quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O alcance da opinião publicada

A opinião publicada está muito indignada com os últimos acontecimentos políticos, em que vem sendo "derrotada" sucessivamente. 
E não entende porque os políticos não dão a devida atenção a ela e continuam manobrando indecentemente. 
Acha que é a opinião pública, menosprezando a opinião não publicada que é, quantitativamente, muito maior e tem o poder de decidir a eleições democráticas.
A opinião publicada só se transforma em opinião pública quando consegue envolver ou contaminar a opinião não publicada. O que é incomum, mas não impossível. A opinião publicada está sempre contando com esse incomum, achando que é o usual.
Não é. E as pesquisas que apontam Lula na preferência dos pesquisados para a Presidência de República, indica que o momento incomum, com o ápice da Operação Lava-Jato, que ocorreu ao longo da campanha eleitoral municipal de 2016, já não persiste. A opinião não publicada, mais uma vez, se afastou da publicada. Não segue as mesmas posições.
O ciclo político oscila sempre entre a safra e a entressafra. Safra é o período eleitoral onde ele tem que colher o número suficiente de votos para se eleger e o necessário para ter força política. Entressafra é o período que entremeia as campanhas eleitorais, podendo ser de 1,5 a 3,5 meses.

Se nesse novo momento, eles não estão dando a devida atenção às reações da opinião publicada é porque percebem o baixo alcance da contaminação junto às suas bases, à opinião não publicada que vota e poderá continuar votando neles.
Sim, eles não estão "nem ai" com a opinião publicada, para a indignação da mídia das grandes cidades. Mas estão "muito ai" com a sua opinião não publicada. Sem o que não não conseguirão se reeleger.
Eles seriam eleitos pela opinião não publicada e não pela publicada. 
Outubro de 2018 dará a resposta efetiva.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Como chegaram ao poder?

O noticiário que atende à opinião publicada está tomada, com indignação, com a soltura dos 3 principais políticos estaduais do PMDB do Rio de Janeiro. A revogação da revogação não reduz a indignação. 

Eles juntamente com o ex-Governador Sérgio Cabral, ainda preso, conquistaram e dominaram o poder político do Rio de Janeiro hà mais de 18 anos.

Todos os Governadores eleitos, no período, Marcelo Alencar, Anthony Garotinho, Benedita Silva e Rosinha Garotinho, ficaram na dependência de acordos com o grupo Cabral-Picciani, para conseguir aprovar medidas de interesse do seu Governo na ALERJ.

Como Cabral e Picciani conseguiram se reeleger sucessivamente, apesar de algumas derrotas para cargos maiores, ora está conhecida.

Mas como conseguiram se eleger na primeira vez?

Agora que deixaram um vácuo político eleitoral, quem irá preenchê-los. Com base em que tipo de campanha eleitoral?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria foi o motor do desenvolvimento econômico brasileiro, protegido por barreiras determinadas pelo Estado Brasileiro.
Perdendo substância, a partir dos anos noventa, com a abertura da economia para importações, é - atualmente - uma indústria - em geral - desatualizada tecnologicamente,  com baixa produtividade e não competitiva mundialmente.
Diante de um mundo globalizado, com restrições crescentes ao protecionismo, qualquer indústria para se manter no mercado precisará ser mundialmente competitiva.

Não podendo contar com esses dois instrumentos, a única barreira que persiste é a ineficiência logística. Enquanto essa persistir alguns mercados regionais poderão resistir à concorrência estrangeira. Fora disso estarão condenadas ao declínio e até ao desaparecimento, deixando de ser um fator de desenvolvimento, e se tornando um problema social.

As industrias de multinacionais voltadas apenas para o mercado interno decorrem das estratégias de assegurar a participação no mercado brasileiro com a montagem final de seus produtos criados no exterior. Alguns podem ter adaptações para o mercado nacional, mas a sua opção é importar o produto inteiramente produzido no exterior ou montar no Brasil, para ser mais competitivo em relação aos seus concorrentes externos. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (3)

O Brasil não é apenas um exportador de matérias primas agrícolas. Parte já é processada, num primeiro estágio. Outros em estágios mais avançados, ainda que alguns não os aceitam como produtos industrializados ou processados.
A imagem predominante é que o Brasil produz e exporta soja em grãos. 

Na realidade o milho brasileiro é exportado na forma de proteina animal. O que é uma fase mais avançada e com maior agregação de valor do que a eventual venda externa de rações. 

Nesta cadeia produtiva a matéria prima brasileira - o grão de milho - é exportada incorporada aos produtos da etapa final do processo, como as partes de frangos cortadas.

O Brasil é um importante produtor e processador de alimentos, mas os "pessimistas" ou "envergonhados do Brasil" preferem só ver o caso do café. Países europeus que não são produtores agrícolas do café, desenvolveram tecnologias para transformar o grão em produtos de consumo, mais saborosos e amigáveis. E ganham nos royalties ou mesmo da importação pelo Brasil de bens derivados do seu café.

