquibancadas encobriu todas as falhas. Ela mesmo reconheceu algumas, mas ao final uma nota em torno de 7, numa escala de zero a dez seria razoável.

O resultado da organização da CBF foi marcado pelas humilhantes derrotas perante a Alemanha e a Holanda.

Ao Governo Federal coube apoiar a construção ou reforma de 12 estádios para receber os jogos. 
O Governo Federal não empreendeu as obras de nenhum estádio. Foram todos feitos pelos Governos Estaduais ou pelos clubes. O Governo Federal apoiou com financiamentos e benefícios fiscais.
Ainda que incompletos os estádios construidos ou reformados  foram suficientes para abrigar os jogos, em maiores problemas. Ficaram, como principal legado, enormes dívidas que não serão pagas com as arrecadações dos jogos, a menos do Itaquerão, mesmo assim a longo prazo. E no caso dos Governos Estaduais comprometeram receitas futuras.

O Governo Federal não cumpriu a sua parte nos aeroportos, mas não houve maiores problemas, porque não era essencial.

As pessoas do ramo sabiam e aqui também comentamos oportunamente que haveria uma redução substancial do movimento aéreo e aeroportuário no periodo da Copa por conta da suspensão dos eventos geradores do turismo de negócios. 

A dúvida era se o movimento turístico para a Copa compensaria a dimiunição do movimento para negócios. 

Compensou, mas não acrescentou. Ou seja, o movimento aeroportuário dos meses de junho e julho ficaram pouco abaixo dos anos anteriores. Não houve o caos que alguns - por ignorância dos fatos - alardearam. 

O Governo e a Infraero usaram a Copa para estabelecer regimes diferenciados para acelerar as contratações, mas já se sabia, no momento das contratações, que a maior parte das obras não ficaria pronta para a Copa. Só duas concessionárias de aeroportos acreditaram que os prazos eram para valer. E o Terceiro Terminal de Guarulho ficou pronto e vazio durante a Copa. Não era e não foi necessário.

Das obras de mobilidade urbana poucas eram essenciais para a Copa. Nenhuma ficou pronta completamente. O Governo cuidou de promover inaugurações parciais. Mas não eram e não foram necessárias, com exceção de Natal. 

Se as obras não ficaram prontas, mas não comprometeram a organização da Copa, o que aconteceu?

Simples. Não eram necessárias. A Copa foi usada como pretexto para financiar a execução das obras que estavam nos planos e não conseguiam começar. Com a expectativa da Copa começaram, mas agora que a Copa passou, a dúvida é quando vão terminar.

Ao Governo Federal, em apoio aos Governos Estaduais e Municipais coube a segurança fora dos Estádios. Houve uma grande mobilização, mas a atuação do Governo Federal não foi necessárias. Mas ajudou a reequipar as Forças Armadas. 

A Polícia Federal foi mobilizada e preparada para diversos cenários catastróficos desenhados de ataques ou problemas com as delegações. Nenhum desses ocorreu ou foi abortado, sem que a sociedade tomasse conhecimento.

Os Governos Estaduais deram conta, com ações preventivas - incluindo as repressivas prévias - das manifestações populares contra. Fora da cobertura pela televisão a maioria da população brasileira não viu nem soube dessas manifestações.

Então, se a preparação foi falha, a organização da FIFA teve falhas e a organização da equipe da CBF um fracasso, porque o resultado e a imagem final foi de uma "tremenda organização" pelo Brasil da Copa de 2014?

Por que não ocorreram problemas maiores, os turistas estrangeiros foram muito bem recebidos pelos brasileiros ficando encantados com a hospitalidade e, tirando os fracassos da Espanha, no início, e do Brasil no final, a Copa, em termos futebolísticos foi a Copa das Copas. 

Na organização da Copa da FIFA de 2014 funcionou a famosa "lei de Murphy" ao contrário: "se alguma coisa podia dar errado, não deu. E se alguma coisa poderia dar certo deu." As zebras pastaram à vontade nas fases iniciais, mas acabaram devoradas pelos leões, nas fases finais. 

Tudo funcionou na base do jeitinho brasileiro. Só não funcionou com a CBF que resolveu montar um time europeu.




sábado, 26 de julho de 2014

Brigas por vagas em condomínos

As brigas por vaga seriam o terceiro fator de conflitos nos condomínios.
Reportagem mostrada repetidamente pelo noticiário dá conta de um abalroamento proposital de um condômino no carro do seu vizinho que o havia deixado mal posicionado, em cima da faixa, dificultando as manobras do abalroador.

O que acontecerá nos condomínios com a redução de vagas prevista na nova lei do Plano Diretor? As pessoas deixarão de ter o carro, buscarão apartamentos em condomínios onde há maior disponibilidade de vagas ou aumentarão os conflitos pela escolha das vagas ou pelo seu uso?

As restrições se baseiam em um equívoco: o de que o aumento da frota elevam os congestionamentos. Aumento da frota não significa, necessariamente, maior circulação de veículo nas ruas.

Não adianta alimentar a ilusão de que, a curto e médio prazo, haverá redução da frota ou, uma redução da velocidade do aumento.

A indústria automobilística é ainda um dos mais importantes pilares da economia mundial e qualquer reestruturação do composição da produção só ocorrerá - se ocorrer - a longo prazo, com o desenvolvimento de novas alternativas de produção e de empregos. 

