sábado, 22 de abril de 2017

O impacto dos aplicativos no trânsito

O Uber, supostamente, um aplicativo de integração entre usuários e prestadores de serviço de transporte individual, na prática é uma grande empresa de taxi, assumindo um papel que o Poder Público não ocupou.

O Uber define e controla as tarifas, substituindo os antigos taxímetros, por algorítimos. A partir dai, promove uma guerra de preços, o que interessa ao usuário por ter serviços de taxis mais baratos do que os oficiais.

E o faz, não com sacrifício dos seus custos e da sua rentabilidade, mas de iludidos motoristas particulares que na falta de emprego ou outro trabalho, aceitam as condições vís de remuneração.


Mas com a falta de percepção dessa condição real, associada à crise de empregos, milhares se associam aos aplicativos e geram uma oferta abundante, que alegra os usuários e os leva a deixar o seu carro parado e usar os carros do aplicativo.

Com a guerra de preços, taxistas oficiais também entram na prática de descontos, para manter o uso.

No trânsito não há diferenças significativas. Aparentemente piora, porque com preços mais atrativos, pessoas que estavam usando o transporte coletivo passam a usar os serviços de taxi, sejam os oficiais ou particulares.

A frota em uso diminui, mas o seu uso aumenta. E o que importa para o trânsito não é o estoque da frota, mas a sua circulação.











sexta-feira, 21 de abril de 2017

Dórialusconi

A Operação Lava Jato se inspira na Operação Mani Pulite , ou Mãos Limpas realizada na Itália e pode servir de roteiro do que pode (ou vai) acontecer com a política no Brasil.
Seguindo o processo ocorrido na Itália, as lideranças políticas atuais serão varridas, pelos eleitores em 2018 e, após perder o foro privilegiado, acabarão condenados e presos por juizes de 1ª Instância. 

Os grandes partidos serão desidratados e abrirão espaço para novos e para novas lideranças. 

No Congresso Nacional muitos sobreviverão e voltarão. Mas não serão as lideranças atuais. Será uma grande parte do "baixo clero".

Já entre os Senadores, 1/3 ainda terão um mandato de 4 anos pela frente. Dos 2/3 que terão que disputar as eleições muitos não voltarão.

Com o vácuo aberto com a rejeição aos candidatos mais tradicionais, já estão emergindo novas alternativas para a Presidência, que poderão se desenvolver até 2018.

Dois nomes já estão despontando: João "Berlusconi" Dória e Jair "Hugo Chaves" Bolsonaro.

João Dória tem alguns pontos comuns com Silvio Berlusconi: é homem de televisão e rico. Jair Bolsonaro é ex-militar e populista, como foi Hugo Chaves. Embora diametralmente opostos do ponto de vista ideológico tem em comum o populismo baseado em posições radicais.

Nenhum dos dois pode ser subestimado. 

Pesquisas mostram a preferência dos jovens por Jair Bolsonaro.  Para os jovens, praticamente, não existe passado político. Só presente. Os principais protagonistas da política brasileira são os mesmos desde que tiraram o seu título de eleitor, a partir dos anos noventa. Ditadura militar, repressão aos direitos individuais só conhecem de história.

Dória e Bolsonaro seriam de direita. A esquerda não tem ainda uma nova liderança para assumir a bandeira de Lula, a não ser ele próprio  ou a sua sucessora, ambos provavelmente inabilitados à concorrência. Ciro Gomes seria uma alternativa do PT, mas não da esquerda. 

Restaria Marina Silva, figura contraditória, avançada em questões políticas e conservadora em questões religiosas e sócio-culturais, como o direito ao aborto, casamento homossexual e outros. 

Os cenários para 2018 e 2022 devem ser avaliados segundo uma visão básica: a ocupação do vazio gerado pela Operação Lava-Jato e seus desdobramentos.

O fantasma Berlusconi que se seguiu ao mani pulite paira sobre a política brasileira. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os sobreviventes

A lista de Fachin é apenas o segundo passo da etapa final do desmonte de um esquema montado e desenvolvido, no Brasil, ao longo de mais de cinquenta anos. 
O esquema de conluio das grandes empreiteiras com os políticos foi abalado primeiramente do lado empresarial. Faltava, no entanto, o desmonte do lado dos políticos que achacaram as empresas, "solicitando" contribuições legais para as campanhas eleitorais.

Agora a bomba caiu sobre os redutos dos políticos, com grande poder de devastação. Não causou mortes, mas uma profusão de feridos, alguns em estado grave, atingidos várias vezes.

O mais importante, na perspectiva histórica, não será o julgamento pelos Tribunais - o que tem fundamental interesse pessoal - mas será o julgamento dos eleitores, o que irá ocorrer brevemente em outubro de 2018.

Quem os eleitores vão eleger? Para isso será necessário voltar o foco para os sobreviventes. 

A mais notória sobrevivente é Marina Silva e o seu partido que só tem um representante no Senado e não foi atingido. No campo "verde" há um importante sobrevivente que é Alvaro Dias. 

No espectro "direita" dois importantes sobreviventes, não alcançados pelos estilhaços Odebrecht são Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro. Caiado está numa força ascendente que o agronegócio. Os seus dois principais concorrentes, Kátia Abreu e Blairo Maggi, estão entre os feridos graves.

Do PT não sobrou nenhuma liderança significativa, além de Lula e Dilma. Ambos alcançados frontalmente. Remanesceram lideranças regionais.

A alternativa petista seria Ciro Gomes que não foi alcançado.

