sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

É o dinheiro, seu estúpido!

Tem muita gente entusiasmada com possíveis candidaturas nas eleições de 2018. Mas a maioria ou quase todos eles esquecem de perguntar ao seu financeiro, com quanto eles podem contar para a campanha.

A ficha ainda não caiu. Mas vai cair e mudará substancialmente as movimentações das candidaturas. Tanto para o MDB como para o PT (sem Lula) não convém ter candidato próprio para a Presidência. Precisam usar o dinheiro para as eleições de governadores e para manter ou aumentar a bancada. Até mesmo, para assegurar maior participação no fundo eleitoral em 2022.

Mesmo os candidatos a deputados federais que estão animados com um candidato próprio do partido para a Presidência, perceberão que esse candidato irá tirar recursos das campanhas deles. 

O DEM, se fizer as contas, não terá candidato próprio. Com 89 milhões, terá que destinar prioritariamente os recursos para o aumento da bancada no Congresso. E terá que acenar com esse montante para atrair deputados atuais de pequenos partidos. Um candidato próprio, reduziria aquela verba para 29 milhões.

O pragmatismo falará mais alto que a ideologia. Essa só prevelecerá nos partidos de esquerda. 




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Lulismo (3) - Alternativas dos partidos de esquerda

Para as massas oprimidas que os partidos de esquerda pretendem defender, o mais importante é a oportunidade de ascensão econômica e social. Não é a desigualdade. 
Embora seja uma realidade, a preocupação é dos acadêmicos e ideólogos. Não dos "menos iguais".
Eles entendem que para ascender precisa ser com o seu esforço pessoal. 
O que eles querem do Estado é oportunidade. Não apenas assistencialismo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Ano novo

Bom dia meus amigos e amigas

Hoje, pela tradição brasileira começa o ano. E eu começo o meu octagésimo segundo ano, diante de uma realidade.

A agropecuária-florestal brasileira - de base eminentemente privada - é altamente competitiva mundialmente e é a grande alavanca da retomada do crescimento econômico brasileiro. Tornou-se o principal motor da economia brasileira. O Brasil já assegurou o papel de "celeiro do mundo".

Mas não pode se contentar com esse papel. Tem que usar essa base para tornar o seu agronegócio - como um todo - em mundialmente competitivo e tornar-se:

  • alimentador do mundo;
  • maior supridor mundial de combustíveis de fontes renováveis;
  • maior supridor mundial de fibras naturais. 


Essa é a proposta de projeto nacional, ou projeto Brasil, que apresento publicamente, neste início efetivo do ano de 2018.

Para reflexão e discussão. E conclamo os meus amigos e amigas. Meus leitores e leitoras. Adeptos e desafetos a difundir e discutir. 

Vamos discutir Brasil e não apenas programas de governo de candidatos e medidas macroeconômicas do Estado.




terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Lulismo (2)

O mais importante do lulismo não é a percepção teórica, feita pelos cientistas políticos, mas a sua percepção e introjeção no imaginário popular ou pela memória coletiva.

Presente é uma liderança e personalização humana. Fora de cena, por estar preso, morto ou exilado transforma-se em mito. Como candidato recebe os votos deles (lulistas).

Não sendo candidato, ou saindo de cena, o lulismo como concepção e os lulistas, como aderentes da concepção, permanecerão latentes. Para que seja reavivada é necessária o surgimento de uma outra pessoa que encarne a concepção lulista.

Os lulistas não vêem em Dilma, em Haddad ou em qualquer outro a configuração de Lula II. É uma manifestação quase religiosa.

O petismo tem origem no lulismo, mas ampliou o seu campo, ao incorporar teses de esquerda e visões mais amplas, cujos enunciados não são tão absorvidos pelos lulistas. A visão desses é simples ou simplista: ascender na vida, como consumidores.


Em 2018, o lulismo sem Lula será derrotado. Não conseguirá eleger nem um petista em substituição.

Mas isso não significa o fim do lulismo.

Lula deixará de ser a única referência. Se for e ficar preso, fortalecerá o mito.