No Brasil, o Governo Federal mantém os benefícios ao setor, para sustentar o nível de empregos, já em queda. A indústria automobilistica precisa produzir e vender mais carros. As frotas irão aumentar em todas as metrópoles brasileiras.

As pessoas querem ter um carro. Hoje, para muitos, é mais importante do que ter a casa própria. Mas ter a posse do carro não significa que vá usá-lo cotidianamente.

Cada vez, mais pessoas - com menor renda - tem acesso ao carro, em função das condições de financiamento, mas não o usam todos os dias para o seu trajeto casa-trabalho-casa.

A principal razão é a dificuldade de estacionar, sem custos, na proximidade do seu destino, ou o elevado custo de estacionar em locais pagos.

Essas condições afetam também a classe média, que busca morar mais próximo dos seus locais de trabalho, em áreas de ocupação mais densa o que significa que terão maior dificuldade de encontrar uma vaga na via pública. Precisarão ter vagas dentro do seu condomínio, onde a oferta também será menor, diante da nova regulamentação definida no Plano Diretor. 

A sua alternativa será buscar áreas menos densas, onde possa ter mais alternativas de deixar o seu carro ou um dos seus carros na via pública.

Esse comportamento irá de encontro (ou seja contra) os objetivos do Plano Diretor que é o de adensar determinadas áreas da cidade, os eixos de transformação.

Os moradores nessas áreas tenderão a usar mais o transporte coletivo para os seus deslocamentos cotidianos, mas não dispensarão a posse de um ou mais carros. Para isso precisam de vagas para deixarem o seu carro parado enquanto trabalham. Mas querem usá-lo para as outras atividades urbanas, seja durante a semana, fora do horário comercial, nos finais de semana ou nas férias. Poucos serão os que dispensarão inteiramente o carro.

Para reduzir o volume de carros em circulação a solução não é restringir vagas, mas aumentar substancialmente o número de vagas privadas.

"Se o aumento da frota é inevitável, relaxe ..... e deixe o carro na garagem."



sexta-feira, 25 de julho de 2014

A minoria estridente pauta a agenda do Prefeito

O Prefeito Fernando Haddad faz parte das minorias estridentes, apesar de pessoalmente, ser uma pessoa contida e discreta. Na linguagem atual não é um ativista, mas um adepto. 
Essas minorias ativas, com o apoio dos silenciosos adeptos o elegeram e agora pautam a sua administração. 
As minorias continuam insatisfeitas, apesar dos grandes avanços obtidos com a Administração Haddad porque saindo de patamares muito baixos, sempre querem mais. 
As maiorias começam a perceber que os sonhadores desejos das minoriais causam mais problemas do que trazem solução, a curto prazo. O resultado é a desaprovação da sua Administração.

Não considerando aqui os movimentos dos sem teto, do qual trataremos em outra ocasião, essas minorias são formadas, principalmente,  por uma classe média dos "não quero carro" a qual acredita que:

  • se forem estabelecidas restrições para a circulação e estacionamento dos carros haverá menos carros na cidade, melhorando a mobilidade urbana;
  • se houver melhoria na velocidade de circulação dos ônibus, os motoristas deixarão de usar o carro, perdendo tempo nos congestionamentos, passando a usar o ônibus;
  • é possível e necessário mudar de estilo de vida, podendo morar em cubículos de até 19 m2, de alto valor e sem carro;
  • o principal meio de locomoção deve ser a bicicleta e para favorecer o seu uso a Prefeitura deve instalar milhares de quilômetros de ciclovias, tirando os espaços hoje utilizados para o estacionamento de carros;
  • as pessoas devem morar e trabalhar próximos podendo se deslocar a pé.

Essa minoria ativista segmento de classe média alta, da qual Haddad sempre fez parte, tem como bandeira "morra o carro, viva a bicicleta". Ao qual o seu Secretário dos Transportes, Jilmar Tatto aduz: "viva o ônibus" para atender às classes mais pobres.

Haddad que vem de uma família de comerciantes de rua sabe muito bem da importância das vagas em via pública nas proximidades "do lojinha". Tirando as vagas é natural que a sua classe reclame e o ache um "traidor".

Os micro apartamentos de classe média alta fizeram um grande sucesso, com uma venda recorde no lançamento, mas a febre já está baixando, pela constatação dos investidores que os compraram que a demanda final é menor do que esperam e já há expectativa de superoferta.  Os lançamentos continuam, porque os incorporadores já os tinham planejado anteriormente e só recentemente conseguiram as devidas licenças para colocar no mercado.Mas as vendas já não tem a mesma velocidade. 

A velocidade de circulação dos ônibus nos corredores ou faixas exclusivas não é suficiente para evitar que usuários passem para o carro. Para muito o que é mais importante é o tempo total da viagem. Então para aqueles que precisam saltar num terminal de ônibus, para pegar outro para chegar em casa, com um tempo adicional de espera do ônibus de distribuição,  a sua sensação de descomodidade o leva a buscar o carro: ainda que para fazer o percurso final A mesma percepção vale para o deslocamento de ida. A vantagem da velocidade é para quem mora próximo ao ponto de parada dos ônibus nos corredores e não precise fazer transbordos. Mesmo nesse caso, a velocidade dos ônibus é comprometida pela demora em chegar. E, em horários de super pico  é inviável entrar em ônibus. (digo isso como usuário contumaz).

Diante dessa situação usuário do carro só preferirá o ônibus, deixando o carro guardado ou deixando de tê-lo, se for usuário em horários fora de pico. Não é o caso da maioria dos trabalhadores. 