O senado pessedebista foi amplamente alcançado. Os sobreviventes tem alguma expressão estadual, mas não nacional, com exceção de Tasso Jereissati, que poderá ser a alternativa "tucana" para a eleição presidencial de 2018. Além da possibilidade de João Dória, que estava fora do jogo. O Ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, é também um sobrevivente. 

O PMDB foi o mais atingido, como partido. Ademais, como nas últimas eleições, não tem um nome nacional. 

A tendência é que os feridos, pela bomba Odebrecht/Janot/Fachin, mesmo que se recuperem não terão forças para a disputa presidencial. 

A disputa tende a ser entre os sobreviventes e os novos. Com que força, ainda é cedo para avaliar. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O tempo corre depressa ou devagar?

Fez um ano que a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do impeachment de Dilma e ela foi
afastada do cargo. Transitoriamente, mas depois definitivamente pelo Senado Federal. 

Um ano sem Dilma, Presidenta. A sensação é de que o tempo passou rápido e Temer que a substituiu não teve tempo para fazer muita coisa. 
Conseguiu aprovar a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos, a lei da terceirização, entre os projetos mais importantes e quer aprovar uma Reforma Previdenciária e outra Trabalhista. Difícil por serem impopulares, mas essenciais para a sua biografia. 
Para ele o tempo pode parecer rápido demais. O seu mandato pode expirar sem que as tenha aprovadas.
Por outro lado, ele quer que o tempo corra devagar no TSE, com as postergações sucessivas do julgamento contra a chapa Dilma-Temer que pode resultar na perda do seu mandato. 

Já para a sociedade organizada que está indignada, revoltada e afoita, que quer todos os políticos imediatamente fora da Praça dos Três Poderes, esperar pelas eleições gerais de 2018 parece muito longe. E que o tempo anda devagar.

terça-feira, 18 de abril de 2017

2018: o momento da renovação

A opinião publicada está revoltada e inconsolável.  Quer a renovação total da política. E sonha com isso. Acredita no "poder das ruas" e das redes sociais.

A renovação será possível, mas não como aquela gostaria. Dependerá dos eleitores, em todos os Estados brasileiros.

O momento é outubro de 2018, quando haverá eleição geral.

Os revoltados idealizam um país desejável que não existe. O país real é de uma população carente das necessidades básicas, com baixo nível escolar e sensíveis ou vulneráveis aos discursos populistas. E votam quase distritalmente.

Como fazer com que essa população não vote "nos mesmos"? Sem a sensibilização e convencimento desses eleitores que estão em todo o território brasileiro, a renovação será baixa.

Pouco adianta ficar verberando contra os políticos, nas redes sociais, se a mensagem não alcançar os grotões, as comunidades de baixa renda, espalhadas por todo o Brasil.

A mídia leva os eleitores a um equívoco: acreditar que existe um Brasil que vota. 

Pessoa jurídica não vota. Quem vota são as pessoas físicas. E todo mundo não pode votar em todo mundo. O eleitor só pode votar em candidatos do seu próprio Estado.


A renovação do Congresso não depende de movimentos nacionais, organizados por São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília. Tem que baixar para os Estados e até para os Municípios de cada Estado Brasileiro. Com atuações presenciais e não apenas virtuais. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Importantes aspectos ainda submersos


A lista de Fachin só alcança 8% dos deputados federais. O que, em função dessa lista, 92% estariam "aptos" a retornar em 2019, sendo reeleitos em 2018.

A quase totalidade dos deputados não está explicitamente na lista, mas está envolvida indiretamente por conta da "compra de medidas provisórias pela Odebrecht". 

Na realidade não foi uma compra da Odebrecht, mas o financiamento ao Governo para a compra da aprovação das MPs.

Como avalia a coluna de Miriam Leitão, no sitio da Globo, mais que equívocos, as medidas estatizantes e nacionalistas dos governos petistas, foram "compradas", financiadas pela Odebrecht. 

Uma das principais razões porque a maioria dos deputados não aparece, responde pelo nome de Eduardo Cunha. Ele era o concentrador e redistribuidor. 

Da mesma forma, a maioria dos deputados eleitos em 2010 e 2014 teve a sua campanha irrigada pelo odebrechtduto, angariada pelos dirigentes partidários. 

Os 92% que ficaram fora aproveitarão para alardear que a lista do Fachin os liberou dos crimes de corrupção. Teriam tido um atestado de "honestidade". O mais conhecido deles é o notório deputado Paulo Maluf. Que já tem dito, reiteradamente, que é o político "mais honesto do Brasil". 
Não haverá renovação política enquanto essa outra faixa do "iceberg corrupção" não vier à tona. 

sábado, 15 de abril de 2017

Não quero carro, pai!

O mês de fevereiro era sempre esperado, com expectativa pelo setor automobilístico, em função de uma demanda sazonal: a compra de um carro para o filho ou filha que passou no vestibular e vai ingressar na faculdade. É também um momento de libertação do garoto ou garota. Não precisa mais ficar dependente do ônibus ou do metrô. Não precisa mais ser levado ou buscado na escola. 

Agora veio a decepção: "pai, não quero carro! ". Está com dinheiro? Então me financie uma viagem, com a turma.

A independência é buscada de outra forma: sair de casa para ir morar numa república, com os colegas. 

E o mercado automobilístico não se anima com a compra dos carros para os calouros. 

O transito poderá não sofrer grandes alterações, uma vez que o jovem irá dispensar o seu carro próprio, mas usará um aplicativo para usar o carro de terceiros. 

Já os estacionamentos terão uma queda de demanda por que os carros chamados pelos aplicativos não precisam usar vagas pagas. 

É uma nova realidade que requer a reavaliação dos modelos de negócios.