O caso do café não é a regra, mas a exceção. 

O agronegócio brasileiro agrega valor às suas matérias primas, mas tem se mostrado incompetente para superar a imagem de que é um exportador de produtos agrícolas de baixo valor agregado. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (2)

Num primeiro nível, a estratégia brasileira, para aproveitar o momento favorável, deverá estar voltada para:

  • diversificação de mercados compradores, reduzindo o grau de dependência das importações chinesas;
  • agregar maior valor às matérias-primas.

A agricultura brasileira de grãos vem crescendo e conquistando mercados internacionais, com altíssima produtividade, incorporação sucessiva de tecnologia e inovação, integrando já a revolução 4.0, e apesar do custo Brasil.

A soja brasileira é altamente competitiva nas fazendas, perde parte dela, com as deficiências logísticas, mas é ainda competitiva no porto. Desmente inteiramente as visões de que a produção brasileira tem baixa produtividade e não investe em inovação. A soja brasileira é, provavelmente, o produto nacional com a maior agregação tecnológica. 

O processamento das matérias primas envolve duas categorias:

  • a dos processamentos que mantém a característica de commodities;
  • a da industrialização com diferenciais que podem ser caracterizados por marcas.

Faltam empresas brasileiras do setor de alimentos, com vocação internacional. 

Sem essa vocação não haverá empenho das empresas ou dos empresários em tentar a conquista de mercados externos.

O Brasil precisa de "campeões internacionais", mas esses terão que ganhar o pódio pelo seu esforço e competência empresarial. Não poderão depender de benefícios estatais.

Para isso o Brasil, seus empresários e a sociedade organizada, precisam se livrar da cultura estatista (ou estatizante) de que o objetivo acima só será possível, com forte atuação e recursos do Estado.

O papel do Estado nas circunstâncias atuais e nos próximos anos terá que se restringir à diplomacia. Não tem recursos, tampouco instrumentos para promover a formação e desenvolvimento de "campeões internacionais".




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional? (1)

O Brasil por força da iniciativa privada, aproveitando oportunidades do mercado mundial, se tornou em poucos anos, uma potencia agrícola mundial, liderando a produção e a exportação de diversos produtos agrícolas. 

Apesar dos elementos positivos essa conjuntura brasileira é fonte de infelicidade ou incomodidade para alguns que a criticam como sendo uma condição indesejável.
Essa condição é vista como um retrocesso com o Brasil voltando a ser um supridor de matérias-primas para as grandes potenciais mundiais e importador de bens industrializados, como nos tempos coloniais. Ou da fase pré-industrial.

O Brasil tem que aproveitar a oportunidade para ser o principal supridor mundial de matérias primas de produção agro-pecuária-florestal. Sem sacrificar a cobertura vegetal.

Não pode desprezar essa oportunidade histórica que pode sustentar um crescimento econômico moderado, lento e gradual.

Não se deve desprezar ou combater a ação efetiva da agricultura, que se tornou o mais dinâmico motor da economia brasileira. Embora não o único.

Como estratégia brasileira a primeira condição é aceitar que a produção agro-pecuária-florestal será esse motor e  deverá ser acionado e não contido ou execrado, como um retrocesso, que não é.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O impasse dos investimentos ferroviários

Há um grande consenso nacional que o Brasil tem um grande potencial como produtor agropecuário. Mas que esse potencial é prejudicado pela carência de infraestrutura que encarece demasiadamente o custo logístico, anulando a competitividade, alcançada dentro das fazendas.
E também é predominantemente aceito que a solução está no escoamento dos grãos via hidrovia e ferrovia, por terem custos menores. Mas que não ocorre na prática.
Eles oferecem um preço pouco abaixo do frete rodoviário, efetivamente praticado além da seletividade de clientes, o que impede o acesso de grande parte dos produtores em utilizar a ferrovia.
Dai o produtor tem que usar o meio rodoviário, pagando 100 (valor de referência) ou usar o ferroviário a 90. Não adianta os técnicos dizerem que nos EUA ou na Argentina, ele pagaria 30 ou 40. É a condição comercial. 

Os concessionários querem renovar os seus contratos sem alterar substancialmente as condições do direito de passagem, para manter as suas políticas comerciais e rentabilidade. 
Já os usuários representados pela CNA e pela ANUT querem maior participação para os operadores independentes e menores restrições comerciais.
A força do lobby conseguiu dar andamento aos processos de renovação, mas "empacou" na resistência da CNA, da ANUT e das associações dos produtores (APROSOJAs) e outras associações, como a Ferrofrente.
Eles deram um "nó" no processo e o Governo não sabe como desatar. 

O alcance da opinião publicada

A opinião publicada está muito indignada com os últimos acontecimentos políticos, em que vem sendo "derrotada" sucessivamente.  ...