A minoria dos "fora do pico" estão satisfeitos. A maioria "dos horários de pico" não. Por isso apesar dos quilômetros de faixas exclusivas o "povo" não está satisfeito com o seu Prefeito.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O jeitinho como forma de vida

O jeitinho brasileiro salvou a Copa. Só não salvou a seleção da CBF. Agora ela quer dar o seu jeitinho trazendo Dunga de volta. Não vai recuperar o desempenho da sua seleção. 
Ressalte-se aqui que na Copa do Mundo da FIFA quem representa o país é a seleção da CBF, uma entidade, supostamente, privada e sem fins lucrativos.

A Copa no Brasil mostrou que a principal atração do Brasil para os turistas estrangeiros é a forma de viver do brasileiro. Para eles o "brazilian way of life": muita alegria e muita festa.

Para os turistas estrangeiros o Brasil é o "pais do futebol e do Carnaval". Imagem que muitas autoridades queriam esconder e superar por outras. Mas o que atrai os turistas estrangeiros é aquela.

O Brasil precisa assumir a condição de um país com povo alegre, hospitaleiro e festeiro. 

Poderá, com isso, se transformar num dos principais pontos turísticos mundiais, porque essa condição é rara no mundo. 

O Brasil tem praia e sol. Mas isso muitos outros países também tem, com muito melhor infraestrutura. 

Mas brasileiro, bem brasileiro, só aqui. Por obra e graça de Deus (segundo uma velha anedota).

O Brasil precisa aprender com um dos mais espertos baianos, ora comemorando 100 anos do seu nascimento, que fez da sua preguiça um grande negócio.

O Brasil pode transformar o "jeitinho brasileiro" num grande negócio: o que vai dar muito trabalho e precisará de muita dedicação.

O futebol brasileiro era marcado pelo talento e pela alegria. A seleção da CBF foi montado com uma seleção de gente que joga na Europa, ficou emocionado demais no Brasil e nada jogou. 

O Dunga anão era alegre, bem brasileiro. O da seleção continua carrancudo. 

O Brasil precisa de um técnico que promova a alegria, que deixe os seus jogadores jogarem, como sabem. 



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Economia compartilhada e anarquica


A tecnologia da informação vem propiciando o desenvolvimento de uma nova economia, que vem sendo chamada de compartilhada.
Envolve o compartilhamento no uso de recursos como o carro, um imóvel para sua melhor utilização e redução da ociosidade. Em teoria parece bom, pois racionaliza o uso de recursos e reduz os desperdícios.

É um  compartilhamento feito por pessoas físicas e não por empresas.

Em tese seria o compartilhamento de ativos ou recursos, com compartilhamento dos gastos. O caso da carone é típico. Dois ou até cinco amigos que fazem o mesmo trajeto ou tenham em comum a origem e o destino podem utilizar um só carro, em vez de dois ou cinco, cada qual no seu e ratear ou compartilhar as despesas com combustível, podendo agregar as provisões para manutenção e até estacionamento. Na situação ideal não haveria remuneração ao motorista que não estaria exercendo uma atividade profissional, mas apenas compartilhando o seu veículo.

A tecnologia da informação permitiria expandir esse compartilhamento com pessoas que não se conheceriam anteriormente, mas conectados através de um aplicativo no seu celular ou computador.

As pessoas com coincidência de origem e destino na mesma hora conheceriam a disponibilidade de um veículo com motorista para compartilhar o percurso e os custos.

Enquanto um serviço compartilhado entre pessoas físicas seria uma atividade não econômica, que não pode ser confundido com serviços profissionais, como o dos taxis.

Muitas autoridades públicas que cuidam da mobilidade urbana ficam encantadas com a idéia e não vêm razões para proibir e até acham que devem incentivar, para reduzir a quantidade de carros em circulação.

Mas o difícil é estabelecer o limite entre uma atividade compartilhada com um serviço profissional. Por que nesse caso haveria uma concorrência desleal com os profissionais sujeitos a um conjunto de regras e pagamento de tributos.

Em primeiro lugar o motorista dono do veículo não pode ser remunerado. Se for remunerado estará se tornando um empreendedor com obrigações, pelo menos, tributárias.

Sendo remunerado por um serviço regulado pelo Poder Público e dependente de licença, estará exercendo ilegalmente a atividade, estando sujeito às penas da lei.

Por outro lado é preciso considerar como os custos são rateados. Em tese, se o carona for um, um custo hipotético deve ser dividido por dois. Se forem três caronas, esse mesmo custo tem que ser dividido por 4. Se o motorista estiver cobrando um valor fixo, qualquer que seja o número de caronistas, está configurado a cobrança de um preço e não o rateio de despesa.

A economia compartilhada pressupõe uma economia anárquica, sem Estado regulador e tributador. Para que funcione precisa eliminar o Estado, permitindo que a sociedade se organize por si, sem um poder maior, buscando as melhores práticas de convivência.

Deve-se aqui entender a Anarquia no seu sentido literal e não popular, que é confundido com desordem. Anarquia é um regime sem Estado, sem poder, em que a sociedade se organiza por si. A TI está criando mecanismos de auto organização e auto-regulação sem a participação do Estado.

A economia compartilhada, por enquanto, é apenas oportunista. Aproveita as brechas do sistema democrático para se tornar um grande negócio capitalista. O Uber é um bom negócio enquanto marginal. Quando se expande e se tornar um grande negócio que "espertos" fazem valer bilhões, vai levar o maior tombo.