A emergência de novas lideranças lulistas não ocorrerá de cima para baixo. Não serão os definidos por Lula. Mas surgirão da base e poderão ser ungidos por Lula.










segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lulismo

lulismo é uma visão de mundo em que o Estado atua para melhorar as condições de vida da população mais pobre, promover as oportunidades de ascensão social e ampliar a capacidade de consumo dos pobres.

Essa visão de Lula tem pontos comuns com o petismo e com a esquerda, mas não são a mesma coisa.

Como Lula iniciou a sua luta pelos seus ideais a partir do movimento sindical operário, foi e continua sendo apoiado pela esquerda. 



O nacionalismo do lulismo, contempla esses elementos, mas dá maior importância ao protagonismo do país, no cenário mundial. O lulismo enfatiza a autoestima nacional.
O nacionalismo de Lula é associado ao emprego em território nacional. 

Mais ainda, a esquerda o vê como alguém que pelo "lulismo" tem condições de reconquistar o poder e colocar em prática os seus principais propósitos: cobrar mais impostos dos ricos e fortalecer o Estado, para uma promotora do desenvolvimento e dar atenção social aos pobres. A visão da esquerda é "robinhoodiana": tirar dos ricos para dar aos pobres. 

O petismo ainda se baseia no movimento dos trabalhadores formais, o que leva à defesa prioritária das conquistas trabalhistas, protegidas pelo Estado. Para eles direitos, para os empregadores e  oponentes, privilégios ou encargos.

O lulismo mantém se associado às teses sindicais, mas não é onde tem as suas principais bases eleitorais. A maior parte dos seus eleitores não são  trabalhadores formais.

Engrossa as fileiras lulistas, são os que fazem barulho, aparecem para a mídia, mas não são decisivos eleitoralmente.

O lulo-sindicalismo ainda adota a estratégia do medo, da conflagração social, com base em carros de som e discursos inflamados. A adesão espontânea tem sido cada vez menor. 

E as ameaças não efetivadas tem mostrado à sociedade que o movimento sindical brasileiro - atualmente - é um cão que ladra muito e alto, mas não morde.

O lulo-sindicalismo não representa os interesses dos trabalhadores por conta própria, formais e informais. Esses estão abertos para novas lideranças, que conseguirem catalizar os seus interesses.

Seguramente não sairá das hostes petistas, tampouco das lideranças sindicais atuais.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A quarta revolução industrial é uma falácia (2)

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa da indústria manter a sua importância, mas as principais mudanças no mercado não são as tecnologias que ela alardeia, mas o domínio crescente dos serviços. E a transferência do poder do mercado para o setor terciário e para o consumidor.

Um dos casos mais emblemáticos é o setor de vestuário e calçados, onde a indústria não "empurra" o mercado, mas é "puxado" pelo setor comercial e de marca. O comando da cadeia produtiva está passando para o varejo.

A indústria tem que ir a reboque da líder da cadeia produtiva (ou de valor). O maior valor agregado e pago pelo consumidor não está no material ou na produção industrial, mas na marca. Para a valorização desta, a investe pesadamente no marketing. Que não se limita à publicidade, mas envolve - principalmente - o patrocínio de esportistas talentosos, cultuados pelo mercado.

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa dos países - ditos centrais - de recuperar a produção industrial de vestuário e calçados, para os seus territórios. Em alguns casos pode conseguir, mas não há recuperação do emprego emprego.

A 4ª Revolução Industrial não é uma revolução mundial, embora vá afetar diversas partes do mundo. É uma revolução dos paises desenvolvidos que se desindustrializaram e buscam pela tecnologia se reindustrializar. 

Porém o "resto do mundo" resiste, preferindo manter o trabalho humano, mesmo mal remunerado. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A quarta revolução industrial é uma falácia

A dita 4ª Revolução Industrial, amplamente alardeada em todo o mundo, não é industrial, tampouco a quarta. 

Na evolução da indústria (no sentido estrito) mundial, um marco importante foi a associação fordista-taylorista, com a produção em massa e o estabelecimento da linha de produção, incorporada ao imaginário popular por Charles Chaplin. Para alguns determina a 2ª Revolução Industrial. E se sustenta ainda hoje. Incorporando todos os avanços da tecnologia da informação ao conceito básico.