De toda forma esses novos aplicativos chamam atenção para demonstrar que a economia democrática sobre a qual se funda o sistema capitalista está em crise. Principalmente pela excessiva expansão do Estado Regulador e Tributador.

É preciso repensar profundamente sobre a reforma dessa velha economia. A TI a está implodindo.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Os projetos de impacto que transformam a cidade

Na evolução das cidades há sempre alguns projetos que causam maiores impactos sobre a cidade. Ou tem os impactos mais visíveis.
Qualquer projeção sobre o futuro da cidade deve avaliar o impacto desses projetos, alguns já implantado ou em implantação com impactos durante os próximos anos e outros em projeto a serem implantados. Deverão ainda ser considerados os planejados ou apenas desejados, ainda não iniciados nem na fase de projeto.

Alguns são empreendimentos de infraestrutura. Em São Paulo o mais importante foi a implantação da linha metroviária 4, cuja operação é privada. Ligando 4 estações com conexões (Luz, República, Paulista e Pinheiros) alterou substancialmente as rotas dos usuários do sistema metroviário, com substancial aumento de movimento nessas estações, porém sem repercussões imobiliárias notáveis que só começam a se manifestar agora, em 2014, anos após o início de operação.

Há vários lançamentos imobiliários residenciais no centro, que usam a proximidade do metrõ, como vantagem locacional e são predominantemente de pequenas dimensões, começando em 19 m2. Os primeiro lançamentos se esgotaram em menos de um dia. O mesmo não ocorreu com os lançamentos de prédios de escritórios.

Os entornos da Luz e da Paulista não apresentaram significativas modificações, no primeiro caso, mesmo com uma intervenção específica, frustrada com a sua suspensão pela nova administração municipal.

O entorno da estação terminal Butantã também não teve importantes alterações imobiliárias, a menos de derrubadas de casas desocupadas por estacionamentos. Em 2014 começaram alguns lançamentos imobiliários, porém ainda de forma modesta, comparada com o movimento em outros bairros, não servidos pelo metrô. 

Por outro lado em Pinheiros houve vários lançamentos, alguns dos quais já prontos contando com a estação Vila Madalena, que atrasou e ainda não entrou em funcionamento.

A implantação de uma linha metroviária tem efetivos impactos na transformação da cidade, porém de forma lenta, mas duradoura. Pode se dizer os entorno das estações levam cerca de 20 anos para se transformar, sendo que algumas muito mais. 

O maior impacto esperado com essa linha é a sua integração com a reurbanização do Largo da Batata. O Largo já está bastante transformada, ainda que incompleta. A transformação com a sua verticalização, completando, territorialmente, a ocorrida com a ampliação da Av. Brigadeiro Faria Lima, está em fase inicial, na nova área. A modernização deverá chegar até a Marginal do Pinheiros, envolvendo duas estações metroviárias. Será, provavelmente a maior transformação física visível da cidade de São Paulo, nos próximos anos.

A transformação urbana mais visível, no entanto, não decorre de novas obras de infraestrutura, mas decorre da maturação do impacto de empreendimentos concluído há alguns anos. É o caso da Operação Urbana Águas Espraiadas que envolve uma imensa área em torno do trecho final (ou inicial) da Av. Águas Espraiadas, na confluência com a Av. Luis Carlos Berrini, agora denominada Av. Jornalista Roberto Marinho.

O que torna a transformação física da cidade mais visível é a concentração da verticalização em novas áreas, associadas, em geral, com a abertura de largas avenidas. Cria-se uma nova paisagem, que não agrada a todos, principalmente os ambientalistas e segmento dos urbanistas contrários à verticalização. Essa esconde a paisagem natural e a perspectiva do horizonte.

A conjugação de obras viárias de grande porte com operações urbanas está gerando em São Paulo um novo polo linear de grande extensão, que já é o novo centro de negócios da cidade. 

A perspectiva é de um crescimento sustentado inibindo o desenvolvimento urbano de outras regiões da cidade. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O carro não é o responsável inicial pela expansão periférica das grandes cidades

Em grandes metrópoles brasileiras como o Rio de Janeiro e São Paulo, a expansão periférica horizontalizada, altamente criticada pelos urbanistas e pelos anticarros, não foi promovida, inicialmente, pelos carros, mas por um transporte público de alta capacidade. 

Ao contrário do que se imagina, para determinadas áreas o problema da mobilidade urbana não foi gerada pelo carro que precisaria ser substituída por um sistema de transporte coletivo de alta capacidade. Os problemas da mobilidade urbana foram criadas pelo trem suburbano que facilitou a pobreza a se instalar no entorno das estações ferroviárias.  A Zona Leste do Município de São Paulo, a área mais populosa da cidade, é consequência do trem e não do carro.

É uma visão dos problemas presentes, para os quais os mais novos propõe uma volta ao passado, simplesmente por desconhecimento e preconceito.

O legado da Copa para os estacionamentos

O "padrão FIFA" envolve uma contradição, em relação aos estacionamentos. Exige que os estádios tenham ampla área de estacionamentos, compatível com a sua capacidade nominal, mas que foi proibida de ser utilizada pelo público geral nos jogos da Copa. Por razões de segurança e também para a utilização parcial pelas tendas.
Construidos ou reformados os estádios com essas áreas há um legado a ser avaliado.
As áreas de estacionamento só serão utilizados pelo público presente aos jogos no estádio ou servirão ao público em geral?
As situações são diversas. Todos pretendem que os seus estádios sejam uma arena multiuso, mas nem todos tem viabilidade para tal. 
Uma arena multiuso poderá receber outros eventos além de jogos de futebol, como shows musicais, mega eventos comemorativos e outros. Poderá abrigar um shopping center, com academias de ginástica, lojas, cinema e praças de alimentação que teriam um público mais constante.
Poderiam ser de uso comum para atender a uma demanda do entorno.
O caso com maior potencial é o estacionamento aberto do Estádio Nacional de Brasília, podendo atender a uma demanda reprimida de vagas na Capital Federal. Porém como não foi implantada a linha de VLT que chegaria até o estádio, a área precisará de serviços de "transfer" para poder atender ao sistema "park and ride". 
O de Belo Horizonte pode atender ao público oriundo do vetor norte, que chegaria de carro, estacionaria junto ao Mineirão e poderia seguir pelo BRT até o destino final. Mas fora daqueles em que o destino final estaria junto a uma estação de BRT porque o motorista interromperia a sua viagem para uma transferência? O brasileiro não está acostumado, tampouco gosta dessas transferências.

Para o atendimento ao público em geral, o estádio, com a sua área de estacionamento deve estar incrustado num polo urban denso, com grande demanda de destino. Os que mais atendem a essa condição são o de Manaus, o de Salvador, o de Natal e o Maracanã.  O de Curitiba está em área urbana, do centro expandido, mas predominantemente residencial. 
O Beira Rio em Porto Alegre, a Arena Pantanal em Cuiabá tem um grande potencial de induzir a ocupação do entorno. 

Itaquerão, em São Paulo, Castelão em Fortaleza e Arena Pernambuco na Região Metropolitana do Recife foram instalados na periferia da cidade, dependendo de projetos urbanos para se tornarem importantes polos de destino, com a geração de empregos. Durante muitos anos poderão carregar a imagem de "elefante branco" com os seus amplos estacionamentos utilizados apenas nos dias de jogo.

A Copa do Mundo deixa uma legado positivo para os estacionamentos, porém de aproveitamento a médio e longo prazos.


sábado, 19 de julho de 2014

Não vai ter Copa

"Não vai ter Copa"... Em 2022 no Catar.
A FIFA tem um grande problema que precisará resolver, no mais tardar, até o final do próximo ano: a sede dos jogos da Copa do Mundo  em 2022.
De momento a sede está definida, mas sob graves suspeitas de corrupção. 
Agravada pelos problemas ocorridos com a comercialização dos ingressos que chega próximo ao coração da direção da FIFA, ela precisará de muito esforço e muita negociação para confirmar a sede de 2022. A maior dificuldade poderá ser com os seus patrocinadores que ficaram muito temerosos com a sua participação na Copa do Brasil, mas acabaram se dando bem. O risco delas é perda de mercado na Europa se a sua marca ficar marcada pela ligação ou até patrocínio da corrupção: "Tome Coca-Cola que já vem com um ingrediente adicional: uma pitada de corrupção".

Enfrentará também a oposição (embora não seja tão forte) das Confederações européias, submetidas a intenso calor em alguns jogos da Copa no Brasil. A promessa do Catar é construir estádios fechados e climatizados. 

Terá ainda a resistência da mídia internacional porque os jornalistas terão que enfrentar percursos não climatizados, ao contrários dos jogadores e delegações que somente circularão em ônibus climatizados. 

A mídia internacional, por enquanto, não é favorável à realização da Copa de 2022 no Catar e tenderá a pressionar a FIFA para mudar o local. A sua grande arma é a difusão das notícias desfavoráveis, como trazer novos casos de corrupção.

Se a FIFA tiver que mudar o local irá buscar um país que esteja preparado para sediar os jogos, sem maiores problemas. 

A China será uma natural candidata, mas precisará se preparar inteiramente, apesar de ter sediada os Jogos Olímpicos de 2008. A sua parte futebolística é apenas um pouco melhor que a do Catar. Mas estão se organizado para se tornar uma potência mundial como fizeram com a economia. Levaram jogadores brasileiros experientes com Aloisio e Wagner Love. E agora o técnico Cuca, com a conquista da Libertadores com o Atlético Mineiro. E agora estão em São Paulo para um programa de intercâmbio.

Os europeus serão naturais candidatos, mas a preparação poderá envolver altos custos que os governantes das economias em crise poderão não desejar. A Inglaterra e a Alemanha seriam as principais candidatas, mas dificilmente a Alemanha seria escolhida, por questões políticas do mundo do futebol.

Os EUA poderiam ser uma forte candidata, dentro da tendência de ampliação do interesse da sua população pelo soccer. Tem enormes arenas multiuso que seriam adaptadas para jogos de futebol, como ocorreu em 1994. 

A política da FIFA não é repetir a curto prazo a sede, mas há um antecedente que é o México que recebeu a Copa de 70 e teve outra em 86, com a desistência da Colômbia. 

Mas diante dos riscos de crise, poderá vir a optar por essa solução e nesse caso o Brasil seria uma alternativa.

Apesar dos percalços e realizou a "Copa das Copas", e tem 12 estádios prontos. A FIFA só precisa de 8. 

Se o Brasil receber a Copa em 2022 terá uma festa maior porque irá coincidir com o bicentenário da sua independência. Com exceção da Bahia. Mas o 2 de julho cairia exatamente durante o período da Copa. 