Um elemento negligenciado dessa revolução é uma famosa frase de Henry Ford: "você pode comprar qualquer carro desde que seja um T29, preto". Ou seja, você compra o que eu produzo, não o que você quer. Ou mais, o que você quer não existe: porque eu não o produzo.

Embora esse conceito ainda remanesça entre muitos industriais, a revolução ocorreu nos fins dos anos setenta e emergiu nos anos oitenta com o "toyotismo". Foram várias alterações substanciais, iniciadas em diversos países, mas consolidado pela Toyota que emergiu como uma das maiores montadoras de automóvel, com o seu carro vencedor: o Corolla.

Duas alterações conjugadas foram as mais importantes: o conceito do "on demand", ou seja, sob demanda, a pedido e a redução do tempo entre a concepção e a colocação do carro no mercado. 

O automóvel tinha que ser produzido em massa, com economia dos custos fixos, de forma padronizada. A produção "sob medida" (ou taylor made) era improdutiva e cara. Tinham que ser produtos artesanais.

A Toyota buscou soluções para a compatibilização entre a produção em massa e a personalização. Foi apenas o início, desenvolvido - posteriormente - pela demais montadoras, com a automação industrial, gerando a possibilidade de lançamento de inúmeros tipos e marcas de carros, produzidos em massa, mas com diferenciações. O carro personalizado, desejado pelo comprador, sai direto da linha de produção.

Só foi possível graças à automação industrial, o uso intenso de tecnologia e máquinas. Promoveu uma ampla substituição do trabalho humano pela máquina. Mas a expansão da atividade gerou mais empregos do que as perdas. Com novas qualificações, com novas funções, mas com amplo uso do trabalho humano.

A grande transformação não foi a substituição total do trabalho humano, mas a conjugação homem-máquina. Dai a necessidade de qualificação. O que é diferente de "reciclagem" que é a capacitação do trabalhador para outras funções muito diferentes daquelas do trabalho extinto.


A atividade industrial pode ser desdobada em três grandes categorias: a da transformação, a da "montagem" e a da manufatura.

A primeira envolve - principalmente - a transformação de um bem natural (uma matéria prima) num insumo da cadeia produtiva industrial. Pode ocorrer por processos químicos que transformam a estrutura molecular e geram novos produtos, como por processos físicos que transformam a sua forma.

Os mais conhecidos são a transformação alimentar, como o da cana de açúcar transformada em açúcar ou etanol, o da siderurgia que associa ferro e carvão, para transformação em aço, ou do refino de petróleo, gerando gasolina, óleo diesel e outros. Inclusiva a nafta que vai servir para novas transformações na petroquímica.

Essa indústria envolve inovações tecnológicas constantes, para melhor ou maior utilização das matérias primas (como o caso do etanol de 2ª geração, com a transformação do bagaço da cana) e a automação industrial para automatizar mecânicamente os processos de transformação. Com redução e até extinção - em alguns casos - do trabalho humano. 

A segunda categoria é da produção industrial por sucessivas agregações de elementos ou partes, para montar um produto final, previamente projetado. O mais notório é o automóvel, mas envolve produtos com pequenos volumes de partes, como a fabricação de moveis, ao avião. Este envolve milhares de partes.

Dentro dessa categoria emergiram os aparelhos com elevado conteúdo de tecnologia da informação. Embora sejam um produto de montagem, o mais importante é o chip que recebe, processa e transmite informações. São o caso dos computadores - sejam os pessoais ou de grande porte - como os smartphones e demais equipamentos de telefonia. 

Nessa categoria a automação industrial  domina grande parte do processo produtivo, mas não dispensa o trabalho humano em diversas das suas fases, mas principalmente nas finais.

Uma terceira categoria de produção industrial é da transformação do insumo industrial (ou da própria matéria prima) em formato desejado pelo consumidor. Baseado no formato desenhado ou "mentalizado". É o caso típico da atividade de vestuário que envolve desde grandes produções industriais em massa, como a manufatura artesanal. É ainda a atividade industrial que mais emprega o trabalho humano.

É o dinheiro, seu estúpido!

Tem muita gente entusiasmada com possíveis candidaturas nas eleições de 2018. Mas a maioria ou quase todos eles esquecem de perguntar ao seu...