Já que a Presidenta Dilma se vangloria de ter organizado a Copa das Copas deveria começar a batalhar para ser a alternativa para 2022. Com isso, pelo menos, diluiria os elevados gastos com os Estádio por duas Copas e as obras de mobilidade urbana que foram prometidas para a Copa poderiam ficar prontas. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O maior dos baianos indolentes

A mística do baiano indolente foi gerado por um dos baianos mais bem sucedidos na história brasileira. Não foi Ruy Barbosa, aclamado pela opinião publicada, mas Dorival Caymmi aclamado também pelo povo. 
Caymmi fez da sua preguiça pessoal e das suas canções a sua fonte de renda, só não ficando mais milionário porque na sua época a economia do lazer não estava tão desenvolvida.
Os seus filhos seguiram a carreira musical, mas com sucesso relativo. Não são indolentes e talvez por isso mesmo. 
O paradigma vendido pela cultura industrial é que o trabalhador precisa trabalhar muito, dar o duro durante muitos anos, ganhar um bom dinheiro, poupâ-lo para poder se aposentar e ficara sem fazer nada. Preferencialmente ir para a praia, gozar do calor e do sol (com os seus refúgios com ar condicionado), só com camiseta (ou sem ela mesmo), bermuda e chinelo de pé. A indolência seria um prêmio, uma compensação pelos anos de trabalho.
Muitos jovens, filhos de pais trabalhadores, acham que devem desfrutar da poupança dos pais, enquanto jovens. Divertir-se, aproveitar logo, e não deixar as festas para quando ficarem mais velhos, sem a mesma disposição.
Nos litorais, como o da Bahia, pode-se encontrar muitos personagens de Caymmi ou de Jorge Amado que não pensam em trabalhar para poder desfrutar, na velhice de uma vida boa, sem nada fazer. Querem tê-la sempre. 
O país precisa ter o trabalhador disciplinado, ativo e produtivo. Mas aqueles que querem gastar as poupanças geram um movimento econômico não desprezível, ainda que marcado por preconceitos. Mais ainda: os gastos dos "indolentes" e "festeiros" transfere uma renda propiciando a formação de novos ricos que vão aumentar o PIB. 
As festas e suporte ao ócio geram muito trabalho e trabalho competente e disciplinado. Gozar do ócio num resort durante alguns dias ou semanas requer um batalhão de serviçais. Organizar uma festa requer muito trabalho de preparação, em geral, com prazos inadiáveis. 

O Brasil teve oportunidade histórica de se tornar uma grande potência industrial, no contexto mundial. Não soube aproveitar, por equívoco estratégico e os principais espaços foram tomados pelos asiáticos. Remanescerá uma indústria, porém de segundo nivel.

A Copa do Mundo mostrou uma nova e importante vocação brasileira: o lazer e o entretenimento, ligados à alegria de viver. Poderá ser o maior legado da Copa 2014. 

Não pode perder mais esta oportunidade histórica. 


quinta-feira, 17 de julho de 2014

O brasileiro gosta de festa

A cultura brasileira de gosto pelas festas, com prejuízo do trabalho organizado sempre foi objeto de críticas e de preconceito: "O Brasil não vai pra frente porque o seu povo é indolente; porque não gosta de trabalhar".

A segunda parte pode ser verdade, mas a primeira não. O Brasil pode transformar a primeira numa grande oportunidade econômica. Foi o que demonstrou a Copa do Mundo da FIFA no Brasil. Os turistas estrangeiros que vieram ao Brasil na época da Copa consideraram o principal fator positivo, a amabilidade do brasileiro e a disposição para fazer e compartilhar a festa com os estrangeiros.

A maior festa foi dos alemães com os baianos. 

O tal "complexo do vira-lata" faz com que o Brasil (principalmente São Paulo) considere a Bahia um estado que não progride porque o seu povo é indolente e só quer saber de festa. E mais, o que se descobriu com os alemães em Cabrália: confirma que o Brasil é um país de índios. 

Mas o que a imprensa alemã e talvez toda internacional percebeu que os "arianos desenvolvidos" aprenderam os pataxós a como comemorar a vitória e mais levaram rituais na sua mala: como dançar provocando os inimigos.

Ao final do jogo, depois de derrotarem a Argentina e receber o troféu o colocaram no chão e dançaram em volta. Uma forma indígena de comemorar a vitória.

Quando chegaram de volta a Berlim desceram do caminhão e foram para a rua para responder a uma provocação dos argentinos que os chamaram de gauchos, para não dizerem "maricón".

Num grupo de seis jogadores andaram curvados para mostrar como andam os inimigos, no caso os argentinos e se levantaram para mostrar como andam os alemães. Mais um rito que aprenderam com os pataxós. Os argentinos, evidentemente, não gostaram. Os cartolas alemães pediram desculpas pelos seus jogadores. Não precisavam. Não entenderam.

Com o sucesso da Copa, promovido pelo povo brasileiro, um dos pilares do projeto nacional deve ser o de desenvolver a "economia do lazer" ou a "economia do ócio", defendido por Masi.

O Brasil deve se mostrar como o maior festeiro do mundo e trazer todos os anos e durante todo o ano, milhares de turistas estrangeiros, cansados do trabalho e da sisudez. Para participar de uma grande festa popular. 

Quer festa? Venha ao Brasil. 

Para fazer festa com esse povo "indolente" que faz o maior carnaval do mundo: não sei se do Rio de Janeiro, da Bahia ou do Recife. 

E também com os índios. 

A grande estratégia para o turismo no Brasil deve ser tornar as suas festas populares em evento internacional. E, com isso, superar o "complexo de vira-lata" de que o Brasil é o país do carnaval. 

A única contestação que cabe é que não é só do carnaval, mas do São João, do Cirio de Nazaré, de Nossa Senhora da Aparecida, do forró, dos rodeios e tudo mais. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O equivoco do Nordeste com a Copa

O calendário da Copa do Mundo da FIFA de 2014 conhecido desde 2013 mostrava que não haveria mais a Copa nas  cidades do Nordeste no mês de julho, o mês de férias de inverno, quando os que não gostam do frio e tem possibilidades financeiras viajam para desfrutar do sol, calor e mar junto às praias do Nordeste. Como fizeram sabiamente os alemães, instalados em Santa Cruz de Cabrália, no litoral baiano.

Com medo da concorrência da Copa o "trade" turístico do Nordeste não se mobilizou, ou pior, se desmobilizou para promover o turismo das férias de julho e só acordou muito tarde, quando percebeu uma demanda fraca para esse mês e fez promoções para reanimar a demanda. Essa proveniente principalmente do sudeste. 

O resultado  concreto está visível ou pelo menos informado pela mídia: hotéis com baixa ocupação e um movimento de turistas bem abaixo dos anos anteriores, sem a devida compensação durante o mês de junho quando as cidades receberam jogos da Copa. Os restaurantes também estariam com baixo movimento. É um mês de julho atípico: sem Copa e sem cozinha.

É a conta negativa abafada pelo sucesso da Copa como um todo.

sábado, 12 de julho de 2014

Uma cidade nova sem garagens

O plano diretor não regula a cidade que já existe. Dessa só alcança reformas que são parte menor das construções imobiliárias. Ela regula as novas construções que devem seguir regras diferentes das anteriores.
Entre as alterações de regras duas são as mais importantes para o futuro da cidade: a que permite maior adensamento das áreas próximas das estações metro-ferroviárias e o dos corredores de ônibus e as restrições às garagens.
A cidade nova desejada pelo prefeito Haddad, com apoio da sua base aliada na Câmara Municipal é uma cidade sem garagens.
Três  cenários podem ser desenhados diante da nova regulamentação:

  1. A nova cidade será construida com poucas garagens, com as pessoas deixando de ter carros ou as famílias deixando de ter muitos carros, utilizando-se da locomoção a pé, de bicicleta ou o transporte coletivo, com todos ficando mais felizes pela redução dos congestionamentos e de perdas para os deslocamentos dentro da cidade;
  2. as pessoas não deixarão de ter carro, tampouco dispensando as garagens para a sua guarda. Os mais ricos não se importarão em pagar a mais pelo imóvel para ter direito a duas, três ou mais vagas. Diante das restrições nos edifícios, buscarão a moradia em casas, isoladas ou em condomínios horizontais, podendo deixar os seus carros em vias públicas internas, com segurança. A classe média buscará regiões com menos restrições, até mesmo em outro municipio. 
  3. As pessoas continuarão tendo carro, mas diante das restrições para ter uma vaga no seu imóvel buscarão solução na via pública ou em estacionamentos pagos, provocando uma alta maior dos preços desses serviços.
A primeira alternativa atende às necessidades de vagas na origem, ou seja, na residência do motorista. Ele buscará áreas de menor densidade de ocupação, onde possa encontrar disponibilidade de vagas na via pública, abandonando ou deixando de procurar moradia nas áreas mais densas. O resultado é que o projeto de adensamento junto ao transporte coletivo fracassará ocorrendo mais descentralização, e maior fluxo de veículos. Ou seja, aumento de congestionamentos.

Os estacionamentos pagos atendem predominantemente os motoristas nos destinos. A generalização das restrições fará com que a oferta junto aos escritórios, lojas e outros estabelecimentos seja menor. Com isso, os valores serão maiores. Os empresário e dirigentes empresariais interessados em se mudar para os polos onde estão reunidos seus fornecedores, clientes e financiadores estarão dispostos a pagar os valores maiores, na compra, no aluguel do imóvel ou nos contratos de serviços mensais ou avulsos dos estacionamentos.
Já os empregados, terão duas alternativas: buscar emprego em outra área onde possam ir de carro ou valer-se do transporte coletivo. Essa última deverá ser predominante.

Para o setor de estacionamentos haverá uma contenção na expansão de novas vagas e um aumento de preços dos serviços. As suas margens serão maiores dentro de um volume menor de vagas adicionais. Haverá um acirramento da concorrência entre as empresas para a conquista dessas vagas para operação. A concorrência junto aos incorporadores levará a um aumento das ofertas de contrapartida, que refletirá no valor final dos preços.

O mercado imobiliário teve um "boom" no início da década. As grandes incorporadoras haviam se capitalizado com lançamento de suas ações no mercado, utilizado os recursos para aquisição de terrenos e imóveis subutilizados e preparam inúmeros lançamentos. Um lançamento imobiliário em São Paulo, em função das exigências burocráticas leva cerca de 2 anos ou mais. 
O mercado arrefeceu e as incorporadoras tem ainda um grande estoque de projetos já aprovados para lançamentos futuros, além daqueles já lançados e em processo de comercialização.
Na iminência da aprovação do novo Plano Diretor, muitas construtoras e incorporadoras correram para protocolar projetos, dentro das normas anteriores.

Para o mercado algumas das novas normas são piores e as empresas vão querer aproveitar o que tem aprovado. Em outros casos, como junto aos corredores as novas regras seriam mais vantajosas em relação ao aproveitamento, mas desvantajosas em relação às garagens.

Diante desse quadro os novos lançamentos, com projetos segundo a nova lei, só deverão chegar ao mercado por volta de 2016, antecedidos por alguns experimentos de caráter pontual. É pouco provável que comecem pelos entornos das estações metroviárias já em operação, onde o valor dos terrenos já sofreu grandes aumentos e se verticalizou.

O mercado deverá testar os entornos das novas estações a serem inauguradas e com baixo nível de verticalização. 

A tendência será de substituição de casas por edifícios de apartamentos ou mistos, gerando uma forte reação dos moradores. Em alguns casos conseguirão superar, em outros não.

O mercado só passará a sentir os efeitos reais da nova lei daqui a 2 anos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Os negócios da mídia derrubaram o Brasil

O futebol se tornou um dos maiores negócios para a mídia. 
Rende milhões (seja de reais, dolares ou euros) e isso precisa ser sustentado, com a continuidade da publicidade.
Ganham os veículos (TV, jornais, revistas e outros meios), ganham as agências, com todas as suas equipes, ganham os garotos ou garotas propaganda.
Os anunciantes pagam as contas da campanha, mas tem a contrapartida da venda dos seus produtos, sejam bens ou serviços. 
Quem paga tudo, na ponta final da cadeia de valores é o consumidor.

O futebol tem um grande poder de atração do consumidor, mas para isso é preciso personarizá-lo, mediante algum bom jogador de destaque. Ou de um técnico vitorioso. 

Não basta que ele seja um craque, em campo. Ele precisa ter carisma pessoal e estar disposto a uma grande exposição pública, a situações inusitadas, às vezes ridiculas, para induzir o consumidor a comprar o produto anunciado.

Uma vez encontrado esse jogador ele é transformado numa personagem, se possível, num mito, num heroi que as crianças e mesmo adultos querem ser.

Diversamente dos super-heróis que seriam  sobrehumanos ser  um Pelé, um Ronaldo, um Kaka ou um Neymar é um sonho alcançavel.

É um processo natural que aproveita as circunstâncias. Mas começa a gerar problemas quando começa a interferir ou determinar esse processo natural e exigir que esse siga os interesses do planejamento midiático.

Isso ocorreu com a seleção brasileira, que teve um grave acidente de percurso o que resultou numa grande tragédia.

Pelé foi uma grande estrela, mas num período em que a mídia não era ainda o negócio que é hoje. Mas é aproveitado até hoje. E é também o grande mito do futebol mundial.

Outro vieram, mas sem muita sustentação, até que emergiu Ronaldo Fenômeno, que hoje é Ronaldo, o Gordo, e consegue fazer disso um fator de atração.

Na esteira do Ronaldão, veio Neymar, utilizado pela Panasonic e depois por vários outros, dada a sua disposição de se expor, além de ser bom de bola.

Ele é exibicionista, o que, agrada os publicitários. Junta a fome com a vontade de comer.

Mas a necessidade da mídia em sustentar o seu melhor garoto propaganda gerou uma distorção que acabou terminando em tragédia coletiva.

Fica claro agora que o técnico foi chamado para montar um time para o jogo do Neymar. Todos os outros 10 deveriam jogar para o brilho e capacidade de decidir o jogo de Neymar. Todos deveriam ser coadjuvantes e foram depreciados para servir ao novo rei, ao novo Deus.

Felipão foi designado técnico da seleção para cumprir essa missão e o fez bem. De início a seleção teve tropeços, mas foi se ajustando tática e psicologicamente para jogar para Neymar. E o garoto também cumpriu bem a sua função: em campo e fora de campo. 

Quando foi para o Barcelona o clube exigiu que ele cumprisse primeiramente a sua função em campo. Mas com a Copa 2014, ele voltou a ser a estrela das campanhas publicitárias.

E agora Lupo, Claro e demais anunciantes?








quinta-feira, 10 de julho de 2014

Plinio de Arruda Sampaio

No início de 1960 cheguei ao Grupo de Planejamento do Governo Carvalho Pinto que coordenava a execução do Plano de Ação, o primeiro Plano Plurianual de Investimentos, hoje consagrado pela Constituição de 88.
O Grupo de Planejamento era coordenado pelo Plínio de Arruda Sampaio, então um dos jovens sub-chefes da Casa Civil do Governador. Era o elemento político de um grupo que reunia os também jovens Antonio Delfim Neto, Fernando Henrique Cardoso e outros emergentes professores da USP, mesclado com experientes servidores públicos. 
O Grupo de Planejamento contava com uma Secretaria 
Executiva, coordenada por dois brilhantes economistas egressos dos quadros do BNDES: Diogo Gaspar e Sebastião Advíncula. 
Foi lá que comecei a minha carreira profissional, cuidando do orçamento. 
Conheci e convivi com o Plínio, na época. Depois seguimos rumos distintos, com encontros acidentais, mas mantive sempre a imagem de integridade, com muito respeito. Embora não abraçasse as mesmas convicções.

Anteontem ele se foi deixando um grande legado. Que foi realçada na missa de corpo presente na Igreja dos Dominicanos em São Paulo: a luta incessante pela verdade.

Não tenho muito a dizer a não ser concordar que, para o Brasil, foi uma perda maior do que os 7 x 1 impostos pela Alemanha.